Aceitar a perda

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Enquanto a gente vive, a gente perde. Sim, a gente perde coisas, perde oportunidades, perde pessoas. É doloroso perder. Gostamos mesmo é de acumular. Ou… negociar. Machuca perder. Muitas vezes, causa-nos até uma sensação de impotência. Faz-nos sentir fracos, incapazes, por não conseguirmos manter o que desejamos, sonhamos ou amamos.

Perder um ano de estudos machuca bastante. Significa fazer de novo, tentar de novo, correr riscos. Perder o emprego fere a auto-estima. Com bastante freqüência, não é algo que se esperava, que se desejava.

Perder uma oportunidade causa sofrimento, angústia, medo. Impossível não se sentir inseguro. Os pensamentos se tornam perturbadores. Vou ter outra oportunidade? Teria sido a única? Será que nada vai dar certo na minha vida?

E o que dizer da perda de alguém? Como entender o abandono da esposa que se foi? Como administrar a rejeição de um filho que não quer mais ficar na casa paterna? Como seguir adiante quando a morte bateu à porta e levou o seu marido?

Nunca é fácil. Não existem perdas sem dor. Algumas provocam feridas que persistem em sangrar. Porém, feridas cicatrizam. Cicatrizes permanecem, fazem lembrar as lágrimas… Mas é possível conviver com elas.

Quem perde, perde. Sofre, chora. Perder pode significar o fim de um ciclo. Mas é possível prosseguir, é possível recomeçar. E o recomeço passa pela aceitação. É preciso admitir que nada é nosso para sempre.

Quando a gente perde alguma coisa, uma oportunidade, ou a pessoa que tanto amamos, nossa reação é negar que aquilo está acontecendo ou aconteceu, é lamentar, por vezes, revoltar-se e até se deprimir. E isso é normal. Até necessário. É o que a Psicologia chama de período do luto. Entretanto, esse período também é pra reelaborarmos, ressignificarmos a perda e a própria existência. No entanto, isso só acontece quando aceitamos a perda.

Sim, temos que aceitá-la. O que tínhamos se foi, acabou. Não queríamos isso, não desejávamos. Talvez nossos sonhos, projetos, nosso “chão”… Talvez tudo pareça ter ido embora junto. Talvez fique uma sensação de fracasso, de vazio absoluto. Mas existe vida para além do que hoje é possível ver. E a vida recomeça quando a gente admite que acabou. Perdemos, pronto. Não há mais nada a fazer diante do que passou. Quando aceitamos isso, uma página em branco nos é estendida pelo Universo e podemos escrever uma outra história.

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