Enquanto um sorri, o outro chora

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Ele sorria. Ela fingia sorrir. Estavam na mesma sala. Assistiam a mesma palestra, mas não prestavam atenção. Com smartphones nas mãos, estavam conectados nas redes sociais. Por ali, interagiam com amigos e também resolviam questões pessoais e profissionais. Enquanto ele comemorava a aprovação num concurso, ela se debatia com o fim do relacionamento. Enquanto ele mandava recadinhos para os amigos no Facebook e colocava a informação em destaque na rede, ela perguntava ao marido como iriam viver separados. Ele e ela, lado a lado, mas vivendo emoções distintas. Ele sorria, ela chorava.

Esse é o quadro da vida. Num mesmo espaço, num mesmo lugar, lado a lado podemos ter desejo de viver, desejo de morrer.

Cenas como essas fazem pensar no quanto a vida pode parecer injusta. Também fazem pensar nas máscaras que precisamos usar para seguir adiante. Sorrisos e lágrimas, prazer e dor são faces de uma mesma moeda, a vida. Parece injusto ter alguém do seu lado comemorando enquanto você chora. Mas é justo deixar de comemorar por que alguém está sofrendo?

Não há respostas. A vida é assim. Não é perfeita. E cada pessoa é única. Também são únicos seus problemas, seus sentimentos… As coisas não acontecem simultaneamente. Eu posso estar num ótimo momento profissional, meu irmão pode estar desempregado. Eu posso estar sofrendo uma derrota; alguém estará celebrando a vitória.

Esse descompasso entre os momentos que vivemos criam outros dilemas. Por vezes, não nos sentimos à vontade para dar parabéns a alguém que acabou de ganhar uma promoção, pois ali do lado um amigo foi demitido. Por vezes, nos sentimos desconfortáveis em celebrar a gravidez de uma amiga, quando outra teve um aborto. Podem dividir o mesmo espaço físico, mas não dividem as mesmas emoções.

Dor e prazer se vivem, mas também se camuflam. Ou não são vividos em sua intensidade. O mundo também não nos permite chorar. E comemorar demais às vezes parece inadequado. Entretanto, a alma que silencia alegrias e tristezas é uma alma vazia, que se esgota, que se individualiza ainda mais… Que se sente sozinha.

Lado a lado emoções distintas entre nós. Talvez isso nos ajude entender porque nem sempre encontramos alguém que comemore plenamente nossas vitórias. Nem achamos alguém que nos abrace e se disponha a tentar dividir nossa dor.

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