De que tipo é o preconceito do brasileiro?

Do mais contextualizado, diversificado e complexo. Talvez em nenhum outro país do mundo, seja tão difícil identificar contra quais grupos de pessoas existem reações e tratamentos negativos, depreciativos.

A ideia de que o Brasil é resultado da miscigenação, da mistura entre brancos, negros e índios, acaba por esconder nossos preconceitos.

A impressão que se tem é que somos um povo misturado. E se somos misturados, todos são aceitos igualmente.

Mas, na prática, não é isso que acontece.

Há um preconceito velado, silencioso, muito mais nocivo que aquele aberto, conhecido e reconhecido por todos.

No Brasil, entre os extremos branco rico e preto pobre, existem outras tantas hierarquias que motivam atitudes, comportamentos preconceituosos.

Por aqui, chega-se ao ponto da pessoa que não tem a pele totalmente preta colocar-se numa condição de “não sou negro”.

Essas gradações múltiplas resultam numa sociedade em que o combate aos preconceitos é muito mais difícil, porque, de certo modo, todo mundo tem algum preconceito contra alguém ou um grupo de pessoas.

Não se trata apenas do negro. Por aqui, é o branco em relação ao pobre… O pobre em relação à pessoa gorda… A pessoa gorda em relação ao homossexual… O homossexual em relação ao religioso… O religioso cristão em relação ao espírita… O acadêmico em relação ao que abandonou os estudos…

A lista é ampla e assustadora.

A legislação não dá conta de contemplar todas as dinâmicas que funcionam na sociedade.

E isso só reforça a tese do quanto nós, brasileiros, precisamos crescer como humanos na busca de um olhar justo e respeitoso em relação a todas as pessoas.

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