Pastor ou político? Nunca as duas coisas

pastor

O Tribunal Superior Eleitoral registrou, em comparação a 2010, um aumento de 40% no registro de candidaturas de pastores para as eleições deste ano. Pois é… Pelo menos, 270 pastores estão na disputa. Um deles, inclusive, o pastor Everaldo, concorre à presidência da República.

Sabe, talvez eu esteja errado. Talvez eu até mude de ideia com algum comentário… Ou, com o passar dos anos. Entretanto, embora seja cristão, eu não voto em pastor. Não concordo com a participação deles na política. Muito menos na disputa por cargos. Acho que membros de igreja, e até alguns líderes, podem participar do pleito, mobilizar-se por candidatos etc. Mas pastor, não dá.

Algo que me incomoda profundamente é o uso da condição de pastor na disputa. O sujeito tem uma relação de autoridade junto aos fieis. É respeitado, querido… Visto como uma pessoa de Deus. Muitas vezes, trata-se de alguém que mobiliza milhares de pessoas. Tem sob sua administração dezenas de outros pastores, presbíteros, diáconos etc. Toda essa estrutura acaba perdendo seu principal objetivo e servindo a um propósito político-eleitoral.

Para mim, igreja é igreja. É para tratar da espiritualidade das pessoas. É para cuidar das fragilidades, das dificuldades – inclusive emocionais. Pastor que se torna político rompe com os princípios bíblicos. A política pode ser um espaço para servir ao próximo, mas em nada se parece com o serviço pastoral. Os papéis são outros. Por isso, penso que o pastor que deseja ser político deveria renunciar a função de líder religioso.

E o pior problema, na minha opinião, é que pastor, quando eleito, torna a igreja um espaço político de mobilização de interesses que nem sempre são espirituais. Há pastores que manipulam os fieis, direcionando-os em defesa ou em oposição a determinadas ideologias políticas. E não é isso que a Bíblia apresenta como papel do cristão. Além disso, na política, alguns desses pastores passam a atuar em defesa de bandeiras moralistas, ignorando o bom senso e contrariando o que é de fato a real função do Estado (veja o caso de gente como o deputado Marco Feliciano).

Por fim, a maioria deles envergonha as religiões cristãs, cria uma imagem estereotipada do que é ser crente… Sem contar que contribui para a manutenção da ideia de que “crente é tudo igual”.

PS, Também há bispos e padres na disputa eleitoral. Mas, em comparação à última eleição, houve uma redução de 25% e 30%, respectivamente. Embora a igreja Católica seja muito maior no país, o número de bispos e padres candidatos, somados, não representa 30% dos pastores que estão na disputa. Ainda assim, penso que a reflexão sobre pastores-candidatos também é válida para o caso de bispos e padres que se rendem à sedução da política.

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