Ele não roubou minha carteira

carteiraSaí apressado de casa para comprar alguns pães. Optei por uma caminhadinha rápida. Já era noite e a rua é bastante escura. Ainda assim, não me preocupei. Carteira na mão… e lá vou eu. Andei alguns metros e notei um sujeito estranho. Fumava. E não era cigarro… Obrigatoriamente, passaria por ele. O rapaz não parecia ter pressa. Senti um friozinho na barriga. Já ouvi sobre alguns assaltos na região. Então tratei de esconder a carteira. O problema era a falta de bolso. Improvisei na blusa e me aproximei…

Quando fui passar pelo rapaz, ele olhou pra mim e disse:

– Ei, está andando na penumbra?

Falei qualquer coisa e fui logo passando. Mas a minha carteira caiu. E bem aos pés do sujeito. Quer dizer, eu que estava com medo de ser assaltado, “entregava” a carteira “de graça” para o camarada. Sequer tive tempo de esboçar alguma reação. Ele se abaixou, pegou a carteira, limpou e… me entregou.

Agradeci e segui em frente. Envergonhado, claro. Tinha acabado de levar um “tapa na cara” da vida. Havia julgado pela aparência.

Sabe, não estou dizendo que o mundo só tem pessoas boas. Nem que devemos andar descuidados pela rua. Não sei quem era o rapaz. Se era alguém honesto ou não. Porém, eu fui apressado em julgá-lo. Talvez por medo… Ainda assim, julguei.

A gente faz isso o tempo todo. Muitas vezes, as condições favorecem nossas conclusões. Tudo aponta para uma “verdade”. No meu caso, o fato de estar escuro, ter ouvido notícias sobre assaltos e mais a aparência do rapaz. Porém, com frequência, cometemos injustiças. Avaliamos de forma errada as pessoas. E até as rejeitamos, excluímos do convívio social.

Diariamente, devemos exercitar a dúvida. Duvidar do nosso olhar… Somos apressados demais em julgar, avaliar e tirar nossas conclusões. Sem pensar muito vamos logo dizendo que a pessoa é chata, sem-vergonha, falsa… A gente vê alguma coisa e acha que sabe o que está acontecendo ou aconteceu.

Para se aproximar do que é verdadeiro, é preciso conhecer. E conhecer depende de convivência, de contato, de relacionamento… Não é “de fora” que damos conta de dizer o que o outro é. Ou o que outro faz.

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