Três em cada 10 brasileiros são analfabetos funcionais

Três em cada dez brasileiros são analfabetos funcionais. Talvez você não consiga achar isso um absurdo. Mas eu acho. Significa que três em cada dez pessoas que leem este texto não conseguem compreendê-lo plenamente.

O analfabetismo funcional é caracterizado pela grande dificuldade de entender e se expressar por meio de letras e números em situações cotidianas. Eu escrevo e a pessoa não entende o que eu quis dizer. Eu falo, mas a pessoa não dá conta de compreender o que eu falei.

Analfabetos funcionais têm uma leitura rudimentar. São pessoas que frequentaram a escola, conhecem o código escrito, mas não reúnem as habilidades necessárias para entender um texto.

No Brasil, 38 milhões de jovens e adultos estão nessas condições. Pessoas entre 15 e 64 anos.

A pesquisa é deste ano. Trata-se de uma iniciativa da ONG Ação Educativa e Instituto Paulo Montenegro. A pesquisa foi realizada pelo Ibope Inteligência e compõe o Indicador do Alfabetismo Funcional 2018.

Para chegar a essa conclusão, os entrevistadores visitaram domicílios, aplicaram testes específicos, com questões que envolviam leitura e interpretação de textos do cotidiano – tipo bilhetes, notícias, anúncios, mapas, entre outros.

Detalhe, desde 2009, o Brasil não melhora esse indicador. Ou seja, o domínio de leitura do brasileiro é praticamente a mesma há 10 anos.

Tem mais um dado assustador. Apesar de a população brasileira ter cada vez mais estudo, mais anos na escola, o índice das pessoas que são plenamente capazes de se comunicar pela linguagem – o índice daqueles que são chamados de leitores proficientes, que é o mais alto – é de apenas 12% da população.

Agora, me diga: como pedir que as pessoas consigam analisar de forma racional os discursos dos candidatos? Impossível! Sem grandes habilidades de leitura, as pessoas são facilmente manipuladas por notícias falsas e pelas frases de efeito, cheias de apelo emocional, de políticos habilidosos.

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