O Facebook afeta as emoções

gatos

Ninguém está isento… Vez ou outra nos pegamos bisbilhotando a vida alheia no Facebook. É tudo tão fácil… Uma publicação puxa a outra, uma foto leva à outra. Quando percebemos, já estamos olhando conteúdos de gente que sequer conhecemos.

Por outro lado, as redes também potencializaram nosso lado exibicionista. Tem gente que deixa tudo documentado na rede. A carinha quando desperta, o lanche que come, o calçado que usa na festa, os livros que compra (que a gente nem sabe se a pessoa lê), as férias incríveis, a família perfeito do comercial de margarina…

Vários estudos já mostraram que temos a tendência de tentar sempre mostrar o melhor de nós. Também há um desejo, quase inconsciente, de busca da aprovação do outro.

Cortou o cabelo? Publica. E espera os elogios.
Fez um jantarzinho especial? Publica. E espera os elogios.

E a lista é interminável. Tudo que se deseja é receber curtidas, comentários. Claro, nos inibimos de publicar coisas menos populares. De modo geral, nossa natureza tem a tendência de divulgar conquistas. Quando a gente recebe uma promoção, tudo que se quer é contar pra alguém. Por outro lado, busca-se ocultar os desastres, os fracassos, as perdas.

Na verdade, a internet possibilitou que se amplificassem comportamentos que antes ficavam restritos ao grupo de amigos, de pessoas próximas. Entretanto, para alguns, isso não representou e nem representa apenas a reprodução, na rede, do que já se fazia fora dela.

Quando a gente conhece a pessoa, a gente se assusta… Porque a vida de alguns no Facebook é completamente diferente. Há uma diferença absurda entre o eu virtual e o eu real. O sujeito é tímido, incapaz de dizer uma palavra; na internet, é o mais extrovertido, falante e até paquerador… Sem contar aqueles que distorcem a imagem física, tentam se passar por mais bonitos do que são.

Acontece que as pessoas foram contaminadas pelo vírus da notoriedade. Se a pessoa não se mostra, a pessoa não tem vida. É necessário se mostrar para sentir que existe. Em alguns casos, chega a ser doentio. A pessoa se torna dependente de colocar a vida na web, mostrá-la, ser aplaudida pelo que faz.

A coisa é assustadora. Um estudo realizado recentemente por pesquisadores alemães revelou que as emoções são afetadas pelas publicações no Facebook. Se alguém tem êxito profissional e publiciza isso, muita gente sente inveja, se sente mal pelo sucesso alheio. E a inveja não para aí… Fotos de férias incríveis, por exemplo, geram ressentimentos. O número de felicitações no aniversário cria mal estar.

Sabe, eu me pego pensando… A gente deseja tanto ter liberdade e… Que liberdade é essa que nos torna reféns da rede? Quer dizer, o Facebook não tem culpa, mas a gente se torna refém do aplauso alheio. Nossas emoções estão presas, dependentes das curtidas, dos comentários, dos compartilhamentos. A gente quer publicar… E a gente se decepciona se a troca da foto de perfil passou despercebida.

Mas estar na rede não afeta apenas nossas emoções. Também prejudica a produtividade e o sono. É fato que estar conectado rouba tempo de trabalho e leva muitos a dormir menos. Sem contar que potencializa a fantasia, a fuga da realidade.

Bom, então devemos acabar com o Facebook, com a internet? Evidente que não. Só precisamos refletir sobre o modo como usamos, como nos afeta, como não nos tornarmos reféns. A rede tem sim seus benefícios. E muitos. Facilita o contato, aproxima… Garante acesso a conteúdos diversificados e democratiza o acesso e a produção de informações. É só saber usar.

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