As contradições da previdência social

Pensar o futuro do Brasil passa por discutir uma efetiva reforma do sistema previdenciário. O modelo que temos é falho. E deficitário. O primeiro problema é que juntamos no mesmo sistema assistência e aposentadoria. Por exemplo, uma pessoa, que sofre um acidente de trabalho e fica seis meses de licença médica, recebe mensalmente um valor que assegura sua subsistência. Isso é mais que justo. Porém, esse benefício sai do caixa da previdência. É preciso repensar isso.

Mas o problema mais grave da Previdência Social é a lógica sem lógica das aposentadorias de alguns setores. Numa entrevista concedida ao El País, o economista Eduardo Gianetti classificou o sistema previdenciário como um sistema de castas. E concordo com ele.

O benefício médio de aposentadoria do INSS, para o cidadão comum, é de 1.300 reais. No Executivo federal, esse valor sobe para 7.000 reais por mês. No Legislativo, são 16.000 reais por mês. No Judiciário, são 27.000 reais por mês. De média.

Na prática, isso faz com que o déficit previdenciário gerado por 4 milhões e 200 mil aposentados do setor público seja do tamanho do déficit causado pelos 29 milhões do INSS.

Ou seja, qualquer proposta de Reforma da Previdência que ignore essas contradições será falha e, provavelmente, vai penalizar ainda mais o trabalhador comum, da iniciativa privada, que ganha menos que três ou quatro salários mínimos.

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