Pensar por si mesmo

pensar

Nada do que pensamos ou falamos é necessariamente nosso, original. Mesmo algo supostamente criativo surge como inspiração fora de nós. Por isso, é questionável dizer que nossas crenças são nossas, que aquilo que acreditamos é a verdade. Ainda assim, pensar é uma atividade que deveríamos praticar com mais frequência.

Na verdade, somos especialistas em pensar nos problemas. Ficamos remoendo as dificuldades. Visitamos as mágoas, o passado, os confrontos… E por vezes gastamos tempo recordando, revivendo. Também somos especialistas em fazer planos. Pensamos no programa de fim de semana, nas compras que faremos no shopping, nas coisas que precisam ser arrumadas em casa, naquela oferta interessante para compra de um celular novo…

Entretanto, quando investimos tempo para pensar em nós, em quem somos, o que queremos? Quando investimos tempo para refletir sobre nossas atitudes? Quando paramos para colocar em dúvida nossas verdades? Quando nos dispomos a pensar naquilo que os outros dizem – sejam eles os amigos, pastores, padres, jornalistas, comentaristas, professores etc etc?

Talvez um dos grandes equívocos cometidos por muitos de nós seja pensar com a cabeça dos outros. Acreditamos e reproduzimos as verdades de uma época. E elas estão aí… rondando nossos dias. Temos verdades sobre a felicidade, sobre o sexo, sobre casamento, sobre política, sobre futebol, sobre religião, sobre Deus… O que não faltam são discursos de verdade. E pior, muita gente norteia suas escolhas, suas vidas pelo que se diz ser o certo, ser a verdade.

Pensar por si mesmo não é tarefa fácil. É necessário se dispor a ouvir, se dispor conhecer o contraditório, entender quais as diferentes versões… E hoje há muitas informações, dados, opiniões, comentários. Tudo isso circula aos borbotões. Também não há tempo a perder. Estamos ocupados. Ocupados demais e, por isso, é mais fácil ir se apropriando de uma verdade aqui, outra ali… Como se estivéssemos fazendo compras diante de uma gôndola de supermercado. São verdades que deixaram pra nós. Verdades que preferimos assimilar como nossas. Abdicamos pelo outro do nosso direito de pensar.

O pensamento não é uma desculpa para confundir as coisas, nem uma disputa entre saberes. Pensar por si mesmo implica romper com preconceitos, com certezas, interrogar o que já se conhece e até o que parece ser novo. Pensar é sair da caverna, é conhecer o diferente, é testar, experimentar. Pensar é não se apressar por uma conclusão. Pensar não é para desocupados. É para quem quer ter uma identidade. É para quem quer aprender, quer compreender, quer viver.

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