O Brasil não preserva sua história

E a desvalorização da história não é uma atitude apenas dos governantes. É de quase todos nós.

A gente percebe isso nitidamente nas pequenas coisas… Que valor damos aos prédios antigos de nossas cidades?

Lembro que, em Maringá, por exemplo, a antiga rodoviária da cidade foi demolida sem nenhum problema de consciência. Houve resistência por parte de gente da universidade e grupos políticos, mas a maioria das pessoas achava o velho prédio apenas um obstáculo pra modernidade.

Nossas famílias não fazem nenhuma questão de incentivarem seus filhos no estudo da história. Na verdade, a maioria desconhece o seu passado.

É esse tipo de atitude que faz que os governos não se preocupem em investir em bibliotecas, museus… Espaços de valorização e preservação da nossa cultura, da nossa história.

Com o incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, muita gente lamentou a falta de investimentos. O esquecimento do Museu.

E esse lamento é compreensível, justo, necessário. Porém, temos conhecimento dos investimentos feitos pela prefeitura no patrimônio histórico da cidade?

Não, não temos. E não temos porque a história não é prioridade para nós. Não votaríamos em alguém que prometesse priorizar museus, prédios velhos, bibliotecas, teatros…

Justamente por isso, em 2018, foram investidos 268 mil e 400 reais até agora no Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Já o descaso político com o Museu pode ser observado com a seguinte comparação… Esses 268 mil reais pagariam menos de 15 minutos dos gastos do Congresso Nacional em 2017. Cada hora da Câmara e do Senado custaram 1 milhão, 160 mil reais. Já a máquina judiciária brasileira consumiria o dinheiro aplicado no Museu em menos de dois minutos – no ano passado, o Judiciário brasileiro custou 90 bilhões e 800 milhões de reais.

Ou seja, a comoção com a preservação de nossa história certamente logo será esquecida e vamos seguir a vida ignorando o passado, sem nos dar conta que o passado construiu o presente e nos ajudaria a planejar o futuro.

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