Operadoras querem acabar com internet ilimitada

As operadoras de telecomunicações seguem empenhadas em mudar o sistema de cobrança pelos serviços de internet. Atualmente, na casa da gente – ou na empresa -, a gente paga pela velocidade. Você pode ter uma banda larga de 15GB de velocidade, de 30GB, 50GB, 100GB… Isso não limita a quantidade de dados usados. Você pode acordar pela manhã, ligar a televisão no Netflix e passar o dia vendo séries e filmes. Seu filho pode abrir o Youtube e assistir quantos vídeos quiser…

As operadoras querem acabar com isso. Insistem em pôr fim à internet ilimitada. Desejam um modelo semelhante ao que temos nos celulares. Passaríamos a comprar um pacote de dados. Na prática, dependendo do uso, podemos ficar sem internet na metade do mês.

A alegação das operadoras é que uma internet sem limite de dados causa algum tipo de escassez na rede.

O argumento é uma enganação. Na prática, as operadoras querem um sistema que permita cobrar mais dos usuários e ter um controle no fluxo de dados, pois quanto mais usamos a internet, mais investimentos são necessários para manter o funcionamento estável da rede.

A internet tem uma lógica diferente de outros serviços que compramos. Por exemplo, a água tratada é um bem limitado. Quanto mais usamos, mais problemas de abastecimento podemos ter, pois há um limite no fornecimento de água.

Veja o que acontece com a internet… Quando você assiste um vídeo no Youtube, você esgota o vídeo? Faz diferença uma pessoa assistir ou 100 milhões assistirem? Não. O vídeo continuará na rede.

O que faz diferença então?

Se você tem 10GB de internet em casa e uma só pessoa está usando a rede, a qualidade de conexão é uma… Se dez pessoas usam simultaneamente seu wifi, a qualidade de conexão cai. Mas o que está no Netflix, no Facebook… as informações não deixam de existir na rede por conta do número de pessoas que acessa.

Ou seja, o que faz diferença é o número de pessoas que assiste simultaneamente. Isso pode afetar a velocidade de reprodução. Por isso, não faz sentido as operadoras limitarem o uso de dados. O sistema precisa permanecer sendo o controle da velocidade.

E por que trato disso por aqui? Porque estamos em ano eleitoral. E este é um assunto que PRECISA estar na pauta dos candidatos. A gente tem que saber o que eles pensam a respeito da legislação que trata da internet. Nos Estados Unidos, a vitória do Donald Trump significou o fim da chamada neutralidade da rede. Quer dizer, quem a gente eleger pode ter um projeto diferente do que gostaríamos para a internet.

Este assunto não é de menor importância. Faz parte do nosso cotidiano, das nossas necessidades diárias. Deve estar na pauta de nossas preocupações.

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