Amores doentios

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Dias atrás, um amigo me disse:

Estou impressionado com o que a mente é capaz de fazer.

Ele falava de uma mente doente. E tratava especificamente dos sintomas de uma pessoa com depressão. A conversa me fez pensar nos relacionamentos, pois existem uniões que estão longe de ser tão somente problemáticas, conflitivas. Há relacionamentos que sofrem porque um dos parceiros é doente emocional. E essas doenças se revelam de diferentes maneiras.

Tem gente que está sempre esperando alguma coisa do parceiro. Em geral, essas pessoas querem que o outro satisfaça suas necessidades infantis não satisfeitas. Por não terem recebido amor, atenção, reconhecimento etc etc, essas pessoas se mantêm em estado permanente de insatisfação. São carentes e cobram demais o parceiro. Tudo se torna motivo para reclamação, lamento…

O grande problema nesse tipo de vínculo é que o quadro doentio geralmente é naturalizado. Ou seja, é visto como normal. O outro é quem parece estar em falta com o parceiro, é quem não está suprindo as necessidades. Por isso, não é simples que o casal tome consciência da situação e reconheça que se trata de uma situação que precisa de intervenção profissional.

Tem gente que não consegue expressar suas emoções. E ao não dar conta de dizer o que sente, silencia-se e o corpo padece. Sim, algumas doenças do corpo nascem na mente porque a pessoa tem dificuldade para administrar o relacionamento.

Tem gente que tem uma necessidade não realizada de autonomia. A pessoa não aprendeu a ter autonomia e, por isso, uma das partes assume o papel de protetor e cuidador. Assim surge um vínculo patológico de protetor-protegido. Se o “protegido” começa a tentar fazer coisas por si mesmo, a dinâmica do relacionamento entra em colapso.

Tem gente que é dependente emocional e parece desejar ser submisso. Alguém domina e o outro acata. Esta é uma relação muito difícil de mudar e os conflitos surgem quando o dependente descobre que está sendo vítima do parceiro.

Tem gente que ama demais hoje, e não ama amanhã. O sentimento da pessoa parece uma montanha russa. Funciona numa lógica ilógica: agora te quero, amanhã não quero, depois volto a querer… Há um jogo constante e doentio de sedução. E um dos dois se torna manipulador. A vítima sofre e, se não consegue romper a relação, torna-se dependente emocional.

Tem gente que precisa ser admirado. E cobra o reconhecimento do parceiro. O problema é que ninguém dá conta de paparicar o tempo todo. Relacionamento é troca. Mesmo nos palcos de teatro, onde um faz o show e o outro está ali como espectador, o artista não pode cobrar os aplausos. Numa relação não é diferente. Embora admirar o parceiro seja uma forma de alimentar o romance, de fazer bem ao coração, a necessidade angustiante de ser notado sempre é uma doença. E essa vontade de ser admirado, que provoca expectativas, ansiedade… se transforma num problema ainda maior quando o parceiro, que fazia o papel de admirador, é elogiado, ganha uma promoção, passa num concurso…

Sabe, há outras manifestações de relacionamento doentio. Porém, o que posso dizer é que em todos eles, existe muita dor, sofrimento… E se o casal não buscar ajuda, as coisas não vão terminar bem.

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3 comentários em “Amores doentios

  1. Muito bom. O mais intrigante dessa coleta é o quanto relacionamentos ensinam. Ou não. Há quem viva uma vida inteira repetindo padrões em relacionamentos diferentes.

  2. Depois que os filhos ficam adultos e abandonam o “ninho”, as mulheres sem experiência, que se casaram muito jovens, sem ter aproveitado a sua mocidade, ou que casaram com algum marido excessivamente mais velho…

    Tendo cumprido a sua missão de se reproduzir, e tendo passado de uma inexperiente adolescente para uma poderosa mulher, no esplendor da sua sexualidade; trocariam o velho marido por algum amante jovem…
    A menos que o compreensivo marido de tantas jornadas permita que a sua companheira possa desfrutar as delicias do sexo com outro homem…
    Sem que isso cause ciúmes, brigas, ou represálias

    Pois como nada na vida é grátis (e ou pagamos para continuar tendo algo que gostamos, ou teremos que pagar o preço de perder o que gostamos)…
    O marido bem mais velho terá que se contentar em agir como pai da sua linda esposa, ou pagar o preço de perder-lá; sendo que atualmente já não existe mais a obrigação de ter que manter as aparências.

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