Na segunda, uma música

Caetano Veloso é simplesmente gênio. E nem o tempo o envelhece. O artista faz parte de uma geração que se envolvia com a vida política, debatia – e ainda debate – o jeito de viver da sociedade.

Esse comprometimento do artista com a arte, com a sociedade, é um comportamento cada vez mais raro. Aqueles que se dizem artistas hoje, muitos deles, estão alheios a tudo. Não entendem nada sobre os movimentos do mundo e são incapazes de contribuir com alguma reflexão. Geralmente, são alienados. Não saem do lugar-comum.

Mas, além de ser um sujeito politizado e engajado, Caetano também canta e provoca com sua música. E uma das canções que mais gosto é “Não enche“.

Me larga, não enche
Você não entende nada
E eu não vou te fazer entender
Me encara, de frente
É que você nunca quis ver
Não vai querer, nem vai ver

A canção parece falar de um amor desfeito. Uma despedida agressiva, cheia de xingamentos. Entretanto, será isso mesmo?

Minha energia é que
Mantém você suspensa no ar
Pra rua! se manda!
Sai do meu sangue
Sanguessuga
Que só sabe sugar
Pirata! Malandra!

A letra de “Não enche” permite diferentes leituras. A interpretação de Caetano produz sentidos que se dispersam… E cada um ouve a música do seu jeito.

E então, vamos ouvir?

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