O exercício da inteligência nos impediria de acreditar em fake news

O que fazer quando até pessoas que a gente admira começam a compartilhar conteúdos que distorcem os fatos?

Nem tudo que circula na rede é totalmente mentira. Alguns conteúdos são exagerados, distorcidos. Mas partem de situações verdadeiras. E esta é uma das principais características das fake news. Elas são construídas a partir de algo concreto, algo que de fato existe ou aconteceu.

Ainda ontem vi um colega compartilhando um meme que trazia a jornalista Renata Vasconcellos esboçando desconforto diante de um dos presidenciáveis na série de entrevistas concedidas ao Jornal Nacional.

A entrevista de fato aconteceu, a expressão da jornalista durante a conversa também aconteceu. Entretanto, o meme, embora tenha surgido de uma situação concreta, distorceu a realidade da entrevista e das regras da entrevista, que impediam claramente a apresentação, por exemplo, de material impresso diante das câmeras.

A gente transita na internet entre fatos, distorções e mentiras.

E muitas pessoas encontram dificuldade para separar as coisas. Se algo diz respeito ao que gostariam de acreditar, compartilham, passam adiante.

O fenômeno das fake news sustenta-se na pouca disposição das pessoas para desconfiar de suas certezas. Quando estamos certos de uma coisa, perdemos o filtro – a habilidade de colocar em dúvida as informações que chegam até nós.

Isso funciona em tudo – inclusive nos relacionamentos. Se eu não gosto de alguém, me aproprio facilmente de qualquer informação negativa que apareça sobre aquela pessoa.

Esse princípio também vale na política.

Se eu gosto do candidato “x” ou “y”, não importam as regras de uma entrevista, não importa se os dados citados são imprecisos… Importa que quero acreditar naquilo.

Esse tipo de comportamento é bem pouco inteligente. Afinal, a inteligência é a capacidade humana – e só nós temos essa capacidade – de fazermos conexões, comparações e duvidarmos das informações para construirmos conhecimento a partir da maior quantidade possível de dados disponíveis.

Gente inteligente não se deixa levar facilmente por notícias falsas.

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