Não existe remédio para as feridas do coração

dor

Tenho publicado vários textos sobre sofrimento. E quase sempre propondo pensar sobre o apego aos problemas. Sim, porque tem gente que parece gostar do sofrimento. Não é um gostar consciente, claro. Mas a pessoa não consegue aceitar que a vida tem dificuldades sim, situações de dor profunda e, em alguns momentos, não tem como mudar.

Quando alguém querido fica doente e não tem solução médica, a gente se sente impotente. Quando o marido abandona, a dor da perda é imensa… A pessoa se sente um lixo, o mais desprezível dos seres humanos. Quando o melhor amigo te trai e toma sua promoção, o coração fica em pedaços. Quando o chefe, pessoa em quem confiava, te assedia sexualmente, você sente suja, profundamente decepcionada e não sabe como vai voltar pro trabalho.

Eu poderia seguir listando situações difíceis aqui… Poderia apontar uma lista de perdas, decepções, traições… Ainda assim alguém poderia dizer que conhece um problema maior. E certamente seria maior, porque a dor que mais dói é a que dói na gente. A dor do vizinho, a gente não conhece.

Sabe, não existe remédio pra curar as feridas abertas no coração. Mas existem atitudes que nos ajudam a conviver com a dor. E a primeira e principal delas é a aceitação do sofrimento. Ainda ontem conversava com meu filho sobre um barulho no ouvido com o qual convive há mais de um ano. Não sabemos ao certo se foi pelo uso de fone de ouvido, mas apareceu e a medicina apontou que não tinha o que fazer. Eu lembro que ele se irritava demais, ficava furioso com o barulho. Com o tempo, aprendeu a conviver. Ele até brincou:

– Estou tão acostumado que, muitas vezes, esquece do barulhinho. Até tenho que procurar pra saber se ainda está aqui.

Na Bíblia, o apóstolo Paulo relata de um “espinho na carne”. A gente não sabe o que é. Ele diz que lutou com Deus pedindo para livrá-lo desse problema. Mas a resposta foi “não”. E o apóstolo diz que entendeu que a dor estava ali para lembrá-lo de suas fragilidades, da sua humanidade, para aperfeiçoar seu caráter, tornando-o mais humilde… Para lembra-lo da própria dependência do divino.

Eu costumo brincar que “aquilo que não tem solução, solucionado está”. Minha máxima de vida é: “não temos controle sobre tudo”. Tem problemas que a gente não resolve. Não tem o que fazer. E o que já passou, passou. Pode ter deixado sequelas, feridas… Pode ter tido o efeito de um tsunami na nossa vida. Mas não dá pra mudar. Não tem o que fazer. É aprender a conviver com o que restou. A gente tem que aceitar. Aceitar que a vida não é do jeito que se sonha, do que jeito que se idealiza… Não é do jeito que a gente quer. Quando aceitamos as dores, aprendemos a conviver com elas, seguimos em frente e temos mais chance de ser feliz.

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