O que é melhor pra mim?

o_melhor

 

Olhar para si mesmo, conhecer limites e potencialidades, ter domínio sobre as emoções, identificar as próprias expectativas são coisas que deveríamos praticar com bastante frequência. E isso para que nossas escolhas tivessem mínimas chances de nos satisfazerem ao longo da vida. Quando nos conhecemos pouco, erramos mais. Saber sobre si e sobre o mundo reduz as probabilidades de “quebrarmos a cara”.

Entretanto, ainda assim não há garantias de que nossas decisões nos farão felizes. Não são raras as vezes que o que achamos ser o melhor, na verdade, tem potencial para arruinar nosso futuro, tirar nossa paz.

Muita gente decide por caprichos pessoais. Acha que sabe, acha que tem o controle da vida. Entende que se não fizer isso ou aquilo será infeliz. Esse tipo de equívoco é mais cometido pelos jovens – mas muitos adultos ainda possuem o ímpeto dos jovens e cometem erros infantis. Não desenvolveram experiência; entendem que são auto-suficientes. São afoitos, possuem visão unilateral, enxergam apenas o que está aparente. Não desenvolveram a habilidade de racionalizar, de se distanciarem das emoções a fim de reconhecê-las e notar quando estão enganando a si mesmos.

Essas pessoas fazem isso na escolha de uma profissão, na mudança de emprego… E até na hora de lutar por um amor. Sem se conhecerem, lutam pela felicidade e encontram angústia, lágrimas, culpa.

Mas nem todo mundo decide assim. Muitos de nós passamos semanas, meses e até anos para escolher, para mudar. A caminhada de reflexão se torna dura, penosa. São avaliadas todas as possibilidades. A pergunta que norteia é:

– O que é melhor pra mim?

Por vezes, considera-se inclusive o impacto na vida de pessoas próximas. Há uma preocupação em ser justo, em fazer o correto, em sentir-se bem. Teme-se o arrependimento. Teme-se o risco de se magoar e até magoar os outros.

Acontece que, por mais que procuremos ser sábios, não há garantias de que nossas escolhas nos farão felizes. Não temos controle pleno sobre a vida. Não somos totalmente donos do nosso destino. O que eu escolho afeta minha vida, mas também muda a dinâmica do ambiente onde estou. Além disso, acontecimentos externos exercem influência sobre o que experimentamos, fazemos ou sentimos. Ninguém dá conta de prever a felicidade nem de escrever a melhor história.

Nunca saberemos de fato o que é melhor para nós. Não dá para viver angustiado com isso. Não controlamos os resultados de nossas escolhas. Podemos ser infelizes, mesmo após fazermos o que nos parecia ser o certo.

E então… o que nos resta? Reconhecer nossos limites e até nossa ignorância. Nossa história é escrita com erros e acertos. É necessário aprender a conviver com isso. E sofrer menos, porque, nunca teremos tudo que sonhamos.

Nem todos nossos sonhos são os melhores sonhos. E, mesmo conhecendo nossa alma, nem sempre saberemos o que é melhor para nós.

Anúncios