A fé é tudo que precisamos?

A fé é a crença no invisível. E justamente por acreditar em algo ou em alguém que não pode ser tocado, as pessoas se movem em diferentes direções. Por vezes, guiam suas vidas pela fé.

A fé pode ser motivadora, transformadora. Pode gerar esperança. Fazer sonhar com um mundo que não temos hoje.

Porém, a mesma fé que dá sentido à vida é aquela que tem potencial para gerar engano, distração e alienar.

Uma das críticas mais contundentes de Nietzsche está justamente relacionada a esse comportamento: a crença naquilo que não se vê, com frequência, nos impede de amar o mundo que temos. E, deixando de amar a vida como ela é, muitos abrem mão de atuar como artistas da própria existência.

Por ser cristão, vejo constantemente pessoas que, com os olhos no invisível, são displicentes com o presente. A fé torna-se uma espécie de muleta, que as impede de ser agentes do destino.

Essas pessoas ainda não entenderam o que é viver e qual o nosso papel no aqui e agora. A fé que nos faz “ver” o invisível, desejar o imprevisível, não pode ser a mesma que faz estacionar, que impede ações concretas, que buscam a construção de uma vida melhor, de um mundo melhor.

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