Na segunda, uma música

Costumo dizer que não é fácil encontrar alguém disposto a ajudar, com o coração aberto para aceitar, que pratique o amor em atitudes de perdão, de apoio, de ajuda. Na música de hoje, Phil Collins fala dos momentos em que alguém se sente desencorajado, sem forças para prosseguir. Mas ele diz: estou aqui; pode contar comigo.

Vejo você como realmente é, e é por isso que te amo
Então não tenha medo, de mostrar você como realmente é

Em “True colors”, o cantor pede um sorriso… Mostra o quanto se importa.

Me mostre um sorriso
Não fique infeliz, não me lembro
Da última vez que te vi sorrindo
Quando esse mundo te deixar louco
E você tiver aguentado tudo que pode aguentar
Me ligue, porque você sabe que eu estarei aqui

É maravilhoso quando encontramos alguém assim, né? Pena que são tão raros os amigos ou os amores que conseguem ver para além de si mesmos.

Vamos ouvir?

Anúncios

É preciso se aceitar

aceitar

Gosto demais da palavra “aceitar”. Em especial, gosto do que ela significa. Nos relacionamentos, por exemplo, representa entender o outro, acolher o outro, tolerar alguns defeitos… Aceitar que a perfeição não existe. Mas, antes de conjugar o verbo na relação, é fundamental aplicá-lo a nós mesmos. Precisamos nos aceitar.

Semanas atrás ouvi alguém se lamentar. É uma pessoa que cometeu erros no passado, muitos deles ligados à personalidade, ao seu jeito de agir diante da vida e até no trato com a família, amigos, colegas de trabalho.

– Talvez um dia eu consiga mudar.

A frase trazia um tom triste. Era como se estivesse lutando, lutando… Porém, ainda faltasse muito para tornar-se quem realmente quer ser.

Reconhecer nossas fragilidades é o primeiro passo; o segundo, é querer mudar. Se a gente identifica os defeitos e deseja superá-los, há chance de ser melhor, de tornar-se uma pessoa melhor. No entanto, também é necessário se aceitar. Não adianta viver se lamentando. Muito menos achar que “num estalar de dedos”, vai estar mudado, será outro. Os erros que cometi ontem poderão ser repetidos amanhã – nem sempre por uma decisão deliberada, mas por hábitos adquiridos.

Crescimento é isso: aprender com os erros, aperfeiçoar-se, tornar-se um ser humano melhor.

Estar insatisfeito com certos comportamentos é condição necessária para ser diferente. Ainda assim, é preciso entender que todos nós temos coisas para trabalhar. Ninguém está pronto. Nunca estará. Não adianta “deprimir”.

Neste sentido, há uma doutrina cristã que pode ser aplicada aqui. Segundo o pensamento bíblico, como pecador que é, o homem nunca será santo, mas deve buscar incansavelmente a santificação. Acho que o processo é mais ou menos esse mesmo: temos defeitos, mas, se desejamos mudar, podemos mudar. A mudança, porém, é uma conquista diária. É devagar… Um passo de cada vez. E também nisto consiste a beleza da vida: a cada dia temos um novo desafio a vencer – ainda que seja apenas dentro de nós, em nossa luta interior.

Filhos e relacionamento

filhos

Muita gente em crise no relacionamento aposta em ter um filho como forma de salvar o casamento. Entretanto, o que essas pessoas geralmente desconhecem é que uma criança, longe de aproximar, pode distanciar o casal.

A maneira como a maioria lida com a chegada de um bebê motiva o esfriamento do romance. Na verdade, para algumas mulheres, principalmente, há certa naturalização do processo: como se o casamento entrasse numa nova fase. Com menos sexo, por exemplo.

Se apostar num filho para salvar o casamento é um erro, outro maior é o cometido por muita gente que aceita o esfriamento do romance, com a chegada de um bebê, como normal. Na verdade, uma criança muda sim a dinâmica do relacionamento, mas não pode ser por muito tempo.

E os casais começam fazendo bobagem logo quando a criança nasce. Muitos colocam o bebê para dormir no mesmo quarto. Alguns chegam ao cúmulo de levá-lo para a cama do casal. Não pode! Como preservar a intimidade?

O casal precisa investir, primeiro, no relacionamento. E isso implica ter espaços muito bem definidos. A criança deve ter o próprio quarto, não ser atendida cada vez que chora… Ela precisa se acostumar a dormir sozinha. Deve crescer entendendo que os pais não giram em torno dela. O romance esfria se não dormem bem, se a criança acorda o tempo todo e, principalmente, se ocupa a cama do casal.

Quando se prioriza o romance, a criança cresce percebendo que os pais têm uma vida a dois. Que existe um tempo dos adultos. Os filhos devem ter horário para ir para o quarto. Não necessariamente para dormir (pode ser para brincar sozinha, para ler…). O casal carece de um tempo só para eles… Para assistir juntos seus programas, para cuidar da intimidade.

A socióloga da Universidade do Texas, Marie-Anne Suizzo, pesquisou casais americanos e franceses. Ela descobriu algo importante: as mulheres francesas não sacrificam a vida sexual pelos filhos. E o motivo é simples: elas entendem que, quando se casaram, escolheram um marido para construir uma vida com ele. Embora os filhos sejam preciosos, um dia vão embora. Restará o casal. Ou nem isso, se perderam-se nessa caminhada por ignorar a importância de preservar o romance.

“Amar pode dar certo”

amar_certo

Há algumas semanas passo em frente ao sebo e vejo um livro. O título é convidativo:

– Amar pode dar certo.

Eu gosto de títulos. Sou jornalista, né? Sou pesquisador de textos e discursos. Então as palavras parecem brilhar diante dos meus olhos. Um título (que busca resumir, identificar) fala comigo antes mesmo de ler o texto.

Enquanto vejo o título “amar pode dar certo”, penso nos inúmeros amores que fracassam. Lembro de outras histórias bonitas. Algumas de cinema, outras da vida real. Meus pais estão prestes a completar 48 anos de casados. Meus avós, se estivessem vivos, teriam completado 80 anos de união neste mês. E eles viveram juntos por quase 70 anos. Sim, eles provaram que um relacionamento pode ser duradouro.

Entretanto, relacionamento duradouro é o mesmo que um amor que deu certo? É possível viver muitos anos juntos sem ter amado de verdade. Pode-se manter um casamento por conveniência, por pressão social, pelos filhos. Ainda assim, penso que o tempo é um indicador importante, mas não é o único.

Porém, amar alguém é uma escolha. Sente-se o amor, mas também se escolhe amar. Por ser uma escolha, trata-se de uma prática diária. Quem ama, sofre. Não aquele sofrimento das novelas… Sofre, porque a relação é difícil. Há altos e baixos. E vários momentos em que bate uma enorme vontade de “matar” o parceiro.

Além de ocasiões que nos tornamos insuportáveis ao outro, alguns de nós são perfeccionistas, reclamões, fofoqueiros, inseguros… Ficamos doentes, achamos tudo e todos péssimos, ou nos apegamos a pessoas que não merecem nosso respeito… E essas coisas todas acontecem na dinâmica de um relacionamento. Só os fortes resistem.

Amar pode dar certo, porque é uma possibilidade; não um fato. Dias atrás escrevi que os relacionamentos estão fadados ao fracasso. Sim, porque o insucesso está dado. Fazer dar certo é a exceção. Exceção que implica numa escolha. E que envolve muitos sacrifícios.

O filósofo grego Aristóteles certa feita disse:

O amor é o sentimento dos seres imperfeitos, uma vez que a função do amor é levar o ser humano à perfeição.

O relacionamento é feito assim: por pessoas imperfeitas. Somos egoístas, queremos ser atendidos pelo outro e que o outro nos faça feliz. Contudo, para dar certo, é necessário renúncia, abnegação, doação, aceitação. Aceitar sorrir e chorar juntos. Ter o coração aberto para perdoar. E querer aprender dia a dia a conviver com o outro. Nenhum relacionamento dá certo sem disposição para criar um novo estilo de vida. É preciso se moldar. Criar algo novo a partir da vida de alguém na nossa vida.

Na segunda, uma música

Trabalhar é um dos meus prazeres. Gosto do que faço. Entretanto, não raras vezes me questiono sobre a maneira que vivemos. Quer dizer, como deixamos de viver nos ocupando tanto. Tudo bem que estamos em tempo de Copa. E hoje, por exemplo, muita gente mal trabalhou no horário da manhã. Outras sequer vão comparecer às aulas à noite. Ainda assim, essa é a exceção. A regra é muito trabalho e quase nenhum tempo para cuidar do coração, da mente e das pessoas que amamos.

A canção que escolhi nesta segunda-feira fala sobre isso. “Something more” mostra que a vida é mais que simplesmente trabalho, mais que o trânsito louco, mais que a rotina que muitas vezes nos consome.

Segunda, difícil de levantar
Encher meu copo de café, estou fora de casa
Sim, a estrada está congestionada hoje
Me fará chegar atrasada, isto é certeza
Eu estou sem gasolina e sem tempo
Nunca cheguei às nove

Nesses momentos em que tudo parece se resumiu a um dia estressante, é impossível não se questionar: não tem outro jeito de fazer as coisas?

Deve haver algo mais
Mais do que tudo isso
Eu preciso de um horário um pouco menos puxado
Eu preciso de mais alegria

A balada country da dupla americana Sugarland ainda traz um diálogo com o chefe. Entre outras coisas diz:

Eu tenho coisas para fazer antes de morrer

E a canção termina com uma ideia poderosa:

Alguns acreditam em destino, outros em fé
mas eu acredito que a felicidade é algo que nós criamos

E então, vamos ouvir?

O abandono do relacionamento

ursinho
Existem relacionamentos que morrem antes mesmo de as pessoas se darem conta disso. Estão juntas, mas, na alma, separadas. Um dos sintomas mais comuns é o abandono afetivo. Por diferentes razões, o romance se desgasta e chega um ponto em que já não se importam mais com o que acontece no relacionamento, com o que o outro faz ou deixa de fazer.

Não defendo que os casais briguem. Porém, enquanto há confrontos, os dois dão sinais de que estão incomodados, querem mudanças. Isso significa que, se souberem ouvir as queixas e até mesmo o que escondem as agressões verbais, é possível identificar os problemas, tentar corrigi-los e recuperar o relacionamento. Podem até se odiarem naquele momento, mas amor e ódio são faces de uma mesma moeda. Isto quer dizer que há esperança do romance se renovar.

No entanto, muitas vezes, o esgotamento é tanto que o outro passa a ser ignorado. Nem sempre o abandono acontece por ambas as partes. É mais comum que apenas uma delas desista de lutar. Perde-se a vontade de fazer diferente, de tentar fazer dar certo. Nessas ocasiões, pode-se ter basicamente duas atitudes: simplesmente vai levando, porque acha que não tem o que fazer. Ou seja, a pessoa de certa maneira se conforma que o relacionamento nunca vai ser bom e não tem mais nada o que esperar dele, mas não pensa em separação. E uma segunda atitude pode ser esse desânimo, essa ausência de expectativas, a crença de que não há chance de ser feliz, porém apenas esperando a primeira oportunidade para se separar.

A situação não é boa em nenhum dos quadros, principalmente porque o outro passa a ser ignorado por completo. A pessoa se torna um presente-ausente no relacionamento. Ainda que ouça uma ofensa, responde-se sem nenhuma preocupação com as consequências. O incômodo que havia por ele frequentar o bar com os amigos, na ida dela à casa da mãe ou por conversar com aquela colega que você detesta, tudo isso deixa de existir. Simplesmente, perde-se o interesse. É mais ou menos como se estivesse dizendo: “estou nem aí pra você!”.

Quando o relacionamento chega a esse ponto, existe pouca chance de o casal voltar a viver bem. A “luz no fim do túnel” passa pela percepção de pelo menos uma das partes de que é preciso tentar reconstruir. Se essa pessoa não nota que o parceiro está na relação, mas já a abandonou, vai acabar afundando junto. Porém, se observar que o outro já ignora tudo que diz respeito ao romance, talvez ainda possa se reaproximar, tendo atitudes gentis, palavras de motivação, iniciativas que procurem agradar… Terá que amar muito. E colocar em prática esse amor. Ser capaz de, muitas vezes, renunciar suas vontades. Do contrário, o romance será apenas mais uma história fracassada de amor.

Como dizer não?

Quem aprende a dizer não, torna-se livre e respeitado
Quem aprende a dizer não, torna-se livre e respeitado

Dizer não é uma das coisas mais difíceis na vida da gente. A mãe liga, faz um dengo e pede:
– Vem almoçar aqui no domingo?

Poxa, a agenda está cheia, você esteve com ela ainda no outro fim de semana, mas como dizer não?

Bom, acho que pra mãe a gente até diz um “não” com mais facilidade. O problema parece ser maior quando as pessoas não são tão próximas assim. Às vezes é a prima, o tio, um amigo, o patrão… O programa para o qual você está sendo convidado é chato, você se sentirá deslocado… Ou simplesmente, você já tinha se programado para fazer outra coisa.

Como dizer não?

É mesmo difícil. A gente projeta qual a expectativa que o outro tem de nós. Queremos agradar. Há um desejo de ser querido, amado, bem visto. E este desejo parece maior que a razão.

Por isso, tornamo-nos reféns de uma projeção. Sim, apenas uma projeção. Somos nós que projetamos o que supostamente o outro vai pensar. Não sabemos de fato como será sua reação. E, convenhamos, ainda que não seja muito simpática, o que perdemos ao dizer:
– “Me desculpe. Agradeço muito o convite, mas desta vez não poderei ir.”?

Talvez o outro fique um pouco chateado, descontente por um momento. Entretanto, gente de bom senso geralmente administra bem as frustrações. Se ficar magoado, talvez seja alguém com pouca sensibilidade, alguém não muito disposto a entender as limitações do próximo. Tem gente mimada demais que não sabe ouvir não. Porém, se esse é o tipo de pessoa que vai ouvir nosso não, qual o problema em dizê-lo? (Um “não” pra essas pessoas talvez até ajude a desenvolvê-las… Rsrs).

Por isso, embora entenda que precisamos ser sociáveis e, por vezes, até fazer coisas que não estamos dispostos a fazer, também defendo que não sejamos reféns das expectativas alheias. Não devemos ser egoístas, mas não dá pra complicar nossos dias, nem comprometer nossos programas apenas por medo de desagradar alguém. Quem sabe dizer não, torna-se livre, mais feliz e respeitado.

Não existem finais felizes

feliz

Os contos de fadas nos enganaram. Também pouco ajudam as histórias do cinema, os finais de novela. Eles falam de finais felizes, mas a vida está longe de terminar em “happy end”.

Crescemos envoltos numa atmosfera de heróis, príncipes, princesas. Disseram pra gente que a prosperidade estava logo ali. Falaram pra gente sobre felicidade. Nos fizeram acreditar que tudo sempre termina bem.

Eu gosto de acreditar que tudo vai terminar bem. Mas quando termina? Sabe, existem problemas sem solução. Tem situações que aparecem que exigem muito de nós, nos esgotam, causar suor e lágrimas. Mesmo assim, vão continuar ali. Não há o que fazer. Pode ser um caso de doença, uma casa velha, um parente problemático… Há relações difíceis, pessoas com as quais teremos que conviver por toda vida.

Quantos investem seus dias num sonho, numa carreira, num projeto e nunca conseguem realizá-los? Quantos carregam uma frustração por não terem se casado com a pessoa amada? Quantos têm que conviver anos a fio com uma doença limitante, que os impede de comer o que gostam, de praticar atividades físicas ou até de fazerem sexo?

A vida é complicada. É cheia de altos e baixos. E as pessoas podem ser boas e más, ao mesmo tempo. Nós somos assim. Todos nós podemos fazer sorrir e fazer chorar. Muitas vezes agradamos; outras tantas, decepcionamos. Não existe uma linearidade. Ninguém segue um único caminho. Há desvios, tropeços… E alguns problemas são maiores que nossos esforços ou estão acima das potencialidades das ciências.

Reconhecer que as coisas podem dar errado, admitir que, muitas vezes, nos decepcionaremos são atitudes que nos ajudam a viver melhor. O mundo “cor-de-rosa” não existe. Aceitar o que temos, e até mesmo as nossas limitações e também a dos outros, pode ser o primeiro passo para vivermos em paz.