O desastre do ensino no Brasil

O ministro da Educação, Rosseli Soares, declarou nessa quinta-feira que o Ensino Médio brasileiro está falido.

O ministro fez isso logo após a divulgação dos resultados do Saeb, o Sistema de Avaliação da Educação Básica.

O Saeb demonstrou que os estudantes brasileiros estão terminando o Ensino Médio sem ter domínio de português e matemática, que são essenciais para o aprendizado de todas as demais matérias e para lidar com as demandas práticas do dia a dia.

Sete de cada dez alunos não sabem o suficiente de português e matemática.

Os números são assustadores.

O Saeb estratifica o domínio desses conhecimentos. E aí, quando faz isso, o quadro fica ainda pior. Isso porque apenas 1,64% dos alunos têm domínio adequado, ou seja, são proficientes em português. Em matemática, esse índice é de 4,5%.

Após divulgar resultados tão desastrosos, o ministro sustentou que o Brasil precisa urgente implementar o novo modelo do Ensino Médio. Ele acredita que a proposta atual está levando a educação do país para o fundo do poço.

Eu não discordo totalmente do ministro. Mas, diferente do que o ministro diz, a falta de domínio de português e matemática não é culpa necessariamente do Ensino Médio. E nem será resolvido com o “novo ensino médio”.

O problema começa na base. Lá na educação infantil e nas primeiras séries do chamado Fundamental I. 

Em português, por exemplo, as práticas de ensino, que não valorizam o ensino das estruturas da linguagem, causam um desastre no aprendizado.

Já em matemática, a questão é ainda mais complexa. Quem ensina matemática às crianças nas primeiras séries? Uma pedagoga. Essa profissional pode ser muito preparada, porém, posso afirmar com convicção: poucas pedagogas têm domínio pleno da matemática – muito menos são apaixonadas pela matemática.

E como ensinar bem matemática se falta conhecimento pleno nessa matéria?

Claro, estou aqui mencionando dois pontos apenas. Eles não são os únicos responsáveis. Chega a ser simplista citar somente essas questões. Cito apenas como exemplos de que os problemas de domínio do português e da matemática no final do ensino médio não são culpa necessariamente do ensino médio.

O desastre começa muito mais cedo.

Isso quer dizer que o ensino médio não deve mudar? Claro que deve. É necessário! Contudo, não me parece que a reforma proposta, votada e sancionada pelo governo vai resolver o problema.

A base ainda não está sendo cuidada. A formação de professores também é muito falha.

E, para finalizar, o ensino médio, mesmo que seja renovado, ainda sofrerá os efeitos do sistema de acesso ao ensino superior.

Hoje, é inegável que os vestibulares são nefastos ao processo de ensino no nível médio. O ensino médio é conteudista – e muito disso em função do jeito que os vestibulares e o próprio ENEM são construídos.

Se as autoridades e os pesquisadores não conseguirem observar os problemas e propor mudanças em todos os níveis da educação, pouca coisa vai mudar nos próximos anos.

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