Copa sem bola

futebol

Na minha Copa não tem bola. Nada de apito do árbitro, jogadas de efeito ou gritos de gol, gente gritando… Apenas algumas notícias, comentários e torcida.

Até gosto de futebol. Também acho bonito o espetáculo do Mundial de seleções. Porém, há muito tempo deixei de ter paciência para ficar duas horas diante da TV. O rádio ainda me atrai. Mas, no máximo, como acompanhante.

Deixar de assistir aos jogos não é uma opção política, ideológica. Não estou contra a seleção. Nem mesmo os problemas de organização, os desmandos dos governos na execução das obras me fariam torcer para dar tudo errado.

Entendo que o futebol tem encanto. Milhões são torcedores. E embora a seleção seja a CBF e não um país, as emoções se misturam e ver a equipe de Felipão como vitoriosa seria um presente para o povo brasileiro. Além disso, o custo da Copa já é alto demais para que o título fique nas mãos dos “adversários”. A gente não merece mais uma derrota.

O título é apenas simbólico. Não significa ganhos reais. Mas representa sorrisos, certa satisfação, orgulho… E a Copa acontece na nossa casa. Então não tem por que desejar que dê tudo errado. Se der errado, a CBF perde alguns milhões de dólares, a Dilma talvez siga sendo sufocada pela onda de mau humor… Entretanto, a entidade que comanda o futebol nacional continuará explorando a paixão nacional. E a máquina pública (inclusive o PT) seguirá seu rumo, como sempre aconteceu. Quanto ao povo? Também não terá perdas reais. Porém, verá escapar um título que poderia ser do futebol brasileiro. Ficará com o ônus da organização da Copa e terá reforçada a “síndrome de patinho feio”, por sequer ter dado conta de conquistar o hexa em casa.

Portanto, mesmo sem bola rolando na minha Copa, torço para que as coisas funcionem. E sem ver o futebol, dedico meu tempo ao trabalho, aos estudos… Acho que isso é ser patriota, sem ser inconsequente.  E sonho com um dia em que a gente, como povo, seja menos passional. Saiba separar as paixões do que realmente importa. E invista melhor o tempo que temos. Quem sabe a gente cresça de fato e não tenhamos mais que lamentar por desmandos como os vistos nessa Copa. Afinal, o que hoje gera revolta só é resultado de uma cultura indolente, imediatista, paternalista e de troca de favores.

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