Derrotados pelo desânimo

desanimo
Por mais que se queira estar bem, ter disposição para trabalhar, para sair, para amar, nem sempre desejar é suficiente. Por vezes falta energia para praticar o que se quer viver. Há momentos da vida que o desânimo toma conta e esvazia nossas forças.

Acho graça dos comentários de psicólogos e especialistas em carreira que apostam na tese de que “basta querer para vencer”. Os argumentos fazem parecer que tudo se resume em “começar a fazer”. Acontece que não é assim. As emoções humanas são complexas demais. Quem resume a dinâmica das ações a um ato de “querer fazer”, despreza o humano, ignora que gente não é máquina. Não existe um botão de “liga/desliga”.

É verdade que muitas vezes é só uma questão de disciplina. Tem muita gente acomodada, preguiçosa ou apenas carente de motivação extra. Uma palavra certa, um incentivo podem tirar a pessoa da letargia, despertar nela a confiança para realizar seus projetos. Contudo, há momentos que nada disso faz sentido. Pelo contrário, soa como cobrança, machuca ainda mais. A pessoa sabe que é preciso levantar e agir, mas cadê as forças para isso?

Há vários “gatilhos” para o desânimo. Essa sensação de impotência, incapacidade, ausência de vontade pode surgir pelo cansaço (isso mesmo, noites e noites mal dormidas) que afetam a produtividade, a disposição para realizar. Porém, também pode acontecer em função de frequentes problemas de relacionamento (por sinal, um relacionamento ruim pode roubar as forças necessárias para o exercício de outras atividades). E dá para incluir na lista um emprego ruim, um colega que incomode, uma casa velha que não para de apresentar defeitos, um familiar doente… Enfim, todo problema que se repete vai minando as emoções até o ponto de esgotar. E quando esgotados, só eliminando o problema para retomar a disposição de produzir, de fazer.

Acontece que, quando o desânimo se instala, falta energia até mesmo para o enfrentamento daquilo que está acabando com a gente. Até podemos identificar o problema, mas não há motivação para tentar removê-lo, eliminá-lo. Sem contar que nessas horas nos tornamos mais frágeis, inseguros. Até os amigos e familiares ficam mais afastados. Então achamos que o que está ruim pode ficar ainda pior. Acontece que, se o desânimo se tornar crônico (se a pessoa está abatida todos os dias), as emoções se desarranjam, a tristeza passa a acompanhar e uma situação mais grave, como a depressão, pode se instalar.

Como sair dessa? Bom, diferente dos “manuais de auto-ajuda”, eu não tenho respostas – talvez, sugestões. Apenas aponto que verbos como “motivar-se”, “lutar”, “prosseguir”, “persistir”, “realizar” são fáceis de verbalizar, porém difíceis de praticar quando o coração vai mal. Portanto, ser compreensivo consigo mesmo pode ser uma forma de começar a reverter o quadro. Dar menos ouvido a pressão externa e entender que você é normal: estar desanimado não é algo que acontece só com você. O processo de aceitação é fundamental. Também é necessário reconhecer que o momento é ruim e, a partir disso, procurar ajuda. Mas ajuda de gente que sabe ajudar. Em especial, que saiba ouvir (porque conselho nessas horas quase sempre enche o saco) e apoiar na solução dos problemas que estão causando o estado de desânimo.

Anúncios

Um comentário em “Derrotados pelo desânimo

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s