Fake news: as pessoas acreditam no que querem acreditar

Nos últimos meses, várias agências de checagem de notícias foram criadas. Ainda hoje pela manhã, li sobre o lançamento de uma nova agência, ligada a um dos maiores grupos de comunicação do país. A proposta é investigar se são fatos ou fakes algumas notícias que circulam na rede.

Esse movimento me parece bastante relevante. A quantidade de notícias falsas é assustadora. Mas o que mais me preocupa é o comportamento das pessoas.

Ainda dias atrás, uma jovem que conheço, pessoa que considero, debateu comigo a respeito de uma informação que outra colega havia compartilhado. Eu argumentei, com base numa agência de checagem de informações, que a notícia era falsa. Ela rebateu questionando os interesses da agência. Em outras palavras, colocou em dúvida a agência e, de alguma forma, sustentou que a notícia, que eu entendo como falsa, era verdadeira.

Enfim… É justamente isso que me preocupa. Tenho a impressão que, quando algumas pessoas tomam um conteúdo como verdadeiro, nem mesmo a checagem de sua veracidade é suficiente para desmenti-lo. As pessoas acreditam no que querem acreditar. E aí usam como argumento qualquer coisa, inclusive ideias de conspiração.

Alguns candidatos e políticos fazem isso (Donald Trump é um “belo” exemplo). Movimentos como o MBL, idem. Quando são confrontados, quando a gente diz: “é mentira o que vocês estão dizendo”, preferem desqualificar as fontes de informação e até rebatem dizendo que a checagem é que é falsa.

Isso só reforça a certeza que o problema na qualidade da informação na rede, nos grupos de whatsapp, vai para além dos interesses envolvidos, da superficialidade ou mesmo da pressa em passar uma informação adiante; o problema está na qualidade da formação cultural das pessoas ou, em alguns casos, até mesmo na ausência de ética e caráter.

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Um comentário em “Fake news: as pessoas acreditam no que querem acreditar

  1. Fico desesperada com essas coisas, estamos em época de eleição e sinto que ninguém vai perceber isso (esse comportamento) antes de sabermos quem será o nosso presidente. As pessoas estão mais interessadas em algo que alimente o ódio delas ao invés de se livrarem dele e alguns candidatos já perceberam que é o ódio que move e junta as pessoas.
    Um exemplo idiota é quando duas pessoas que odeiam uma mesma pessoa se encontram, elas se unem, mas quando essas duas admiram uma mesma pessoa raramente acontece de se juntarem, acabam querendo mostrar quem admira mais.

    Um outro exemplo é o site Reclame Aqui, todo mundo conhece e quando temos problemas vamos para lá denunciar, reclamar e esperar uma solução. Vemos até mesmo antes de fazer uma compra online. Mas poucos sabem que o Elogie Aki também existe. A gente não lembra de elogiar e agradecer um bom atendimento.

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