Filhos podem chorar

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Por que nossos filhos não podem chorar? Qual o problema de frustrar suas expectativas?

Uma das coisas que mais me incomodam no processo de educação é a “prontidão” dos pais. Desde muito cedo fazem tudo errado. Parecem ter medo de causar sofrimento nos pequenos. E ao fazer isso, produzimos crianças ansiosas, estressadas e que podem se tornar tiranas.

Um dos primeiros erros acontece logo nas primeiras semanas de vida do bebê. O pequenino mal se mexe no berço e já estamos ali, prontos, para acolhê-lo. Se chora, já entramos em desespero para descobrir o que está acontecendo. Tenta-se de tudo: da troca de fraldas, passando pela mamada ao remedinho para cólicas. É uma loucura! A criança se acostuma a ser atendida ao primeiro incômodo. Tal comportamento dos pais informa ao bebê que, quando chorar, será atendido. Além disso, esse tipo de ansiedade dos pais ainda prejudica no desenvolvimento de um hábito noturno saudável. A criança não dorme direito e todos passam meses sem ter uma boa noite de sono.

Outro erro grave se dá quando o pequeno passa a acompanhar os pais às compras. Como está em desenvolvimento, é normal que a criança dê show para ganhar um brinquedo, um doce… Quando isso acontece, quase sempre os pais se perdem e atendem os filhos. Primeiro, dizem não. Aí a criança faz birra e consegue o que quer. Motivo? A criança sabe que, se chorar, os pais cedem. Eles sentem vergonha do “escândalo” e falta disposição para serem firmes – temem causar um trauma no baixinho. 

A molecadinha dá trabalho porque muita gente não sabe ser pai, não sabe ser mãe. Por não se preparar, a maioria falha no processo educativo. Além disso, os pais são ansiosos e inseguros. Falta confiança no método. Escuta-se uma coisa aqui, outra ali, o vizinho, a avó… mas não sabem exatamente o que fazer com o filho.

Sabe, se a criança foi devidamente alimentada antes de deitar à noite, está com as fraldas limpas, se não está doente… Enfim, se está tudo bem, deixar chorar por cinco ou dez minutos não faz mal nenhum. Pelo contrário, ajuda o bebê a entender que é hora de dormir. Além disso, após dois ou três meses, não há necessidade de uma mamada a cada duas horas durante a noite. Quem cria o hábito (errado) são os pais que não dão conta de administrar a própria ansiedade.

Bebês não são bolhas indefesas. Deixá-los chorar um pouco não é coisa de pais preguiçosos. Fazem parte das atitudes de pais que acompanham os filhos e entendem que a frustração leva ao aprendizado, que permite torná-los mais seguros. Crianças devem entender que nem sempre terão tudo, nem sempre serão atendidos prontamente. Seja na hora do sono, na compra do brinquedo ou até mesmo no horário das refeições (por sinal, criança tem que ter horário pra comer).

A origem do problema, como eu disse, é a ansiedade de pais despreparados, de pais que vivem nesse mundo tecnológico no qual tudo funciona por um clique, num mundo que tem remédio pra tudo. A maioria, antes de ter o primeiro filho, acha que quando falar “não”, o filho vai aceitar, não vai testar os limites; acha que o bebê aprende a dormir a noite inteira sozinho, não vai fazer manha, birra… E, se acontecer alguma coisa, é só procurar o médico, comprar um remedinho… Acontece que educação ainda se faz do jeito tradicional. Até existem estudos novos que ajudam, mas, para ensinar, é preciso se envolver, investir tempo e afeto, sem ter medo de conter os impulsos dos baixinhos e frustrá-los de vez em quando.

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