Nem sempre somos responsáveis pelo fracasso

Uma onda otimista tomou conta dos Estados Unidos em 2008. O então candidato à presidência, Barack Obama, mobilizou milhões de pessoas com uma ideia: “Yes, we can” – sim, nós podemos!

Embora a frase seja maravilhosa e seja ainda mais incrível acreditar na possibilidade de, juntos, mudarmos um país, não é verdade que podemos tudo.

Tenho insistido que precisamos buscar a excelência, fazermos o nosso melhor, nos dedicarmos… Até porque a vida dá muito pouco para os acomodados. Porém, também não há garantias de que nosso empenho será plenamente recompensado.

Sabe por quê? Porque nem tudo depende de nós.

Um dos maiores problemas de acreditar que o sucesso depende exclusivamente da gente é que isso faz com que a responsabilidade pelo fracasso também seja só nossa. E isso não é verdade.

Um exemplo… Não há garantia de que todo nosso empenho será suficiente para evitarmos ser considerados ultrapassados no ambiente profissional. O discurso da época é que precisamos nos qualificar, fazer treinamentos, cursos… No entanto, o sistema é mais ágil, as mudanças são mais rápidas do que podemos acompanhar. Em algum momento, seremos ultrapassados, inadequados… dinossauros.

Também não temos como controlar o fechamento de milhares de postos de trabalho em função do avanço tecnológico. Algumas profissões estão deixando de existir. E nada do que as pessoas fizerem, individualmente, será suficiente para impedir o possível desemprego.

Portanto, ainda que seja fundamental manter-se otimista e empenhar-se para fazer o nosso melhor, nem tudo depende de nós. Há coisas que são inerentes ao sistema, que necessitam da interferência do Estado, das empresas e até das ciências para que a vida das pessoas não seja afetada negativamente.

Quando os especialistas em autoajuda, quando o mercado, a mídia e até mesmo a escola insistem em dizer que “nós podemos”, prestam um desserviço às pessoas. Jogam no colo das pessoas a responsabilidade pelo insucesso, pelo fracasso… E isso é muito cômodo, porque isenta essas instâncias do dever de cuidar das pessoas, de proteger os indivíduos.

O que é ainda é pior… Como muita gente acredita que a culpa é delas se as coisas dão errado, milhares de pessoas sofrem. Sofrem com estresse, ansiedade, depressão, baixa autoestima.

Por isso, meu recado hoje é bastante simples: nós não podemos tudo! Nem tudo está sob nosso controle.

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