Quem fala sem pensar

silencio

Há sabedoria em muitos escritos bíblicos. O livro de Provérbios, por exemplo, é riquíssimo. Ainda hoje encontrei um pensamento fantástico:

Há mais esperança para um tolo do que para uma pessoa que fala sem pensar (Prov. 29:20).

O tolo (boboca, idiota etc) quase não provoca estragos. Seus atos por vezes são inocentes. E ninguém o leva a sério. Além disso, há alguma chance de mudar. O tolo pode deixar de ser tolo. A vida pode lhe ensinar… Algo ou alguém pode lhe tocar e despertar o desejo do saber…

Mas quem fala sem pensar… Faz mal pra si mesmo e para os outros. Uma palavra dita fora da hora pode magoar, causar constrangimentos e muita confusão. Quem fala sem pensar pode contar um segredo, pode estragar um negócio e até colocar em xeque um relacionamento.

O provérbio sustenta que há menos esperança para esse tipo de gente porque essas pessoas geralmente são ansiosas e, se não pensam pra falar, também quase sempre são incapazes de refletir sobre as consequências de seus atos. E quem não reflete, não faz autocrítica. Se não faz autocrítica, não muda.

O que me assusta é que vivemos um momento em que há pressa em falar, em verbalizar. E nem sempre se faz isso de maneira analítica. A necessidade de ganhar espaço, de se impor, de se fazer respeitar motiva ações impensadas. Pior, apesar dos problemas que isso causa ainda tem aqueles que argumentam “eu sou assim mesmo, não vou mudar” ou “eu falo mesmo e é na cara”. As pessoas se orgulham de agir de maneira estúpida, grosseira.

Talvez a sabedoria tenha se esvaziado num jeito de viver pouco dado ao pensar e ao conhecer. Talvez faltem motivos para ter esperança.