Investimentos caem nas universidades federais; custo-aluno é de R$ 6 mil/ano

No Brasil, alguns setores são prioridade apenas no discurso. A educação é um dos principais exemplos. A educação brasileira carece de atenção em todos os níveis – da educação infantil ao ensino superior e pós-graduação.

Um levantamento bastante completo realizado pelo G1 nas universidades federais reforçou a convicção de que as políticas educacionais são uma grande falácia.

Nos últimos cinco anos, o investimento nas 63 instituições federais caiu 28,5%. Enquanto em 2013, foram aplicados cerca de 8 bilhões e 700 milhões de reais, neste ano, o orçamento previsto é de pouco mais de 6 bilhões.

Embora o dinheiro esteja encolhendo, mais vagas estão sendo abertas. O número de alunos cresceu 10% entre 2012 e 2016. No total, as universidades federais recebem 1 milhão e 72 mil estudantes.

Os cortes nos investimentos afetam as universidades de várias maneiras. As bolsas estudantis estão congeladas. Também ocorreram cortes nas contas de água e luz, serviços de limpeza, vigilância, corte de grama e manutenção dos prédios. As obras, construções e reformas foram reduzidas. E até os recursos para os restaurantes universitários foram afetados. Pelos menos os salários dos professores estão sendo preservados.

Particularmente, entendo que as universidades nem sempre fazem boa gestão dos recursos. Não há necessidade de motorista para transportar reitor, chefes de departamento etc. Também é possível otimizar as despesas de viagens e até de manutenção.

Porém, diferente do argumento privatista de alguns segmentos, o estudante brasileiro em uma universidade pública não custa caro ao Estado. Se fizermos as contas, dos 6 bilhões aplicados em 1 milhão de estudantes, temos exatos 6 mil reais por aluno – pouco mais que o custo de um dia de serviço de um deputado federal (eles custam 2 milhões de reais por ano aos cofres públicos; isso dá cerca de 5,5 mil reais/dia). Cada aluno universitário custa 500 reais por mês à União. Não é muito dinheiro.

Portanto, chega a ser criminoso tirar dinheiro da educação.

Podcast da Band News. 

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Cresce o número de idosos empregados, mas ainda são o menor grupo entre ocupados

O envelhecimento da população tem motivado, no Brasil, um fenômeno que já vem ocorrendo em países desenvolvidos: a presença cada vez maior de idosos no mercado de trabalho.

Ainda existem preconceitos e até mesmo dificuldade de conseguir um novo emprego quando se tem mais de 50, 55 anos. Porém, segundo o levantamento do Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, os trabalhadores mais idosos correspondem, atualmente, a 7,8% do total de pessoas ocupadas no país.

É fato que os idosos são o grupo com menor participação entre os trabalhadores que têm um emprego. Porém, em 2012, eles representavam apenas 6,3% da população empregada.

Conforme o Ipea, o comércio é o setor que mais tem absorvido os idosos, 17%; 15% estão na agricultura e 10% no setor de serviços relacionados à educação e saúde.

Outro dado interessante é o aumento do nível de escolaridade dos idosos empregados. Embora 67% deles tenham apenas o ensino fundamental incompleto, a fatia daqueles com escolaridade média ou superior cresceu de 20%, em 2012, para 25% em 2018.

Na prática, esses números apontam que a presença de idosos no mercado de trabalho será cada vez maior nos próximos anos. E isso também reforça a necessidade de se pensar políticas de valorização e cuidado com esse profissional.

Afinal, muitos idosos lutam pela manutenção de um emprego não necessariamente pela satisfação pessoal, mas por uma questão de sobrevivência. As dificuldades de se aposentar ou mesmo de uma renda digna nessa fase da vida, por vezes, os obrigam a buscar um trabalho – ainda que em condições pouco favoráveis.

Foto: Veja

Podcast da Band News

Os ricos do mundo estão mais ricos

Um dos temas que, para mim, está entre os mais relevantes é a desigualdade social. Não sou contra o capitalismo. Defendo a propriedade privada. Mas tenho dificuldade para aceitar a lógica criminosa de ganho acentuado de alguns poucos em oposição ao empobrecimento da maioria.

No Brasil, enquanto os mais ricos ficaram mais ricos nos últimos anos, os pobres ficaram mais pobres. E, no mundo, isso também tem acontecido.

O relatório produzido pela Boston Consultig Group mostrou que os milionários controlam metade da riqueza pessoal do planeta. Essas riquezas atingiram quase 202 trilhões de dólares no ano passado. O aumento foi de 12% em relação ao ano de 2016. Foi o crescimento mais significativo, o maior crescimento dos últimos cinco anos.

De acordo com esse relatório, a riqueza pessoal está cada vez mais concentrada nas mãos de algumas poucas pessoas. Os milionários e bilionários já possuem quase metade de toda riqueza pessoal do planeta.

Curiosamente, o relatório mostra que, aos poucos, tem ocorrido uma espécie de transferência dessa riqueza. O dinheiro parece escapar das mãos dos mais pobres. Esse dinheiro vai para o bolso dos mais ricos.

Como mudar isso? Na verdade, por mais que se critique o Estado, a maneira eficaz de promover distribuição mais justa é por meio de políticas públicas. Ou seja, é o reconhecimento político da necessidade de atuar em favor dos mais pobres que pode reduzir a desigualdade e distribuir os ganhos de forma minimamente equilibrada.

Podcast da Band News. 

Morte de professora reforça necessidade de maior controle de população de rua

Talvez eu esteja sendo repetitivo… Porém, o assassinato da professora Kaka, em Maringá, reforça a necessidade de um olhar mais atento à população de rua. Maria Aparecida Carnelossi Pacífico foi morta no sábado, na casa dela, enquanto dormia. Suspeita-se que os assassinos sejam moradores de rua.

Tenho dito que ignorar a relação que existe entre o aumento da população de rua e a violência é se omitir diante de um problema grave, que afeta toda a população.

Morador de rua não é necessariamente bandido. Mas vários estudos mostram que quase 40% desse público são dependentes químicos. E pesquisas também mostram que pessoas sob efeito de drogas perdem parcialmente a capacidade de agir com bom senso. Princípios éticos e morais são atropelados. A necessidade de acesso às drogas também motiva furtos e assaltos.

Ainda nesse último domingo, um amigo da minha filha, um garoto de 17 anos, apanhou de dois moradores de rua que tentaram assaltá-lo. O rapazinho está com rosto machucado e algumas partes do corpo doloridas.

Entendo que o poder público não deve adotar uma política higienista. Mas é fundamental manter uma postura ostensiva. Moradores de rua precisam diariamente ser abordados, observados, revistados… Os pertences deles devem ser verificados. Há necessidade de ver se carregam algum tipo de arma, drogas, objetos de furtos…

A prefeitura tem que saber quem são esses moradores, seus nomes, suas histórias… Identificar onde dormiram hoje e onde vão pernoitar amanhã… Se já participaram de algum programa de reabilitação, se têm ficha policial, se possuem família na cidade, se têm interesse em algum curso profissionalizante…

Essa abordagem tem que ser sistemática. Isso mostra controle. Mostra que a cidade tem comando.

Se isso não for feito, nenhum programa de atendimento à população de rua será eficaz e muito menos o combate à violência terá sucesso.

O descaso do governo com a PR 323

Tenho sustentado que o Estado é co-responsável por vários acidentes que acontecem em certas rodovias. Na PR 323, por exemplo. A rodovia que liga Maringá a Guairá sofre com o descaso do governo do Paraná.

O fluxo de veículos é altíssimo. A quantidade de caminhões que trafega pela rodovia é muito grande, mas a pista é simples, com poucas faixas para ultrapassagens e a conservação é péssima.

Desde que Cida Borguetti assumiu o governo do Estado, algumas medidas foram anunciadas para melhorias da rodovia – inclusive recuperação da malha asfáltica em alguns quilômetros e duplicação do trecho Paiçandu-Doutor Camargo.

Porém, essas medidas estão muito longe de resolver os problemas enfrentados pelos motoristas. Trafegar por essa rodovia é desgastante, cansativo, estressante e o perigo é constante.

Realizar toda a duplicação da rodovia é, de fato, um desafio para o Estado. Não há caixa para isso. Como no Brasil não existem políticas de médio e longo prazos, rodovias como a PR 323 ficam abandonadas por anos. Ganham apenas melhorias pontuais na malha asfáltica. Não existem programas constantes de duplicação, ampliação de faixas… Nada disso acontece.

Logo, torna-se impossível realizar uma obra tão grande de uma única vez. Exatamente por isso, e em virtude da necessidade de resposta urgente, devemos considerar a concessão da rodovia para a iniciativa privada como a melhor saída.

É preferível pagar pedágio e trafegar por uma pista duplicada e segura.

Por ser um ano eleitoral, como cidadãos, devemos observar se entre as propostas dos candidatos, teremos compromissos sérios para resolução desse grave problema.

Foto: Gazeta do Povo

 

Operadoras querem acabar com internet ilimitada

As operadoras de telecomunicações seguem empenhadas em mudar o sistema de cobrança pelos serviços de internet. Atualmente, na casa da gente – ou na empresa -, a gente paga pela velocidade. Você pode ter uma banda larga de 15GB de velocidade, de 30GB, 50GB, 100GB… Isso não limita a quantidade de dados usados. Você pode acordar pela manhã, ligar a televisão no Netflix e passar o dia vendo séries e filmes. Seu filho pode abrir o Youtube e assistir quantos vídeos quiser…

As operadoras querem acabar com isso. Insistem em pôr fim à internet ilimitada. Desejam um modelo semelhante ao que temos nos celulares. Passaríamos a comprar um pacote de dados. Na prática, dependendo do uso, podemos ficar sem internet na metade do mês.

A alegação das operadoras é que uma internet sem limite de dados causa algum tipo de escassez na rede.

O argumento é uma enganação. Na prática, as operadoras querem um sistema que permita cobrar mais dos usuários e ter um controle no fluxo de dados, pois quanto mais usamos a internet, mais investimentos são necessários para manter o funcionamento estável da rede.

A internet tem uma lógica diferente de outros serviços que compramos. Por exemplo, a água tratada é um bem limitado. Quanto mais usamos, mais problemas de abastecimento podemos ter, pois há um limite no fornecimento de água.

Veja o que acontece com a internet… Quando você assiste um vídeo no Youtube, você esgota o vídeo? Faz diferença uma pessoa assistir ou 100 milhões assistirem? Não. O vídeo continuará na rede.

O que faz diferença então?

Se você tem 10GB de internet em casa e uma só pessoa está usando a rede, a qualidade de conexão é uma… Se dez pessoas usam simultaneamente seu wifi, a qualidade de conexão cai. Mas o que está no Netflix, no Facebook… as informações não deixam de existir na rede por conta do número de pessoas que acessa.

Ou seja, o que faz diferença é o número de pessoas que assiste simultaneamente. Isso pode afetar a velocidade de reprodução. Por isso, não faz sentido as operadoras limitarem o uso de dados. O sistema precisa permanecer sendo o controle da velocidade.

E por que trato disso por aqui? Porque estamos em ano eleitoral. E este é um assunto que PRECISA estar na pauta dos candidatos. A gente tem que saber o que eles pensam a respeito da legislação que trata da internet. Nos Estados Unidos, a vitória do Donald Trump significou o fim da chamada neutralidade da rede. Quer dizer, quem a gente eleger pode ter um projeto diferente do que gostaríamos para a internet.

Este assunto não é de menor importância. Faz parte do nosso cotidiano, das nossas necessidades diárias. Deve estar na pauta de nossas preocupações.

As contradições da previdência social

Pensar o futuro do Brasil passa por discutir uma efetiva reforma do sistema previdenciário. O modelo que temos é falho. E deficitário. O primeiro problema é que juntamos no mesmo sistema assistência e aposentadoria. Por exemplo, uma pessoa, que sofre um acidente de trabalho e fica seis meses de licença médica, recebe mensalmente um valor que assegura sua subsistência. Isso é mais que justo. Porém, esse benefício sai do caixa da previdência. É preciso repensar isso.

Mas o problema mais grave da Previdência Social é a lógica sem lógica das aposentadorias de alguns setores. Numa entrevista concedida ao El País, o economista Eduardo Gianetti classificou o sistema previdenciário como um sistema de castas. E concordo com ele.

O benefício médio de aposentadoria do INSS, para o cidadão comum, é de 1.300 reais. No Executivo federal, esse valor sobe para 7.000 reais por mês. No Legislativo, são 16.000 reais por mês. No Judiciário, são 27.000 reais por mês. De média.

Na prática, isso faz com que o déficit previdenciário gerado por 4 milhões e 200 mil aposentados do setor público seja do tamanho do déficit causado pelos 29 milhões do INSS.

Ou seja, qualquer proposta de Reforma da Previdência que ignore essas contradições será falha e, provavelmente, vai penalizar ainda mais o trabalhador comum, da iniciativa privada, que ganha menos que três ou quatro salários mínimos.

Políticas de atendimento aos moradores de rua

Defendi e defendo uma política mais ostensiva para reduzir o número de moradores de rua. Em Maringá e noutras cidades do Brasil, mais que um problema social, a presença dessas pessoas nas ruas também representa um risco à segurança.

O poder público em nossa cidade tem falhado no enfrentamento dessa realidade.
Contudo, tem gente que questiona esse posicionamento. Primeiro, afirma que agir de forma mais ostensiva para reduzir os moradores de rua significa ausência de sensibilidade social. Segundo, tem também quem alega que o aumento da população de rua é culpa do (des)governo Michel Temer que teria ampliado os bolsões de miséria.

Posso assegurar que tenho sensibilidade social e reconheço que o (des)governo Temer tem potencializado a miséria no país. Contudo, ficar achando culpados não resolve o problema.

A gente precisa agir. E em duas frentes. A primeira, no reconhecimento das causas que levam às pessoas pras ruas. Com isso, desenvolver políticas de tratamento de dependentes químicos, inserção em cursos profissionalizantes e apoio às famílias. Mas a segunda frente é de caráter imediato. Trata-se da presença efetiva do poder público nas ruas. Ação de abordagem, levantamento de dados, investigação de antecedentes criminais… Isso precisa ser feito todos os dias. Quem mora nas ruas precisa sentir-se vigiado, monitorado. Eu disse e volto a repetir: as pessoas precisam perceber que a cidade tem comando.

Hoje, observa-se nitidamente que a ausência de políticas ostensivas motiva o crescimento da população de rua. Eles migram inclusive de outras cidades. Tá tudo muito fácil.

Essas pessoas que moram nas ruas devem ser estimuladas a deixar essa condição de vida, ainda que para isso, inicialmente, sintam-se pressionadas.