Para que servem tantos partidos políticos?

O Tribunal Superior Eleitoral aprovou a criação do 35o partido brasileiro. Após ter o apoio de 501 mil eleitores, foi aprovado o registro do Partido da Mulher Brasileira. Esta é a 35a legenda partidária em nosso país.

O Partido da Mulher Brasileira não faz restrição à participação de homens. Na verdade, de acordo com o manifesto e o programa partidário, qualquer pessoa pode filiar-se. E a sigla já poderá lançar candidatos a prefeitos e a vereadores no próximo ano.

Sabe, eu não tenho nada contra o novo partido… Até porque trata-se de uma sigla que surge com a proposta de representar a mulher brasileira. E a bandeira é justa. O Brasil é um país machista. A política é feita em sua maioria por homens. A lógica que impera é de dominação do homem na sociedade. Logo, é certo a mulher ser tratada como igual.

Porém, o que questiono é a quantidade de partidos que temos. Você sabia que passavam de 30 o número de partidos? Eu tinha ideia… Mas não conhecia o número exato.

O Brasil tem partido demais. E ideologia de menos. Partidos são criados por aqui sem responsabilidade alguma. Não existem programas políticos claros. Por isso mesmo, os eleitores votam em pessoas; não votam em partidos. Alguns até têm certa simpatia por essa ou aquela legenda. Porém, com exceção dos militantes petistas de anos atrás, poucos são os eleitores que dizem “voto no partido tal”.

Numa eleição para prefeito, por exemplo, o que menos vale é a sigla do candidato. Você escolhe a pessoa. A sigla pela qual ela se candidatou não faz diferença alguma na escolha. Em Maringá, por exemplo, o ex-prefeito Silvio Barros venceu as eleições duas vezes pelo Partido Progressista, o PP. No ano que vem, o atual secretário do governo Beto Richa deve ser candidato pelo PHS. Silvio mudou de partido, mas certamente suas posições políticas são as mesmas de anos atrás.

Na maioria dos países desenvolvidos, existem dois, três ou quatro partidos fortes. E os eleitores sabem o que defendem os políticos ligados a essas siglas. Pelo partido, você sabe se o candidato tem um olhar mais voltado para as questões sociais ou de valorização da infra-estrutura de uma cidade, por exemplo.

Então para que servem tantos partidos no Brasil? Basicamente para servir moeda de troca para políticos profissionais. Tem político que controla dois, três partidos. Tem político que, dono de uma sigla, mesmo sem chance de vencer eleição, negocia participação em futuros governos. Basta olhar para qualquer prefeitura, qualquer estado brasileiro ou mesmo para o governo federal… Você vai notar que o Executivo é fatiado entre um monte de gente que barganhou espaço numa determinada aliança partidária.

Ter um partido nas mãos é ter tempo de rádio e televisão. Ter um partido nas mãos não significa ter uma causa pela qual lutar… Significa, muitas vezes, ter uma ferramenta estratégica na busca por poder.

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Cinco meses depois, ainda não foram punidos responsáveis por massacre de professores

No dia 29 de abril deste ano, assistimos cenas que achávamos impossíveis de acontecer. Professores paranaenses foram massacrados em Curitiba. Pelo menos duas centenas de pessoas saíram feridas da chamada “Batalha do Centro Cívico”.

Na ocasião, os professores protestavam contra medidas propostas pelo governador Beto Richa e que seriam votadas na Assembleia Legislativa. Para garantir que os deputados votassem, sem sofrer a pressão dos professores, uma grande operação policial foi montada. O governo do Paraná convocou policiais de várias cidades. E reforçada, a PM recebeu os professores em Curitiba como se educadores fossem terroristas. Sim, profissionais da Educação foram tratados como ameaças.

Além dos professores apanharem da polícia, os projetos do governador foram aprovados e, pior, a administração Beto Richa lavou as mãos… Apenas responsabilizou a Polícia Militar pelo que foi considerado um abuso.

Dentro da polícia, foi aberto um inquérito para apurar os tais abusos. Hoje, cinco meses depois do massacre, sabemos que ainda nada aconteceu. O governo segue seu rumo, não reconheceu que errou e nem assumiu suas responsabilidades… Já os policiais que estavam no comando da operação, e que foram tidos pelo Ministério Público como responsáveis por aquela operação e pela execução da ação policial, esses servidores estão em plena atividade na PM.

Uma reportagem publicada hoje pela Gazeta do Povo mostra, inclusive, que o comandante daquela Operação está numa posição ainda melhor dentro da polícia. “Hoje, ele ocupa o terceiro cargo mais importante da corporação, a chefia do Estado Maior.”

Para se ter uma ideia, quem organizou a repressão aos professores hoje dá aulas no Curso de Formação de Oficiais. E o que ele ensina? Segundo a Gazeta do Povo, ensina, inclusive, técnicas de repressão.

Pois é… Hoje eu não tenho uma conclusão a apresentar neste meu comentário. Apenas quero lamentar. Afinal, num país que se diz democrático, ainda vemos que existem opressores e oprimidos.

Qual o futuro da Operação Lava-jato?

A semana terminou com uma decisão judicial que pode mudar os rumos da Operação Lava-jato. O Supremo Tribunal Federal retirou do juiz Sérgio Moro novos casos que venham ser investigados. Na verdade, não há mudanças no rumo das investigações atuais. O que está em xeque são as novas investigações.

Como tudo na vida, a decisão do Supremo tem prós e contras. Pesa a favor o fato de que uma investigação dessa proporção não deve ficar nas mãos de uma única pessoa. É muito poder a um juiz só. Por mais que Sérgio Moro venha desempenhando com dignidade seu papel, estamos falando de um caso que envolve dezenas de pessoas e milhões de reais. Há muito em jogo.

A quantidade de procedimentos judiciais também é imensa. O desgaste é grande. E isso poderia comprometer as investigações. É justo dividir o trabalho. Também não parece correto um único juízo a respeito do tema.

Porém, pesa contra a decisão do Supremo o fato de a proposta ter surgido do ministro Dias Toffoli, que até anos atrás foi advogado do PT. O ministro Dias Toffoli, quando advogado, tem histórico honrado. Porém, sua ligação com o partido da presidente Dilma e de muitos envolvidos na Lava-Jato coloca sua iniciativa sob suspeita. Fosse outro ministro, o questionamento seria menor.

É impossível não questionar: por que essa decisão agora? Por que partiu do ministro que foi advogado do PT? Teria algum interesse em fragilizar as investigações?

Do ponto de vista jurídico, existem também aspectos bastante negativos. Ao desmembrar os processos, corre-se o risco de produzir processos órfãos, que podem fracassar.

A Lava-jato, embora envolva muita gente, políticos e empreiteiros, investiga o que pode ser considerada uma organização criminosa. Desmembrar processos pode significar desconsiderar a existência de uma grande organização por trás dos desvios de recursos da Petrobras.

Enfim, é com esse cenário que começamos a semana. Não temos incertezas apenas em relação ao futuro político e econômico. Até mesmo as investigações da Lava-Jato agora estão incertas.

Enquanto Dilma demora para tomar decisões, o país sofre

A presidente Dilma embarcou nessa quinta-feira para os Estados Unidos. Ela foi participar da Assembleia Geral das Nações Unidas. E como houve um impasse nas negociações com o PMDB, Dilma viajou sem definir a reforma ministerial. Adiou para semana que vem.

Gente, não é birra com a presidente. Mas às vezes tenho a impressão que ela está alienada de tudo, que não consegue ver o tamanho da encrenca em que está metida… Como ela pode viajar no meio de uma confusão danada, com dólar em disparada, com o país precisando de respostas urgentes?

Eu entendo que, na política, é preciso prudência, cautela. Mas o histórico da presidente mostra que ela não resolve, perde tempo demais.

Negociações, de fato, são demoradas. Porém, se as coisas não estão dando certo, é preciso avaliar quais são as prioridades. E a prioridade neste momento é salvar o país.

O dólar nessa quinta-feira recuou para R$ 3,99. Porém, a moeda americana segue sob forte pressão. A queda de ontem ocorreu após ter sido cotada a R$ 4,20. E só caiu em função das declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Ele afirmou que as reservas internacionais brasileiras podem ser usadas para segurar o dólar. A fala de Alexandre Tombini foi bem avaliada pelo mercado e o dólar recuou. Mas não há nenhuma garantia que não volte a subir. Até porque, até o momento, não existem medidas concretas.

Ou seja, é com esse cenário que a presidente viajou para os Estados Unidos e adiou a reforma ministerial. E sabe o que é pior? O imbróglio envolvendo o PMDB ocorre, entre outros motivos, por conta de trapalhadas. O governo oferece o ministério pra um, depois cogita entregar para outro… Isso tudo vai criando desconforto, descontentamento e ameaças de rupturas. Falta objetividade ao governo Dilma. Falta assertividade. E enquanto isso, a gente assiste a tudo, pagando uma conta que não deveria ser nossa.

A disparada do dólar e a incompetência do governo

O dólar bateu a casa dos 4 reais nessa terça-feira. Nesta quarta-feira, 23, já chegou a R$ 4,15. Um recorde histórico. E não há nada pra comemorar nisso.

Pelo menos, no final da tarde, após o Congresso sinalizar que pode votar as medidas de ajuste fiscal, a cotação da moeda americana caiu um pouco.

Eu não sou economista… E não vou falar aqui sobre o que significa essa cotação histórica do dólar para a economia do país. Quero falar um pouco sobre o que isso politicamente…

Nessa terça-feira, pudemos notar que o governo do PT não existe. Quer dizer, até existe. Mas não governo. O governo do PT desgoverna. E está levando o país para o fundo do poço. O problema é que ninguém tem ideia de quão fundo é esse poço.

Oposição e Congresso também são responsáveis pela total instabilidade econômica. A lógica do quanto pior melhor usada pela oposição tem dado certo. A economia está se esfacelando. E se o governo Dilma é incompetente, oposição e Congresso tornam a incompetência ainda mais evidente. Dilma não sabe negociar. E o PT não tem humildade pra reconhecer seus erros, muito menos para achar que podem existir ideias melhores, soluções melhores fora do PT.

Acontece que Dilma e seu time não são capazes de salvar o país. Estamos num estado que só um milagre parece colocar o país no rumo.

O governo é incompetente, a economia está com sérios problemas, o Congresso não age com responsabilidade e os brasileiros não toleram mais os erros de Dilma. É uma combinação bomba de fatores.

A saída para o Brasil passa hoje por dois caminhos: a queda de Dilma e seu time ou a disposição de lideranças políticas e empresariais de salvar o governo.

O fim da obrigatoriedade do extintor no carro: fomos feitos de bobo

Vi algumas ironias circulando no Facebook por conta do fim da obrigatoriedade do extintor no veículo.

Sem ter como mudar a realidade, as pessoas ficam irritadas, e com razão, pelas idas e vindas de órgãos governamentais.

Até meses atrás, discutíamos, inclusive na imprensa, que o modelo de extintor estava mudando… Era preciso gastar um bocado para trocar o equipamento… E agora, por decisão do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), o motorista brasileiro não precisa mais ter um extintor no carro. O equipamento passa a ser opcional.

Vamos tentar entender melhor essa questão…

Em primeiro lugar, a obrigatoriedade do extintor era uma dessas coisas que a gente costuma dizer que só acontece no Brasil. Claro, não é só coisa do nosso país. Porém, países como Estados Unidos, Alemanha, Suécia e Japão não obrigam os proprietários a manterem o equipamento no carro. Ele, de fato, é desnecessário. Uma pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Engenharia Automotiva mostrou que dos 2 milhões de sinistros em veículos cobertos por seguros, 800 tiveram incêndio como causa. Desse total, apenas 24 informaram que usaram o extintor, isso é o equivalente a 3%.

Quase ninguém usa extintor em caso de incêndio. E, pior, a gente não tem treinamento para fazer uso do equipamento. Chega ser arriscado tentar apagar incêndio de um carro com um desses extintores.

O que a gente não consegue entender é por que só agora o Contran decidiu pôr fim a obrigatoriedade. Essas informações, que compartilho aqui, são de conhecimento do Conselho Nacional de Trânsito. O que torna a situação ainda mais irônica é que, no ano passado, o Contran havia mudado as regras, defendia o novo extintor e impunha a troca do extintor por um modelo mais caro.

Sabe o que parece? Parece que no Brasil tudo é feito de maneira amadora, improvisada. Falta responsabilidade com o cidadão.Ou será que existem outros interesses em jogo?

E nós, cidadãos, precisamos discutir essas coisas. Tem um monte de regras, de exigências que não fazem sentido. A informação sobre a não obrigatoriedade dos extintores em outros país é uma informação acessível… E por que nada aconteceu quando houve a exigência de trocarmos o equipamento?

De verdade, acho que está na hora de não aceitarmos mais sermos tratados como bobos da corte.

O (des)governo Beto Richa

Os problemas em Brasília têm sido tantos que criam uma cortina de fumaça. A coisa anda tão complicada por lá que gente não enxerga que, aqui no Paraná, o governo Beto Richa tem transferido para a população os erros que cometeu na gestão das finanças do Estado.

Desde que foi reeleito, Beto Richa já mexeu na previdência dos servidores estaduais, aumentou impostos – até da comida… E, nesta semana, entregou à Assembleia Legislativa um pacote de medidas que mais uma vez transfere a conta para o cidadão.

Entre as medidas propostas pelo governador está o fim da isenção de crédito de ICMS para transporte de carga. Quem vai pagar a conta? As empresas. Que, por sua vez, sempre repassam a conta para o cidadão.

Beto Richa também está mudando as regras para quem compra pela internet. Se você comprar um produto de uma loja virtual de São Paulo, por exemplo, você poderá ter que pagar a diferença do ICMS. Para quem não sabe, as alíquotas nem sempre são as mesmas nos estados. O ICMS de um livro no Paraná pode ser diferente do ICMS cobrado do mesmo livro em Minas Gerais, no Rio de Janeiro… Essa diferença, o governo do Paraná vai querer receber. E se a loja não pagar a diferença, o cliente, que é aqui do estado, poderá ser cobrado por isso.

Mas as medidas anunciadas pelo governo vão além… De novo, o Paraná vai tirar dinheiro do fundo de previdência dos servidores estaduais e transferir para o caixa do Estado. Isso já vem acontecendo por meio da chamada taxação dos inativos.

E, como a disposição do governo Beto Richa é grande para levantar dinheiro, ele também propôs um mecanismo que vai permitir que o Estado venda ações da Copel e da Sanepar sem precisar consultar os deputados. Isso mesmo: o governo está propondo que, quando quiser vender um pedaço da Copel ou da Sanepar, vai poder fazer isso sem consultar ninguém.

Ou seja, são medidas duras, que vão recair sobre a população e, pior, vão ser aprovadas. Os deputados paranaenses fazem tudo que o governo quer. A Assembleia Legislativa do Paraná é submissa. E, sem sofrer grandes questionamentos da imprensa paranaense e nem da própria população (que só tem visto o desastre do governo Dilma), o governo vai aprovar o quiser e nós vamos pagar mais essa conta.

E sabe o que é mais irônico nessa história toda? Ainda nessa quarta-feira, 16, estava vendo o governador Beto Richa criticar o governo Dilma pelo aumento da CPMF. Lembrei daquele ditado popular… “é o sujo falando do mal lavado”.

E assim caminha a política brasileira.

Ps. Comentário desta quinta-feira, 17, feito na Metropolitana FM Maringá. 

Brasil: um doente terminal

Um doente diagnosticado como paciente terminal. Foi assim que o jornal britânico Financial Times classificou o Brasil numa reportagem publicada nesse fim de semana.
Ainda comparando o Brasil a um doente, o jornal definiu:

“os rins têm falhado; o coração vai parar em breve. A economia está uma bagunça”.

Segundo o Financial Times, diante de todo ambiente desfavorável, o sofrimento do Brasil está apenas no começo.

Sim, a economia do Brasil está uma bagunça. O pragmatismo do atual ministro da Fazenda, Joaquim Levy, parece não combinar com o governo Dilma, com o jeito petista de administrar. Não há sintonia. Joaquim Levy parece estar sozinho… E, pior, por ser técnico demais, o ministro não dá conta de agir politicamente, de saber se articular dentro de um governo que não quer fechar as torneiras. O ministro também tem sido infeliz ao se pronunciar publicamente.

Diante de cenário tão confuso, chama atenção o editorial da Folha de São Paulo desse domingo. O título resume tudo: última chance. Sim, a presidente Dilma talvez tenha alguns poucos dias para provar que pode concluir o mandato.

O jornal repete algo que eu disse na Metrô FM na semana passada: a presidente Dilma errou demais. Nas palavras do jornal, Dilma abusou do direito de errar. Desde que venceu as eleições, a presidente esgotou as poucas reservas de paciência que a população ainda tinha.

Para a Folha, se quiser salvar o mandato, Dilma precisa impor medidas extremas e apresentá-las ao Congresso. A Folha reconhece: sem aumento de impostos, o Brasil não escapa. E o Congresso, por sua vez, precisa deixar de futrica, de fazer politicagem e ajudar a salvar o país.

Cá com meus botões, é disso que eu duvido. Não confio na capacidade da presidente reagir, não consigo vê-la sequer em sintonia com sua equipe econômica. E confio ainda menos no Congresso. Comandado por Eduardo Cunha, na Câmara, e Renan Calheiros, no Senado, a lógica que impera por ali parece ser do “quanto pior, melhor”. E, por isso, sem boa vontade de ajudar o governo petista, o caminho parece ser mesmo o que aponta o Financial Times… Logo o coração vai parar.

PS. Este foi o meu comentário na Metrô 96.5 FM nesta segunda-feira, 14.