Você conhece o outro lado da história?

falar mal

Certo repórter de uma tevê espanhola saiu às ruas para observar o comportamento de alguns mendigos. Escolheu um deles e lhe deu uma quantidade generosa de dinheiro. À distância, seguiu acompanhando o rapaz. Então o viu entrando num shopping e saindo de lá com uma bolsa grande, pesada. Rapidamente, concluiu que o mendigo tinha comprado coisas inúteis. Porém, resolveu continuar seguindo o sujeito. Não demorou para descobrir que a sacola, na verdade, estava repleta de marmitas. O pedinte comprou comida para dividir com outros que viviam numa área afastada da cidade. Envergonhado, o repórter se apresentou, desculpou-se e ainda descobriu que o mendigo já tinha tido uma vida boa, mas havia perdido tudo.

A atitude inicial do jornalista não é muito diferente do nosso comportamento rotineiro. É comum nos posicionarmos criticamente, até falarmos mal de pessoas, com base em fragmentos do dia a dia. No caso de pedintes, quantas vezes repetimos as frases:

Esse homem é jovem, forte, deveria trabalhar ao invés de mendigar;
Se eu der dinheiro, esse sujeito vai gastar com bebida, com drogas.

Em Maringá, por exemplo, a prefeitura fixou há alguns anos uma placa nos principais cruzamentos da cidade. A placa alerta “Não dê esmola!”. E os próximos dizeres explicam que dar dinheiro estimula o consumo de álcool e drogas. Eu não sei bem o que pensar sobre a campanha do município. Entendo que, de fato, muitos pedintes usam indevidamente o dinheiro. Mas serão todos? Sabemos por que estão nas ruas? Essas pessoas possuem família? Será que pedem por que gostam de pedir? Por que são preguiçosas? Por que vão gastar com drogas?

Quantas vezes jugamos pessoas como mal humoradas, como arrogantes, orgulhosas, grosseiras? A gente nem se questiona… Nem coloca nossas conclusões em xeque. Simplesmente, rotulamos. Vejo isso, inclusive, em sala de aula. Se o aluno vai mal, se anda distraído, é tido como desinteressado. Raramente paramos para pensar: será que a distração não sugere que está com algum problema? Será que o mau humor não está relacionado a algum mecanismo de defesa por uma história familiar complicada?

Sabe o que é mais curioso? Quando somos os alvos das críticas, sentimo-nos injustiçados. Ficamos chateados porque o colega não conseguiu entender o que estávamos sentindo, porque a esposa não soube compreender o nosso mau momento…

Na verdade, o mundo seria bem melhor se fossemos menos precipitados em julgar. O ideal, de verdade, é que sequer abríssemos a boca para falar dos outros. Penso que, antes que os outros mudem, a mudança deve partir de nós mesmos. E para isso, três atitudes simples podem ajudar bastante.

Primeira, manter o silêncio. Por mais que o assunto chame nossa atenção, manter a boca fechada é a melhor forma de evitar injustiças. E mesmo em pensamento, devemos evitar as conclusões, os julgamentos.

Segunda atitude, acolher. Se alguém que a gente gosta cometer um erro, certamente estará sendo criticado por várias pessoas. Muita gente vira as costas para quem erra. Eu costumo dizer que amor bom é amor prático. E acolher é uma das formas mais eficazes de demonstrar amor. “Você errou? Errou, mas eu estou aqui, porque você é importante pra mim”.

Terceira atitude, apoiar. Quem acolhe, apoia. Não apoia o erro, mas ajuda o amigo, estende a mão, auxilia a “tirar do buraco”. Podemos nos colocar à disposição, demonstrar interesse genuíno em ajudar. Se a pessoa sentir sinceridade em você, poderá compartilhar o problema contigo e você vai descobrir que atrás de um erro pode existir alguém com desejo genuíno de acertar.

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