Quem quer sentir-se seguro?

Queremos segurança, mas o que temos? Apenas vislumbres, ilusões de segurança. Na prática, experimentamos crises e tensões contínuas, não temos controle algum do meio em que vivemos… O cenário é caótico. E em todos os setores.

Esse grau de insegurança é tão grande que atinge inclusive pontos fundamentais da nossa existência. Por exemplo, eu trabalho há 29 anos. No entanto, não tenho a menor ideia se vou me aposentar daqui 20, 25, 30 anos.

É difícil prever o que vai acontecer conosco em alguns poucos meses; mais difícil ainda é traçar expectativas de médio e longo prazos.

Sem controle algum da situação, temos tentado calcular e minimizar os riscos. Por isso, investimos em planos de saúde, fazemos poupança, pagamos previdência privada, compramos imóveis… Instalamos softwares em computadores, smartphones para que dados não sejam roubados… São estratégias nossas, numa busca quase desesperada para sobreviver a esse cenário.

Investimos nossos ganhos para reduzir as incertezas. E, ao fazermos isso, alimentamos um mercado que se sustenta justamente com o nosso medo.

Bauman avalia esse cenário falando da existência de um “capital do medo”. Ele não fala de um lugar, de uma cidade… Faz referência ao lucro. É como se dissesse que existe uma indústria do medo.

Existem vários segmentos que lucram milhões de dólares em virtude do nosso medo. Eu já mencionei alguns… Porém, o segmento de segurança é talvez o exemplo mais visível. Gastamos com seguros residenciais, de automóveis… Colocamos grades em nossas casas, cerca elétrica, câmeras de vigilância, blindamos veículos, instalamos alarmes… Empresas contratam seguranças…

A arquitetura é guiada pelo medo. As residências e edifícios são projetados para criar a falsa sensação de segurança. Temos criado fortalezas urbanas. Cada vez mais, surgem condomínios fechados.

Há milhares de tecnologias voltadas para a segurança – inclusive com o uso de inteligência artificial. A promessa de sempre é proteger os usuários em todos os campos – patrimonial, pessoal, dados etc.

A insegurança alimenta o mercado. Mas também a política se beneficia do medo. O discurso político geralmente transita por esse campo prometendo mais policiamento, viaturas, monitoramento das cidades por meio de câmeras… Prometem mudança nas leis… E quem parece ter a melhor proposta, ganha a simpatia do eleitorado. Tudo jogo de cena.

Diante disso que mencionei, alguém ainda acha que teremos respostas efetivas para pôr fim as causas de nossas inseguranças, de nossos medos?

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