“Joga pedra na Geni”

mobilidade
O cenário político não parece favorável à presidente Dilma. Há certo mau humor. Parte da população transfere toda responsabilidade ao governo federal pelos problemas do país. Os desastres com a Copa são um exemplo disso. Cá com meus botões, entendo que a imprensa e os analistas não parecem muito dispostos a explicar que parte do que se credita à petista deveria ser compartilhado com governos estaduais e municipais – e de diferentes partidos políticos.

Ainda falando da Copa, vale lembrar que temos 13 cidades-sede. Para realização do evento, várias obras foram anunciadas. Não apenas estádios. E a responsabilidade pela execução e gestão delas deveria ser compartilhada pela União, Estados e Municípios. Ou seja, uma obra em atraso pode significar que houve incompetência da presidente e sua equipe, mas também do governador do estado e do prefeito. E sabe o que eu penso? Penso que a Copa evidencia que a questão é muito mais complexa: a máquina pública brasileira não funciona. O Estado está falido. Não importa quem está no governo, qual é o partido. Importa que a máquina não funciona. Portanto, mais que questionar a Dilma, o Alckmin ou qualquer outro gestor, precisamos questionar: o que pode ser feito para mudar essa realidade?

Além disso, acho que é necessário distribuir as responsabilidades. Por não votar desde 1998, sinto-me livre para dizer: acho que estão culpando a Dilma até por coisa que ela não tem culpa. E a Folha de São Paulo me ajuda a sustentar o discurso.

Num editorial publicado nessa quarta-feira, 28, o jornal mostra que, em 2012, o governo federal disponibilizou R$ 12,4 bilhões a fundo perdido para governadores e prefeitos investirem em projetos de mobilidade urbana. Depois dos protestos de junho do ano passado, esperava-se que esse dinheiro sequer fosse suficiente para atender tanta demanda. Para isso, só precisavam apresentar bons projetos. Havia um prazo para isso. Outubro de 2013 era o limite. Não apareceram projetos e o prazo foi estendido, dezembro. E agora o prazo é junho/2014. E sabe o que é curioso? Até o momento, poucos gestores se interessaram pelo dinheiro. Apenas R$ 479 milhões foram sacados por Estados e Municípios.

Portanto, há necessidade de ir para além do simples ato de criticar um governo pelos problemas sentidos pela população. A responsabilidade deve ser compartilhada. Não há uma pessoa apenas e nem um só partido quando o tema é incompetência na administração do setor público.

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