De volta pro meu aconchego…

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Eu sempre me encanto com gente que tenta fazer diferente, viver de uma forma nova, ousada… Gente que contraria os padrões atuais. Na verdade, quando falo em “padrões atuais”, me refiro a um modo de vida. E, pelo menos no ocidente, pensamos a vida a partir de algumas premissas básicas. Entre elas, ter um bom emprego, um bom carro, casa boa, equipamentos elétricos e eletrônicos que minimizem nossos esforços…

Também somos facilmente pegos pelo discurso da qualidade de vida. Mas uma qualidade de vida que se confunde com a ideia de possibilidades de consumo. Ter qualidade de vida parece ser o mesmo que ter poder de compra. Então quem pode comprar o que deseja, vive bem e é feliz.

Dias atrás, inclusive, discutia com meu filho sobre esse assunto e ele sustentava a tese de que o desejo por ter coisas foi criado pelo capitalismo e não há como escapar disso. Nos argumentos dele, não dá para se sentir bem nessa sociedade se a gente não possui coisas, não goza a vida a partir de coisas que o dinheiro pode comprar.

E imagine a situação: se alguém conhecido troca de emprego para trabalhar menos horas por dia, mas ganhando metade do que ganha, o que dizemos dessa pessoa?

E se a pessoa deixa a cidade, o emprego, a casa boa e vai morar no campo? Sim, numa pequena propriedade, sem moradia, sem estrutura alguma?

Pois é. Pouca gente teria disposição de fazer isso. Parece loucura, né? Na cidade, trabalhar menos ganhando menos, parece coisa de quem é folgado. Deixar a cidade pra viver “no mato”, seria coisa de doido.

Entretanto, tem uns “doidos” por aí que estão abrindo mão da vida da cidade pela simplicidade do campo. Mais que isso, ao saírem do “conforto” da cidade estão ganhando saúde, paz, alegria.

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O espanhol Lucho Iglesias é uma dessas figuras. Há quase 15 anos, achou um cantinho perdido na beira de um rio, um pedaço de terra praticamente abandonado, tomado por laranjeiras e cana, e transformou esse espaço em um lar. Sem nenhum luxo. Tem construído tudo com as próprias mãos. Trabalha doze, treze horas por dia. Vive a utopia de uma harmonia com a natureza. E não troca seu cantinho por nada nesse mundo.

As cidades têm nos consumido, roubado nosso tempo, tirado nossa saúde, nos afastado das pessoas. Por isso, com 44 anos, Lucho diz que reúne ali na sua pequena propriedade todas as ferramentas para construir o seu paraíso. O espanhol e a esposa plantam a própria comida. Da terra, eles tiram amêndoas, damascos, peras, figos, azeitonas… Tem as laranjeiras, a cana…

Longe da loucura da cidade grande, o casal tem o que precisa para viver. E, firme em sua utopia, acredita que a busca por esse modo de vida deve crescer ao longo dos próximos anos. Para ele, esse é o jeito do homem viver de bem com a natureza e consigo mesmo. Estar na terra, portanto, seria uma forma do humano reencontrar suas origens.

PS – Lucho Iglesias produziu anos atrás um documentário no qual propõe uma reflexão sobre esse modo de vida.

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5 comentários em “De volta pro meu aconchego…

  1. É o movimento contrário. É contrariar o ritmo atual. E quando todo mundo for pro campo, pro litoral, pro seu cantinho… vai faltar canto. Ou o seu cantinho natural vira também cidade… o fato é que a idéia de felicidade e o conforto é sempre reinventado, afinal, satisfação só temos depois de mortos. Mas, muitos, aqui na “cidade” acho que já estão. Mortos e felizes rs
    grande abraço

  2. Li esse texto exatamente quando eu deveria ler, pois, neste exato momento, estou no sítio dos meus pais, buscando inspiração para escrever um artigo e analisando os prós e contras da minha vida louca em comparação com a vida “let it be” do pessoal aqui do sítio… Será que vale a pena? … aí, em meio a esse pequeno comentário, lembrei que esse tipo de reflexão não é nova em minha pequena cabecinha. Há alguns anos, pensando sobre isso, resolvi fazer uma brincadeirinha com as letras e escrevi esse pequeno (digamos assim) “poeminha humorístico” que fica de presente para você dar umas risadinhas Ronaldo:

    É um tal de Dotoievisky, Freud e Bakhtin
    ainda falta o inglês, o francês e o mandarim
    mas eu tenho fome, eu tenho sono, eu tenho sede!
    eu tenho amor, eu tenho dor, eu tenho rede!

    é um tal de Maingeneau, Piaget e Rousseau
    ainda tem o artigo, o relatório e o sumô
    mas eu quero cantar, eu quero dançar, eu quero alegria!
    eu quero viver, eu quero curtir, realizar fantasias…

    E o que fazer? se eu tenho de crescer?
    Mas será que vale a pena? se a vida é tão pequena?
    o jeito é pagar pra ver; quem vai ser o ganhador
    Se o vagabundo sonhador ou o astuto doutor.

    A gente não quer só livro. A gente não quer só arte.

    A gente quer comer, a gente quer viver, a gente quer. Party!

    Taynara Alcântara

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