Amores descartáveis

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Por que os relacionamentos estão cada vez mais curtos? Há muitas respostas para essa pergunta. Ao longo do tempo que escrevo sobre esse assunto, apontei diferentes razões. Porém, há algo que nem sempre percebemos. Não se trata apenas de uma atitude diante da relação. É mais que isso. Trata-se de uma atitude diante da vida.

Durante quanto tempo a gente mantém um celular? E a televisão? O computador? Por quanto tempo usamos uma calça? E o carro? A armação do óculos?

Pois é… Não é difícil responder. O processo de substituição dos objetos acontece cada vez mais rápido. Não precisa parar de funcionar. Basta acharmos antiquado. Ou gostarmos de um modelo novo.

Alguns podem argumentar: “mas é assim que o mundo funciona”. Afinal, quem ainda quer manter sobre a mesa um monitor de computador do tipo “caixotão”? Diante das telas de LED, dos designs belíssimos oferecidos pela indústria, é impossível não desejar descartá-lo.

Ou seja, a troca é imperativa. Enjoou? Descarta, joga fora. Tem um modelo novo? Compra.

Mas e as pessoas? E os amores? Gente envelhece… Com o tempo, as pessoas vão ficando previsíveis. Nada mais parece surpreender. Logo, também parece imperativo “trocar de amor”. E é isso que temos feito. Pessoas deixaram de ser pessoas; tornaram-se objetos. Os outros são objetos pra nós. Nós somos objetos para os outros.

E de quem é a culpa? De todos e de ninguém. No passado, as pessoas resistiam fazer trocas – dava trabalho convencer que a vovó precisava de uma geladeira nova. As pessoas eram apegadas àquilo que possuíam. Hoje, a dinâmica social mudou. Estamos acostumados às trocas. Somos seduzidos pelas novidades. O novo parece sempre melhor. E, por isso, não é fácil resistir à tentação de trocar de parceiro. Até porque, do lado de fora da relação, sempre haverá alguém bem mais interessante.

Permanecer com a mesma pessoa por anos e anos é andar na contramão do mundo. Manter o compromisso de uma vida a dois “pra sempre” se tornou quase um ato de heroísmo. E talvez seja. Porém, ainda é possível. Mas apenas para aqueles que amam de maneira prática, que estão dispostos a viver o amor em sua dimensão transcendente… Doando-se, renovando-se… Aceitando, perdoando, tolerando…

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