A escola deve transmitir valores

Nos últimos anos, ganhou força, principalmente no Ensino Médio, a ideia de que a escola deve focar no conteúdo. Estudar, estudar, estudar. E estudar pra quê? Pra passar no vestibular, ter excelente nota no Enem… Enfim, garantir uma vaga na universidade.
A proposta não é de toda ruim. Afinal, quem não quer ver o filho numa excelente faculdade?

Porém, a geração atual é carente de outras experiências. Experiências que muitos de nós, que já passamos dos 40 anos, tivemos a oportunidade de vivenciar. Seja pelas brincadeiras com os amigos, o cuidado dos irmãos mais novos, a presença dos pais – inclusive de forma disciplinar… Ou mesmo o trabalho já na adolescência.

Além disso, a própria escola proporcionava uma experiência agregadora. A gente estudava, mas também brincava, participava de campeonatos interclasses, não existiam graves problemas disciplinares… Eu recordo que, no meu colégio, cheguei a cultivar uma horta com um grupo de amigos. Ou seja, a gente não vivia sob a pressão de garantir uma vaga na universidade. Sem contar que todas essas outras vivências e relações nos permitiam uma maturidade que não encontramos entre os meninos e meninas de hoje.

Hoje, nossa moçadinha tem uma vida completamente diferente. E, embora possuam um preparo escolar bastante significativo (além de todas habilidades tecnológicas), são carentes de experiências afetivas, éticas, morais. Falta aos adolescentes valores como empatia, cooperação, liderança, cautela, tolerância… Na prática, se a escola não tiver uma proposta pedagógica que contemple estratégias para que eles desenvolvam habilidades sócio-emocionais, não haverá outro lugar para isso ocorra.

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3 comentários em “A escola deve transmitir valores

  1. Ótimo texto Ronaldo, trabalho na educação pública e percebo em muitos alunos uma base moral bem pobre, até bem mais que a base programática defasada e os métodos de ensino do século 19 propostos por alguns professores. Novos alunos exigem uma evolução estrutural na escola e não um retrocesso a função tradicional ou cientificista de outras épocas. Quando escuto o discurso pobre de quem defende a “Escola sem partido”, ou melhor melhor “Escola com meu partido”, dá pra sentir que a ignorância e a falta de empatia estão até nos cargos mais altos do país, e que essa base moral pobre, não está em falta só nos adolescentes dos tempos atuais.

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