O sofrimento é inevitável

problemas

Não é difícil observar o quanto gostamos de coisas que supostamente facilitam nossa vida. Meu filho, por exemplo, vive reclamando da falta de uma máquina de lavar louças. Diz ele que, assim que tiver dinheiro, vai comprar uma. E, concordo, trata-se de um aparelho doméstico que melhora a vida de quem está na cozinha. Lavar louça não é algo divertido.

Uma série de produtos promete tornar nossos dias melhores. E nos sentimos atraídos por eles. Quase sempre, a indústria nos seduz com a promessa de uma vida mais confortável.

Isso acontece porque queremos um pouco mais de conforto. E isso não é ruim. No entanto, essa busca de conforto não se dá apenas do ponto de vista prático, de tarefas que podem ser transferidas para máquinas, também desejamos uma zona de conforto emocional. Por isso, sempre que podemos, tentamos correr dos problemas. Entre terminar um relacionamento olhando nos olhos do outro e mandar uma mensagem dizendo que “não dá mais”, o que é mais fácil?

Pois é… A gente quer evitar os problemas. E, na verdade, pensamos que a felicidade consiste em estar sempre bem, sorrindo, alegre… Tudo igualzinho ao que sugere a publicidade – seja de xampu ou de carro novo. O problema é que essa imagem é distorcida, é falsa. Quando se busca o bem estar em qualquer aspecto, é necessário compreender que a felicidade não consiste em anular as emoções incômodos, mas sim aceitá-las e aprender a administrá-las.

Tenho dito que a dor é inevitável. Em alguns momentos, a vida se torna difícil. Enfrentamos perdas não esperadas, decisões de outras pessoas que nos afetam e que nos aparecem injustas, amigos nos decepcionam e também cometemos erros que, muitas vezes, resultam em dores, sofrimentos. Atravessar os momentos difíceis é viver a vida como ela é. É superar as fantasias dos filmes de Hollywood com finais felizes. Se agimos com as emoções da mesma maneira que fazemos com a dor física, corremos o risco de buscar o primeiro remédio que pareça aliviar nosso coração. Alguns se refugiam em ansiolíticos, outros na busca de emoções passageiras que não curam feridas.

As emoções “incômodas” tem um por que em nossa vida. A tristeza, a ira, o medo são emoções básicas com as quais nascem todos os mamíferos. Elas são processados em nosso sistema límbico e o motivo é muito simples: ajudam-nos a sobreviver. Se não sentíssemos medo, por exemplo, seríamos incapazes de fugir, de evitar situações que nos colocam em risco. Todas emoções têm um por quê. O professor de psicologia de Harvard, Daniel Gilbert, chega a dizer que só apreciamos as emoções boas porque existem as ruins. Ou seja, os momentos difíceis da vida fazem-nos valorizar as coisas boas, ansiar por elas. Na opinião dele, para apreciarmos as coisas necessitamos de contrastes e não os teríamos se vivêssemos bem 365 dias por ano.

Quando penso nos dias ruins, lembro do livro de um pastor e escritor maringaense que ganhou o sugestivo título “As coisas boas dos dias maus”. Por mais sofrimento que alguns dias possam nos trazer, o que aprendemos nos desertos da vida ou em situações que parecem nos sucumbir, não aprendemos nos momentos doces da vida. Por isso, temos que conviver com os momentos incômodos e com as emoções que não ganham espaço no marketing das empresas.

A felicidade não está na ausência da tristeza, do medo, da raiva, da decepção… Nem está na aquisição de objetos que tornam nossa vida mais cômoda. A felicidade está em saber aceitar os reveses da vida e encará-los como oportunidades de aprendermos com cada um deles.

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Um comentário em “O sofrimento é inevitável

  1. Sem dúvida. Mas nem sempre é fácil colocar em prática. Ou não é nem um pouco fácil. rs
    Sei que não disse, em nenhum momento, que seria.
    Às vezes precisamos até viver o momento, sem querer explicações “racionais”. Viver a dor, absorver a dor e …continuar vivendo.
    Bom descanso de carnaval, Ronaldo.

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