Para que serve a escola?

Existe um descompasso entre qual deveria ser o papel da escola e qual ela cumpre.

Na sociedade capitalista, a escola não tem função libertadora. Embora muito seja falado sobre humanização, respeito, formação para a vida, na prática, o Estado e o mercado possuem outras expectativas. E isso se reflete na proposta pedagógica, já que as estruturas condicionam o sistema educacional.

O movimento recente no Brasil promovido pelo Escola Sem Partido apenas reafirma esse propósito: tornar a escola um espaço desprovido de reflexão, debate, questionamento. O que se espera da escola, na visão desse movimento e de boa parte da elite econômica, é que prepare as pessoas para o mercado de trabalho. Formar mão de obra, este é o objetivo.

Na Europa, autoridades ligadas à educação têm verbalizado ao longo dos anos que espera-se da educação que seja capaz de aumentar as taxas de crescimento econômico e ajude os países na competição com parceiros europeus.

Essa mentalidade não é diferente noutros países capitalistas. No Brasil, inclusive. Aqui, o único problema é que nem para isso Estado e mercado conseguem ser competentes. Falham inclusive na formação do homem-máquina.

Essa forma de pensar é dominante. Para a maioria dos estudantes – e dos pais -, educação é porta de entrada para o mercado. Acredita-se que seja uma passagem para o crescimento/desenvolvimento profissional. Mede-se inclusive a qualidade da escola pelos índices de aprovação em vestibulares, etc – nunca pelos valores éticos.

Qual o problema dessa forma de pensar? A educação torna-se um lugar de reafirmação dos valores do capital. Não promove a liberdade das pessoas. As pessoas se tornam reféns do consumo, do desejo de consumir, de trabalhar para ganhar, ganhar para consumir. E deixam efetivamente de viver. Tornam-se máquinas. Trabalham horas e horas diariamente, sacrificam família, filhos… tudo por roupas melhores, carros melhores, celulares melhores…

Está errado desejar (e lutar por) uma vida mais confortável? Não! Mas essa não pode ser a medida de todas as coisas. Temos perdido a humanidade, a capacidade de nos relacionarmos. A ética tem sido relativizada. A saúde é preterida em nome da produtividade. Parece-me que educação deveria ser bem mais que isso.

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