O verdadeiro caráter se revela quando a pessoa tem poder

Dizem por aí que a melhor maneira de conhecer uma pessoa é dar poder a ela. O verdadeiro caráter se revela quando a pessoa está no topo, quando faz sucesso.

Eu acredito nisso!

Quando ocupa uma posição importante, a pessoa ganha mais visibilidade. Isso a obriga a se posicionar, a agir. E quanto mais se expõe falando, resolvendo problemas, fazendo negócios, estabelecendo relacionamentos… Quanto mais expõe, mais mostra quem de fato é.

Isso acontece nas empresas, na família da gente, entre os amigos… E até na política.

Entretanto, nem todo mundo tem, como acontece na política, uma rede de apoio – e até de marketing – que oriente sobre o momento de se calar, de cancelar compromissos, de evitar entrevistas.

Pessoas reais, como nós, nem sempre notam a repercussão de seus atos. Por isso, não estabelecem filtros em suas práticas. Com isso, o pior de nós é demonstrado quando temos algum tipo de influência, algum cargo importante ou mesmo certo poder.

Nessas ocasiões, revela-se a dificuldade em receber críticas, a resistência às mudanças, o temperamento, arrogância, o isolamento… Também os desvios éticos e morais, as alianças com pessoas ruins.

Por outro lado, também são nessas oportunidades, que descobrimos pessoas que não se deixam corromper pelo poder, que seguem dignas, verdadeiras, humildes e comprometidas em fazer o bem.

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Quem é favorecido por uma notícia falsa?

As notícias falsas geralmente atendem dois objetivos básicos: prejudicar uma pessoa ou grupo e, por outro lado, favorecer uma pessoa ou grupo.

A distorção dos fatos, para disseminação principalmente nas redes sociais e whatsapp, ocorre para atender esses dois objetivos primários.

Não existem notícias falsas inocentes. As chamadas fake news estão em circulação para prejudicar pessoas e beneficiar pessoas.

Por isso, quando um conteúdo dessa natureza chega até você é preciso se perguntar: quem perde com essa informação? E ainda: quem ganha com essa notícia?

Na campanha eleitoral deste ano, as fake news transcendem o mero conteúdo informativo midiático. Elas estão presentes em áudios manipulados, capas de revistas falsas, cartilhas falsas, fotos falsas…

Ainda ontem recebi duas capas de revistas, uma da Veja e outra da Exame, com uma suposta denúncia envolvendo um partido político e tratando de fraude em urnas eletrônicas.

Apesar das imagens parecerem perfeitas, minha capacidade de pensar ainda não foi afetada pelas bobagens que circulam na rede. Entrei rapidamente no site das revistas, consultei as capas dos últimos anos e comprovei: Veja e Exame nunca publicaram nada a respeito do assunto. Muito menos fizeram capas de revista com um suposto personagem denunciando um partido por supostas fraudes em urnas.

As capas que estão circulando no whatsapp são fakes.

Em todos esses casos, uma pessoa ou candidato é alvo do conteúdo falso. E, quando isso acontece, outra pessoa ou candidato é, direta ou indiretamente favorecido.

Os dois candidatos que lideram a corrida presidencial têm sido constantemente alvo de fake news. Quase sempre, um é atacado por mentiras e o outro, obviamente, tenta ser favorecido.

Como muitos eleitores são ingênuos – ou agem de má fé -, contribuem para disseminação desses conteúdos em suas redes pessoais. Não há um dia sequer que a gente não esbarre com esse tipo de material. E o que é pior: as pessoas estão pautando suas escolhas eleitorais – e até mesmo sua rejeição a determinadas candidaturas – em virtude das fake news.

Nem sempre somos responsáveis pelo fracasso

Uma onda otimista tomou conta dos Estados Unidos em 2008. O então candidato à presidência, Barack Obama, mobilizou milhões de pessoas com uma ideia: “Yes, we can” – sim, nós podemos!

Embora a frase seja maravilhosa e seja ainda mais incrível acreditar na possibilidade de, juntos, mudarmos um país, não é verdade que podemos tudo.

Tenho insistido que precisamos buscar a excelência, fazermos o nosso melhor, nos dedicarmos… Até porque a vida dá muito pouco para os acomodados. Porém, também não há garantias de que nosso empenho será plenamente recompensado.

Sabe por quê? Porque nem tudo depende de nós.

Um dos maiores problemas de acreditar que o sucesso depende exclusivamente da gente é que isso faz com que a responsabilidade pelo fracasso também seja só nossa. E isso não é verdade.

Um exemplo… Não há garantia de que todo nosso empenho será suficiente para evitarmos ser considerados ultrapassados no ambiente profissional. O discurso da época é que precisamos nos qualificar, fazer treinamentos, cursos… No entanto, o sistema é mais ágil, as mudanças são mais rápidas do que podemos acompanhar. Em algum momento, seremos ultrapassados, inadequados… dinossauros.

Também não temos como controlar o fechamento de milhares de postos de trabalho em função do avanço tecnológico. Algumas profissões estão deixando de existir. E nada do que as pessoas fizerem, individualmente, será suficiente para impedir o possível desemprego.

Portanto, ainda que seja fundamental manter-se otimista e empenhar-se para fazer o nosso melhor, nem tudo depende de nós. Há coisas que são inerentes ao sistema, que necessitam da interferência do Estado, das empresas e até das ciências para que a vida das pessoas não seja afetada negativamente.

Quando os especialistas em autoajuda, quando o mercado, a mídia e até mesmo a escola insistem em dizer que “nós podemos”, prestam um desserviço às pessoas. Jogam no colo das pessoas a responsabilidade pelo insucesso, pelo fracasso… E isso é muito cômodo, porque isenta essas instâncias do dever de cuidar das pessoas, de proteger os indivíduos.

O que é ainda é pior… Como muita gente acredita que a culpa é delas se as coisas dão errado, milhares de pessoas sofrem. Sofrem com estresse, ansiedade, depressão, baixa autoestima.

Por isso, meu recado hoje é bastante simples: nós não podemos tudo! Nem tudo está sob nosso controle.

A síndrome do pensamento mágico

Um dos grandes problemas do brasileiro é manter uma espécie de pensamento mágico. A gente acredita que, no final, as coisas se ajeitam.

Você anda sem o documento do carro e acredita que, se for parado numa blitz, por alguma mágica, o veículo não será retido. E se for retido, a gente conhece alguém que pode dar um jeito é liberar o carro.

Você vai fazer uma prova e não estuda tudo que precisaria estudar. O aluno brasileiro acredita que, de alguma maneira, vai tirar a nota. E se não tirar, ainda assim existirá alguma maneira de resolver o problema.

A gente faz isso em quase todas as esferas da vida. Inclusive na política. A gente vota acreditando em alguma mágica, num ser que possa resolver todos os problemas. E, se não funcionar, sempre haverá um amanhã para tentarmos de novo.

Esta forma de pensar tem muito a ver com o que convencionamos chamar de “jeitinho brasileiro”. Acreditamos sempre que é possível dar um jeito e tudo vai ficar bem. E se não ficar, a gente ri da desgraça e segue em frente porque “a vida é assim mesmo”.

Mas, olha só, não é assim. Não pode ser assim. Um prédio grandioso não se constrói sem planejamento, sem contar com os melhores profissionais, materiais de excelente qualidade… A vida da gente não será bem sucedida se não for orientada por bons princípios, por cuidados, responsabilidade, comprometimento… O mesmo vale para uma carreira… O mesmo vale para um país.

Não existe mágica para o sucesso. Não é com jeitinho que se faz algo de qualidade. O jeitinho é só o quebra-galho. Mas o quebra-galho nunca é realmente satisfatório. Não é digno de elogios. Muito menos é capaz de mudar a vida das pessoas.

Quem pouco luta, pouco conquista

A gente vive numa sociedade em que a tese da meritocracia geralmente não passa disso: ser uma tese. Não há nenhuma garantia de que nossos esforços serão recompensados. Ainda assim, quem pouco luta, tem ainda menos chances de conquistar seus objetivos.

Talvez a tese da meritocracia tenha apenas uma verdade: se você fizer pouco, as suas chances serão ainda menores.

Eu me preocupo com nossos jovens e adolescentes. Noto que fazem parte de uma geração bastante acomodada. Facilmente, desistem. Outras tantas vezes, sequer chegam a lutar. Falta gana!

O esforço parece ser custoso demais. Querem tudo do modo mais fácil.

Isso tem muito a ver com a maneira como foram criados. Os pais são parcialmente responsáveis. Mas também é fato que as tecnologias contribuem produzindo a sensação que os objetivos estão à distância de um único clique na tela. Cria-se a ideia de que “quando eu realmente precisar, basta eu apertar aqui e vou conseguir”.

Acontece que as coisas não funcionam desse jeito. É preciso trabalhar duro para, com o tempo, obter os resultados. A lógica da vida é a da semeadura: “eu planto agora para colher depois”.

E semelhante ao que acontece na agricultura, o plantio é trabalhoso. Ainda mais difícil é o período de espera pela colheita. É necessário regar, cuidar e ainda torcer para que o tempo ajude e não coloque tudo a perder.

Se tudo funcionar muito bem, a colheita pode ser um sucesso. E se não funcionar, semelhante ao lavrador, na vida, a gente não pode desistir. A gente começa tudo de novo, planta tudo de novo e espera que, na próxima safra, tenha melhor sorte.

Quando devo dar um celular ao meu filho?

Sou bastante conservador neste aspecto. Mas até o momento, não fui convencido que estou errado… Entendo que é necessário retardar ao máximo. Quanto mais tarde, melhor. Não há justificativa racional para uma criança ter um celular. Penso que o aparelho só deve chegar às mãos de nossos filhos na adolescência. Ainda assim, sem nenhuma pressa.

Mas aqui estão algumas outras recomendações…

Dar um celular ao seu adolescente não significa deixá-lo à vontade com o dispositivo. Depois que possuem um celular, com frequência, os adolescentes leem menos, estudam menos, focam menos nas tarefas, interagem menos com as pessoas próximas e se envolvem em mais confusões.

Por isso, os pais precisam estabelecer um limite no tempo de uso. Também é fundamental monitorar o que os filhos fazem ao celular.

O tempo de uso deve ser negociado, com bom senso. Entendo que o aparelho não deve estar nas mãos da garotada na hora das refeições, nas horas de estudo e muito menos durante à noite. Com frequência, vejo adolescentes que dormem mal, porque ficam no whatsapp e outras redes sociais até muito tarde. Isso prejudica o desempenho escolar e até mesmo o desenvolvimento físico e emocional. Dormir bem é uma necessidade de qualquer adolescente.

Mas, além de controlar o tempo de uso, é dever dos pais monitorar o que os filhos fazem com o celular. Enquanto os filhos estão em casa, não há nada de invasivo em acompanhar o que a garotada faz com o aparelho. Não são raros os casos de meninos e meninas que acessam conteúdos indevidos sem que a família saiba o que está acontecendo. Pior que isso, praticam bullying na rede, enviam nudes e se envolvem em problemas.

Por isso, educar também é ter controle da vida digital de seu filho.

Como educar os filhos sobre o uso do celular?

O celular é hoje um dos dispositivos mais úteis ao nosso dia a dia. E talvez seja o aparelho mais pessoal. É o celular que levamos para todos os lugares. Todos mesmo!

Mas o dispositivo tem se tornado um problema – principalmente para as crianças.

E, por isso, muitos pais questionam: o que podemos fazer?

Devemos entender, primeiro, que nos primeiros anos de vida, os filhos se guiam pelas práticas dos pais.

Aquilo que fazem de maneira bastante interessada vai servir de referência para as crianças. Os filhos consideram interessante tudo aquilo que prende a atenção dos pais.

Se a mãe fica horas diante da tela da televisão, a criança vai achar que algo ali muito interessante acontece. Se o pai se envolve totalmente com a leitura de um livro, a criança vai querer saber o que tem naquelas páginas mágicas.

Ou seja, o que capta nossa atenção desperta o interesse dos filhos.

Portanto, se somos reféns do celular, nossos filhos também serão.

Mas existem outras práticas que formam os maus hábitos no uso do dispositivo.

Os pais não podem ter o aparelho como muleta, como estratégia para evitar que o filho chore, fique agitado ou coisa parecida. Eu sei que é bem mais cômodo dar o aparelho a uma criança de dois aninhos para que ela se comporte na igreja. Ou fique quieta enquanto você come no restaurante. Entretanto, quando os pais fazem isso, estão abdicando do verdadeiro papel que lhes cabe: educar.

As crianças precisam ser contidas e devem aprender a silenciar seus impulsos.

Por fim, não há nenhuma justificativa racional para dar um celular a uma criança de dois, cinco, oito ou até 10 anos. Elas não precisam do dispositivo.

Até o início da adolescência, quando começam a ter alguns compromissos que não requerem mais a presença dos pais, o celular é dispensável.

Por outro lado, nessa fase de desenvolvimento, as crianças carecem de tempo para brincar, devem se relacionar com outras crianças, frequentar parques, andar de bicicleta, fazer tarefas manuais, aprender música, artes…

Isso não transforma os pais em conservadores. Faz dos pais efetivos educadores, preocupados com o desenvolvimento cognitivo e social dos filhos.

Falta de planejamento compromete o futuro do Brasil

Nenhum país muda sem ter um planejamento de futuro. Trocar deputados, senadores, governadores e presidente da República pode até ajudar na reformulação de determinadas práticas, inclusive com novas políticas públicas. Mas não ocorrerão avanços significativos.

Fazer planejamento tem a ver com a cultura de um povo. Não é da cultura do brasileiro planejar. A gente não faz isso na casa da gente. Não faz na empresabasta notar a quantidade de empresas que fecham por não ter pensado todas as estratégias de curto, médio e longo prazos. E a gente não faz planejamento na política.

A Coreia do Sul há pouco mais de 60 anos era um território arrasado pela guerra. Um país pobre.

Muita gente atribui o sucesso econômico e científico da Coreia ao investimento na educação. É verdade que a educação fez e ainda faz a diferença por lá. Porém, a educação não foi a chave do sucesso. O segredo da Coreia do Sul foi planejamento. A educação fez parte das estratégias utilizadas para colocar o país na rota do desenvolvimento econômico e científico.

No Brasil, não damos valor a isso. A ausência de uma cultura de planejamento faz com que as ações iniciadas num governo sejam interrompidas no outro. Cada político pensa no seu mandato e em medidas que possam lhe render capital político, votos. Um governo inicia um programa de incentivo ao ensino superior, financiando bolsas de estudo… Um novo governo reduz a verba para o programa e dá início a outra ideia.

Um prefeito começa uma obra, não consegue concluí-la e, quando outro é eleito, entende que existem coisas mais urgentes e a obra fica parada.

Políticas precisam ser pensadas não para estancar um problema agora, mas para criar uma condição de vida melhor para as pessoas daqui a 20, 30… 50 anos.

Com uma mentalidade de planejamento, as pessoas compreenderiam que não existem soluções mágicas. É preciso muito trabalho, esforço, disciplina e tempo para dar conta de demandas históricas.

A Coreia do Sul não se tornou uma potência tecnológica, uma força na indústria automobilística mundial de um dia para o outro. Os resultados começaram a aparecer depois de quase 40 anos.

Mas veja só… O Brasil nunca foi arrasado por uma guerra, nunca sofreu com grandes catástrofes naturais, mas não sai do lugar. Nossos problemas de hoje não são diferentes dos problemas que tínhamos no passado. A gente sonha com o Brasil do futuro, mas o futuro nunca chega… E não chega porque a gente não planeja o futuro.

Isso só reforça o que estou dizendo: não existe um messias político para colocar o país nos trilhos. Se não houver uma mudança de mentalidade, a criação de uma nova cultura, a gente pode ter uma certeza: tudo vai continuar dando errado.