Drogas e meninos

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O relógio nem marcava 7h30. O dia estava começando. Eu ainda tinha um tempinho… Não estava atrasado para chegar ao trabalho. Caminhava tranquilo. Quando passava numa praça central da cidade, vi um garoto sentado num dos bancos. Estava com uniforme de escola. E de um bom colégio da cidade. Ele mexia as mãos com certa ansiedade. Não foi difícil notar o que manipulava. Ele preparava um “cigarro” de crack. Estava plenamente envolvido pela tarefa de quebrar pedacinhos da pedra que nem se importava com as pessoas que por ali passavam.

O adolescente tinha uns 15 anos. Era branco. As roupas estavam limpas e, pelo perfil, parecia ser filho de gente da classe média. Não reproduzia o estereótipo de menores consumidores de droga. Não era negro, não parecia pobre, não está fora da escola.

Eu tenho filhos adolescentes. E sempre que vejo notícias sobre crianças se envolvendo com drogas, com crimes, sinto-me impotente como cidadão, como pai. A gente não tem controle de tudo. E embora muitos digam que esses meninos e meninas fizeram uma escolha, eu não sei dizer até que ponto foi de fato uma escolha.

Será que possuem tanta maturidade para dizermos que escolheram? Por que um garoto de classe média estaria na praça, com uniforme de escola, preparando um cigarro de crack? Quais os motivos dele? Qual o futuro dele? Será que os pais sabem? Será que a família sabe?

Na verdade, por que o consumo de drogas se tornou uma espécie de epidemia?

Tem gente que fala que isso é falta de Deus. Pode até faltar Deus. Mas não, religião. De religião, igreja, discurso doutrinário muitos deles estão cansados. Já conhecem as contradições.

O que noto entre nossos adolescentes é a predominância de um sentimento de tédio. Eles acham a vida vazia demais. Estão cansados de tudo, chateados com tudo, aborrecidos. E já conhecem todos os argumentos de pais e professores em defesa de uma vida digna, que deveriam honrar tudo que possuem, a família, a escola, a comida na mesa… Mas a fala dos adultos não preenche o vazio existencial. O cotidiano não preenche. Nada parece suficiente. Por isso, mergulham numa vida marginal. E as drogas estão entre as alternativas que proporcionam fortes emoções. Garantem prazer, quebram a rotina, representam confronto com o que é legal… E quebrar regras é tudo que querem. Precisam experimentar o que há de mais novo, algo que os diferencie e, ao mesmo tempo, os inclua em alguma tribo.

Não há respostas claras. Apenas incertezas. O menino que fuma crack no início do dia talvez só queira viajar… Viajar por terras novas, ambientes surpreendentes. O mal que a droga faz provavelmente ele conheça. Mas não se importa. E como sociedade, eu e você não sabemos o que fazer. Nem como proteger o futuro de nossos meninos.

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2 comentários em “Drogas e meninos

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