O que é formar um cidadão crítico?

É fundamental pensar a formação escolar numa perspectiva crítica, formar um aluno crítico. A escola, quando foca apenas no conteúdo (Biologia, Física, Matemática, Português etc), sem problematizar os saberes propostos, sem relacioná-los à vida prática, não forma cidadãos. A opção por ensinar os conteúdos das disciplinas não prepara crianças e adolescentes para se tornarem adultos que pensem, e pensem bem.

E eu digo pensar bem, porque pensar todo mundo pensa. Entretanto, um pensamento elaborado, capaz de fazer conexões, relacionar os diferentes saberes para resolução dos problemas cotidianos, para analisar a própria sociedade… Esse tipo de pensamento é resultado de uma formação ampla, que estimule a reflexão crítica.

Mas há algo que me preocupa: formar alunos críticos não é formá-los para serem críticos na perspectiva do professor, da professora.

O educador tem o dever de oferecer diferentes visões de mundo, problematizá-las, relacioná-las ao cotidiano, mas sem assumir bandeiras. Cabe ao professor ser o indutor do pensamento crítico, mas não de um pensamento, como se existisse uma forma única de olhar o mundo.

Fora da escola, todo educador tem o direito de posicionar-se, ser militante de uma causa. Na sala de aula, ele deve ser o motivador da busca pelo saber. E existe uma pluralidade de saberes. Há maneiras muito distintas de interpretar a realidade e propor soluções para ela.

Formar um cidadão crítico é isso: prover um espaço democrático, em que as pessoas tenham voz, sejam estimulados a falar… Assegurando os conhecimentos necessários para que, por si só, o aluno tenha condição de se posicionar. Tendo aprendido sobre diferentes formas de ler o mundo, posicionar-se do jeito dele, não do jeito do professor.

Quando o professor compreende isso, torna-se um educador de fato. E toda a sociedade ganha.

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