População global consome tudo que a Terra produz em apenas 7 meses

Desde os anos 1970, uma organização internacional mede qual é o nosso consumo de recursos naturais a cada ano. E faz isso comparando ao que a natureza nos oferece nesse mesmo período. É como se a natureza fosse o agente de crédito e nós fossemos os consumidores desse crédito.

Quando essa medição começou, a humanidade consumiu todos os recursos naturais até o dia 29 de dezembro. Na época, esgotamos os recursos dois dias antes do fim do ano.

Mas o tempo passou, a população mundial cresceu e nosso desejo por consumo disparou. Neste ano de 2018, consumimos até o diaprimeiro de agosto, tudo que o planeta nos oferece para viver em equilíbrio com a natureza. Vamos viver em débito os próximos cinco meses. Isso significa que durante mais de 150 dias estaremos destruindo nossa casa.

É como se estivéssemos entrando no cheque especial, gastando o que não temos… E, detalhe, gastando o que não teremos condições de pagar depois.

Mas, afinal, o que estamos consumindo além dos limites no planeta? Valérie Gramond do Wild World Fund afirma que até amanhã teremos utilizado todas as árvores, toda a água, o solo fértil e os peixes que a Terra pode fornecer em um ano.

Também teremos emitido mais dióxido de carbono do que as florestas podem absorver.

Sim, a humanidade está destruindo sua casa. E como essa destruição é silenciosa, nem sempre observável, a gente segue consumindo muito, desperdiçando muito e preservando pouco.

Ainda usando a metáfora financeira, na prática, a gente não diminui o ritmo de gastos, não economiza.

A ganância por ganhos e, por outro lado, a ilusão da compra de bens e serviços tem levado à humanidade a pensar apenas no aqui e agora. Com isso, as condições de vida na Terra vão se tornando cada vez menos sustentáveis.

Anúncios

Fake news: as pessoas acreditam no que querem acreditar

Nos últimos meses, várias agências de checagem de notícias foram criadas. Ainda hoje pela manhã, li sobre o lançamento de uma nova agência, ligada a um dos maiores grupos de comunicação do país. A proposta é investigar se são fatos ou fakes algumas notícias que circulam na rede.

Esse movimento me parece bastante relevante. A quantidade de notícias falsas é assustadora. Mas o que mais me preocupa é o comportamento das pessoas.

Ainda dias atrás, uma jovem que conheço, pessoa que considero, debateu comigo a respeito de uma informação que outra colega havia compartilhado. Eu argumentei, com base numa agência de checagem de informações, que a notícia era falsa. Ela rebateu questionando os interesses da agência. Em outras palavras, colocou em dúvida a agência e, de alguma forma, sustentou que a notícia, que eu entendo como falsa, era verdadeira.

Enfim… É justamente isso que me preocupa. Tenho a impressão que, quando algumas pessoas tomam um conteúdo como verdadeiro, nem mesmo a checagem de sua veracidade é suficiente para desmenti-lo. As pessoas acreditam no que querem acreditar. E aí usam como argumento qualquer coisa, inclusive ideias de conspiração.

Alguns candidatos e políticos fazem isso (Donald Trump é um “belo” exemplo). Movimentos como o MBL, idem. Quando são confrontados, quando a gente diz: “é mentira o que vocês estão dizendo”, preferem desqualificar as fontes de informação e até rebatem dizendo que a checagem é que é falsa.

Isso só reforça a certeza que o problema na qualidade da informação na rede, nos grupos de whatsapp, vai para além dos interesses envolvidos, da superficialidade ou mesmo da pressa em passar uma informação adiante; o problema está na qualidade da formação cultural das pessoas ou, em alguns casos, até mesmo na ausência de ética e caráter.

As coisas que importam…

As coisas que realmente importam geralmente são aquelas que exigem mais de nós. Brincar com o filho depois de um dia de trabalho requer esforço, renúncia. É mais fácil sentar-se diante da TV ou simplesmente se ocupar de uma tarefa ou outra de casa ou até da empresa.

Na verdade, o exemplo ilustra todas as outras situações que valem a pena ser vividas. Uma caminhada com sua filha no parque ou ficar na cama descansando? Um piquenique com a esposa no parque ou um restaurante fast-food? Dias e dias debruçados sobre os livros ou assistir uma série atrás da outra no Netflix?

Sim, as coisas que mais importam pedem dedicação, tempo, energia. Mas são essas que fazem a diferença na vida, que produzem boas memórias e, com o tempo, saudade.

População envelhece e o futuro é cada vez mais incerto

Um estudo divulgado esta semana pelo IBGE confirmou o que já vem se falando há bastante tempo: o Brasil está envelhecendo. Atualmente, 9% da população são idosos; em 2060, cerca de 25,5% das pessoas terão mais de 65 anos. Detalhe, já em 2039, deveremos ter mais pessoas idosas do que crianças de até 14 anos.

Os dados do IBGE, divulgados no estudo Projeção de População, mostram que o país tem, hoje, uma população de 208 milhões de habitantes. E seguirá crescendo até 2047, quando deveremos chegar a 233 milhões. Porém, depois desse ano, a tendência é de queda. Em 2060, deveremos ser cerca de 228 milhões.

Outro número me chamou atenção: as pessoas consideradas dependentes – aquelas que têm menos de 15 anos e mais de 65 – representam, atualmente, 44% da população; em 2060, serão 67,2%. Na prática, 32,8% da população será responsável por cuidar dos outros 67,2%. 

Esses números mostram para aqueles que ainda estão em fase produtiva – ou seja, pessoas que ainda estão trabalhando -, que olhar para o futuro e se preparar para ele é fundamental.

A primeira grande questão é: se o número de dependentes (crianças e velhos) será maior que aquelas que cuidam, que podem amparar, auxiliar, apoiar, levar pro médico etc etc, os dependentes vão representar um grande peso para a população adulta. Não vai ser fácil. Teremos menos gente com condições de cuidar do que gente precisando ser cuidada.

Outra questão – e que está relacionada com a primeira -, teremos bem menos contribuintes da Previdência. Logo, pensar estratégias para a aposentadoria futura é fundamental. Não vai dar pra contar com o Estado provedor e nem com familiares, pois estarão sobrecarregados. Ter uma boa aposentadoria será garantia de qualidade de vida e até mesmo de amparo – ainda que por instituições especializadas no cuidado de idosos.

E terceiro ponto, idosos precisam de um sistema de saúde especializado, eficiente. Mais velhos significa mais demandas na saúde. Se hoje o sistema público já é falho, imagina só com mais demandas. Isso indica a necessidade de ter bons planos de saúde, que também deverão ficar cada vez mais caros. Ou seja, na prática, os velhos pobres estarão condenados – caso nada comece a ser feito agora.

Percebe por que as eleições presidenciais se tornam cada vez mais estratégicas para o país? O futuro é incerto, amigos. 

Facebook desativa páginas de fake news

O Facebook retirou do ar quase 200 páginas e 87 contas foram desativadas. Muitas delas estavam ligadas ao MBL, Movimento Brasil Livre.

Essas páginas saíram do ar porque, segundo o Facebook, tratava-se de uma rede coordenada que se ocultava com o uso de contas falsas no Facebook, e escondia das pessoas a natureza e a origem de seu conteúdo com o propósito de gerar divisão e espalhar desinformação. Ou seja, essas páginas espalhavam fake news.

Assim que li a notícia completa, comemorei. Comemorei porque as redes sociais têm servido de suporte para a divulgação de conteúdo duvidoso e muita gente tem formado opinião e até tomado decisões tendo como base mentiras espalhadas na internet.

Foi assim no Reino Unido, que culminou com a saída da União Europeia; foi assim com a eleição de Donald Trump, ele mesmo um especialista em mentiras no Twitter.

O MBL não gostou nenhum pouco da ação do Facebook. Alegou que se trata de censura. Vi várias pessoas comentando na rede e concordando com essa tese.

Não, gente, não se trata de censura.

Censura é um ato de repressão, de impedimento na divulgação de fatos concretos. Quando alguém tem uma informação e é proibida de divulgá-la, temos censura. Mentiras ou conteúdos duvidosos, se são impedidos de serem divulgados, o que temos efetivamente é prudência, cautela. Poderíamos até dizer que se trata de um ato ético, responsável.

Pense comigo: se você ouviu dizer algo ruim sobre uma pessoa, mas não tem certeza daquilo, qual é a atitude correta? Espalhar o que ouviu ou silenciar-se para não ser injusto?

Tirar do ar páginas que constantemente divulgavam notícias falsas é sim um ato de prudência, de respeito ao público, que nem sempre tem condições de checar a veracidade do conteúdo.

E, por fim, há um outro aspecto que o MBL e seus apoiadores parecem ignorar: o Facebook não é um órgão de comunicação, não é imprensa. O Facebook é um site que permite o relacionamento entre pessoas, e entre pessoas e empresas. O Facebook não produz conteúdo. O negócio do Facebook não é produção ou divulgação de notícias.

O Facebook não foi criado com o propósito de que as pessoas entrassem ali para consumir notícias. Isso a gente faz num site de notícias, ouvindo rádio, assistindo televisão… Então quando o relacionamento é prejudicado por conta do mau uso da rede, o Facebook tem todo direito de disciplinar o processo, de punir e até banir.

Ou seja, se pessoas ou alguns grupos usam esse espaço de forma questionável, inclusive por motivações políticas, a empresa pode e deve intervir a fim de assegurar que os usuários não sejam afetados negativamente e o negócio dela, da empresa, não seja prejudicado.

Educar é impactar vidas

Às vezes me pego pensando: o que eu faço em sala de aula? Há 13 anos, sou professor. Escolhi ser professor. Me alegro por, hoje, me dedicar exclusivamente à educação. Mas ainda assim me questiono frequentemente: tenho feito a diferença na vida dos alunos?

Com certa frequência, recebo relatos e depoimentos, inclusive em comentários no Facebook, sobre o efeito que tive na vida de alguns alunos. Isso é simplesmente incrível. Gratificante.

E, sinceramente, acho que esse é o papel do educador: impactar a vida dos alunos. O conteúdo é relevante, necessário. Mas muito desse conteúdo é descartado. E descartável. Útil apenas até passar no vestibular.

Os professores, que apenas se voltaram para a transmissão de conteúdo em sala e não se preocuparam efetivamente com os alunos, serão tão ignorados quanto boa parte do que estava nos livros e apostilas.

Eu defendo que nós, professores, nos interessemos pelo aluno. Esse interesse tem que ser verdadeiro. Tem que estar em nossa alma. O aluno percebe quando a gente não se importa com ele. E devolve o mesmo desinteresse por nós e pelo que ensinamos.

É claro que existem alunos displicentes e até arrogantes. Contudo, em hipótese alguma o professor pode assumir o discurso de “eles não querem saber de nada”. Quando faz isso, o docente bloqueia a relação. Torna-se um mero repetidor de conteúdos. Aí, se a aula já é cansativa pela própria natureza do que é uma aula, fica maçante, insuportável e o aprendizado não se efetiva.

Temos que nos manter motivados (o que nem sempre é fácil, reconheço) para despertar no aluno o desejo de aprender. Fácil? Claro que não. Entretanto, se a gente desistir de tentar despertá-los, é melhor desistirmos de vez da profissão.

Gente que ignora a própria ignorância

Parte significativa da população sofre de um mal grave: a ignorância. E mais, essas pessoas ignoram a própria ignorância. Acho impressionante como opinam, discutem, reverberam os mais diferentes temas, mas com total ausência de noção real sobre o que estão falando.

Pessoas falam sobre política, mas desconhecem o funcionamento das diversas estruturas políticas;
Falam sobre educação, mas não têm a menor noção sobre a dinâmica de uma escola e muito menos sobre as diferentes práticas pedagógicas possíveis;
Falam a respeito de segurança, mas nem entendem a respeito das responsabilidades de cada ente público – município, estado e união…

E a lista das bobagens que aparecem principalmente nas redes sociais é muito maior.

Eu tenho dito, não é vergonha não saber sobre tudo. Muito menos não ter opinião a respeito de tudo.

Na verdade, é muito melhor aceitar que ignora – porque isso pode significar abertura para o aprendizado – que posicionar-se com pseudo-verdades que não passam de inutilidades, por vezes, palavras ao vento, mas que provocam, agridem e até causam empatias e antipatias.

Ps. Adoro a foto que ilustra esse texto. Algumas pessoas deveriam ser impedidas de usar as redes. 

Alunos brasileiros não possuem habilidades socioemocionais

Os números do Brasil são pífios em avaliações internacionais a respeito da qualidade da educação. Passamos vergonha! Sempre.

No Pisa, que é uma avaliação que reúne 70 países, o Brasil ficou na 63ª colocação em ciências, na 59ª em leitura e na 65ª em matemática.

Esses resultados já são conhecidos há algum tempo. O que ainda não sabíamos é que, além de errar muito, parte expressiva dos alunos brasileiros sequer termina a prova. E mais, enquanto um aluno da Finlândia demora um minuto para ler e resolver uma questão, o aluno brasileiro demora três minutos.

Até nossos vizinhos na América do Sul são mais eficientes. Um aluno colombiano, por exemplo, leva dois minutos para resolver cada pergunta.

Um estudo realizado pelo Ph.D em Economia, Naercio Menezes, identificou que não apenas falta conhecimento e há falhas no aprendizado do conteúdo do aluno brasileiro.

Por aqui, a garotada também não possui as chamadas habilidades socioemocionais – por exemplo, perseverança, motivação e resiliência.

A moçadinha desiste fácil, não tem disposição para lutar, tentar, resistir diante das dificuldades.

E, neste aspecto, as famílias têm enorme responsabilidade. As escolas podem ajudar no desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Porém, tudo começa em casa. Pais que não ensinam seus filhos a lidar com frustrações, a resolver os próprios problemas…

Pais que protegem demais, criam filhos frágeis.

O reflexo disso ocorre no processo de aprendizagem. Diante dos inúmeros desafios do ato de aprendizagem, a garotada desiste. Crianças, adolescentes e jovens querem o caminho mais fácil.

Acontece que essa moçadinha que não tem perseverança, motivação e resiliência vai ter problemas na vida adulta. Serão profissionais pequenos, mesquinhos e, por vezes, medíocres. Além disso, estarão mais sujeitos ao desemprego, a informalidade, a criminalidade e ao uso de drogas.

Podcast da Band News.