Sustentabilidade: o Brasil precisa passar do discurso à prática

FOTO: LAURENT REBOURS (AP) - REPRODUÇÃO DE EL PAÍS
FOTO: LAURENT REBOURS (AP) – REPRODUÇÃO DE EL PAÍS

Quando o assunto é mobilidade urbana, o Brasil segue muito atrasado. O incentivo ao uso dos carros passa, inclusive, pelo próprio poder público. As cidades são pensadas para privilegiar os veículos. E, recentemente, durante a política de redução de impostos promovida pelo governo para não permitir o desaquecimento da economia, o setor automobilístico foi um dos mais beneficiados.

Enquanto isso, na Europa, os carros ganham status de vilões do meio ambiente. Todo projeto de sustentabilidade que se discute por lá prevê menos veículos nas ruas (por aqui, o povo briga quando são reduzidas vagas de estacionamento pra carro e ninguém luta por bicicletários). A França, por exemplo, está muito empenhada em fazer uma transição energética. Não se tratam de projetos pontuais, mas sim para toda a nação. O governo de François Hollande está determinado em viabilizar a proposta e já recebeu sinal verde do Legislativo francês para promover uma grande mudança no país.

A lei em discussão prevê medidas de curto, médio e longo prazo. A meta é tornar a França campeã ecológica na Europa até 2050. Entre as principais medidas estão incentivos para as empresas que motivarem os funcionários a usar bicicletas. Cada quilômetro rodado de magrela vira dinheiro no bolso do trabalhador. E a empresa ganha benefícios fiscais.

Além disso, as companhias com mais de 100 funcionários deverão apresentar um plano de transporte para sua equipe envolvendo transporte coletivo, carros compartilhados e uso das bicicletas.

Paris é a cidade mais empenhada no projeto. A capital ganha cada vez mais espaços para os veículos de duas rodas. Também estão sendo instaladas milhares de “tomadas” para atender veículos elétricos.

O francês que for trocar o carro a diesel por um elétrico também ganha uma espécie de prêmio – bônus. E o poder público também faz sua parte. Na renovação da frota, para cada dois veículos comprados, um deve ser elétrico.

Entretanto, o “pacote ecológico” não tem apenas medidas visando reduzir a poluição e melhorar o trânsito. Também saem de cena as sacolas plásticas descartáveis, os pratos e talheres do mesmo material. E como o objetivo é promover uma transição na matriz energética, edifícios devem ser reformados visando reduzir o consumo de energia de lâmpadas e equipamentos de ar condicionado. Quem for fazer a reforma, recebe incentivos fiscais e pode fazer empréstimos com juros subsidiados.

Coisa boa, né? Pois bem… É desse tipo de avanço que a gente precisa. No Brasil, um debate político sério também deveria contemplar projetos ambiciosos dessa natureza. Entretanto, por aqui, nossos supostos representantes ainda carecem de maturidade para fazer o enfrentamento de temas mais complexos. E a sociedade, por sua vez, está acomodada e é só quer saber de mudanças que, na verdade, não mudam nada.

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2 comentários em “Sustentabilidade: o Brasil precisa passar do discurso à prática

  1. São Paulo esta lutando por ciclovias na avenida Paulista,eu assinei o abaixo assinado.Também esta rodando um abaixo assinado para que qualquer dos presidenciáveis que for eleito se comprometa baixar os impostos das bicicletas que é caríssimo estou nessa com eles.Acho que o Parana,especialmente Maringá que se utiliza das bicicletas para exercício noturno,deve encabeçar um movimento.

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