Brasil, pobre também na ciência

Tenho repetido que a gente conhece as prioridades de um governo por suas práticas. No Brasil, educação é prioridade sempre. Mas apenas nos discursos. Nos discursos de campanha, nos palanques… Na prática, quando eleitos, a maioria segue falando que cuida da educação, mas pouco ou nada faz para torná-la prioridade.

Lembro que, em 2010, ao entrevistar o então candidato Beto Richa ao governo do Paraná, o tucano dizia, cheio de convicção, que a educação seria sua grande bandeira. Eleito, Beto Richa foi um desastre para a educação. Poucas vezes na história professores da rede pública foram tão agredidos por um governo. E as universidades estaduais foram sucateadas.

Na esfera federal, desde a posse de Michel Temer, a educação no ensino superior está sendo desmontada. E, consequentemente, o Brasil se torna ainda mais pobre nas ciências.

A última medida pode acabar com 200 mil bolsas de estudo. A proposta do (des)governo Temer é cortar orçamento do Ministério da Educação. Pelo menos 580 milhões de reais poderão ser tirados da Capes, o Conselho Superior da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior.

Isso significaria um corte nas bolsas de estudo de 93 mil discentes, pesquisadores de mestrado, doutorado e pós-doutorado. Também atingiria aproximadamente 105 mil alunos de graduação, que participam de projetos de iniciação científica.

É necessário dizer que, no caso da pós-graduação, muitas dessas pessoas, que perderiam as bolsas, não possuem outra renda. Dedicam-se exclusivamente aos estudos. Cortar as bolsas significaria uma espécie de desemprego.

E tem mais um aspecto que precisa ser ressaltado: cortar as bolsas de estudo significa reduzir ainda mais a produção de pesquisa científica – que, no Brasil, já é bastante modesta quando comparada com outros países. Na América do Sul, por exemplo, na ciência, somos menos relevantes que o Chile e a Argentina.

Consequência disso? Um país que não investe em ciência é um país pobre. Afinal, é a pesquisa que ajuda um país a encontrar soluções para os mais diferentes problemas – seja de inovação tecnológica, seja no tratamento de doenças ou mesmo na busca de alternativas para a desigualdade social e violência urbana.

Pois é, gente, este é mais um retrato de um Brasil sem rumo e que não prioriza o que é realmente é importante.

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