O povo quis derrotar o PT

A vitória de Jair Bolsonaro não foi a vitória de um projeto político, de um projeto de país. Foi a derrota de um projeto de poder, o do PT de Lula.

A eleição de 2018 é atípica em vários sentidos – e talvez o mais significativo seja justamente este: muita gente escolheu Bolsonaro por entender que ele representava um ponto final na presença do PT no comando do país.

Domingo, nas urnas, a maior derrota foi justamente do PT.

Há bastante tempo, o PT perdeu o contato com as ruas. Deixou de entender a alma do povo brasileiro. Em sua arrogância, o partido achava que sabia tudo que o país precisava. Não notou o descontentamento com várias medidas e, principalmente, apostou na política do medo. Foi essa política que venceu em 2010 e 2014. Porém, em 2014, o partido já havia perdido sua força e, com a crise econômica e o insucesso de Dilma na presidência, veio a derrocada.

Porém, o PT achou que o fracasso do que foi chamado de governo golpista de Michel Temer seria suficiente para levá-lo de volta ao Planalto. Lula e seu grupo não perceberam que o sentimento anti-PT era muito maior que a rejeição a tudo que Bolsonaro representava.

O partido também apostou que, no segundo turno, todas as forças democráticas abraçariam a candidatura de Fernando Haddad para “salvar o país do fascismo”. E que haveria uma grande aliança democrática nacional. Ledo engano.

Qualquer pessoa com o mínimo de percepção a respeito das estratégias do PT sabe que as lideranças da sigla são autoritárias, arrogantes, incapazes da autocrítica e, principalmente, não estão interessadas em abrir mão do poder. Muito menos estão abertas à alternância no poder. Basta notar que Lula, mesmo da prisão, costurou um acordo político que isolou Ciro Gomes no primeiro turno, quando este era o nome mais forte da esquerda na corrida presidencial. Teria sido mais fácil derrotar Bolsonaro apoiando Ciro. Mas o PT preferiu atropelar antigos aliados a abrir mão de uma candidatura própria.

A vitória de Bolsonaro no último domingo foi só mais um dos efeitos nocivos das práticas políticas do PT.

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Com a vitória de Bolsonaro, o Brasil espera ter um novo começo

O Brasil começa a viver um novo momento político. Com a vitória de Jair Bolsonaro à presidência da República, há a expectativa da escrita de um capítulo distinto em nossa história.

Neste sentido, há certa semelhança com o que ocorreu em 1985, 1989 e 2002.

Em 1985, tínhamos a reabertura democrática, com a eleição indireta de Tancredo Neves. Em 1989, depois de quase 30 anos sem escolhermos um presidente, os brasileiros elegeram Fernando Collor. Já em 2002, o país optava por Luiz Inácio Lula da Silva, o primeiro presidente operário, alguém que parecia efetivamente identificado com o povo.

Nesses três momentos históricos, havia muita expectativa. Tratava-se de uma espécie de ruptura com um modelo de governo que havia se esgotado. Tinha-se o sentimento de poderíamos começar tudo de novo. Havia também um gostinho de “agora vai!!”.

Não sei se esse “agora vai” está presente no sentimento do nosso povo após a eleição deste ano. Porém, é certo que a vitória de Bolsonaro foi construída em função de uma enorme insatisfação com tudo que o país vem vivendo nos últimos anos.

Quem observou atentamente as manifestações de 2013 percebeu que a paciência das pessoas já estava se esgotando. Mas a classe política parece ter achado que seria fácil acalmar as pessoas.

A aposta no impeachment de Dilma foi uma estratégia da elite política do país para retomar o controle do povo. Entretanto, estes pouco mais de dois anos de (des)governo Michel Temer ajudaram a confirmar que as práticas políticas eram as mesmas de sempre. E a população também não poderia acreditar nos partidos tradicionais, principais responsáveis pela queda do PT – entre eles, o PSDB, que durante anos foi o maior opositor de Lula e Dilma.

Bolsonaro, embora tenha feito carreira ao lado de muitos políticos conhecidos, mantendo-se filiado a partidos que transitam pelo poder há anos, como é o caso do PP, o agora presidente eleito nunca foi efetivamente do alto clero da Câmara Federal, tampouco teve prestígio e poder nas máquinas administrativas.

O novo presidente, com isso, conseguiu manter sua imagem descolada das tradições políticas e se firmou como personagem que se opõe a tudo que Brasília tem representado ao longo das últimas décadas.

Ele será, de fato, o que seus mais de 57 milhões de eleitores esperam? Talvez não. Mas, para muita gente, já terá sido significativa a vitória de Bolsonaro por ter impedido o retorno do PT.

Incentivo ao uso da bicicleta

Vez ou outra me alegro ao ver iniciativas que incentivam o uso de meios alternativos de transporte. Hoje, fiquei sabendo que a bela cidade de Bolonha, no norte da Itália, criou um projeto para estimular as pessoas a andarem de bicicleta ou fazerem uso do transporte público.

O objetivo é reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa. Afinal, como a gente sabe, os gases emitidos pelos veículos são um dos causadores do aquecimento do planeta.

Pensando nisso, a cidade de Bolonha criou um sistema de recompensas para quem optar pela bicicleta. Nada muito grande ou custoso… A iniciativa premia quem deixa o carro em casa com sorvetes, cerveja, ingressos de cinema e outros brindes para quem prefere pedalar.

Eu me alegro quando vejo iniciativas como essa porque confirmam que não é preciso fazer muito para mobilizar as pessoas em torno de algo realmente relevante.

Nas médias e grandes cidades brasileiras, o número de veículos nas ruas e avenidas já se constitui um problema grave. Mas, pelo menos por aqui, ainda pouco tem sido feito. Com frequência, as políticas públicas se restringem a construção de ciclovias e ciclofaixas. Embora essa iniciativa seja importante, faltam programas que estimulem de fato as pessoas a usarem a bicicleta.

Em Maringá, por exemplo, as ciclovias estão cada vez mais presentes no cenário urbano. Isso tem levado muita gente a pedalar, inclusive para ir ao trabalho ou à escola. Mas o movimento ainda é tímido, diante do potencial que a cidade tem.

O que ocorre é que faltam campanhas que incentivem as pessoas a usarem menos os veículos. A criação de uma nova cultura necessidade de estímulos. Recompensas, como em Bolonha, na Itália, são uma estratégia importante para lembrar as pessoas que é bacana pedalar.

Parece pequeno dar brindes como sorvetes, ingressos… Entretanto, é o tipo de ação, de baixo custo, que coloca o assunto em pauta. E mexe principalmente com os mais jovens, que são as pessoas mais abertas a incorporarem novos hábitos.

Ah… E a ideia em Bolonha nem surgiu na prefeitura. Foi um urbanista que motivou a cidade a aderir a proposta e implementá-la – inclusive com a participação do empresariado.

Isso mostra que cuidar de uma cidade, cuidar do planeta, envolve todo mundo – mas que há necessidade do empenho principalmente daqueles que comandam cidades, empresas, associações, organizações das mais diversas. Mais que pensar apenas nos dividendos políticos e, no caso dos empresários, em seus lucros, é fundamental lideranças pensarem em ações que transformem a cidade em que vivem.

Pais devem ensinar os filhos a serem resistentes, resilientes

É fato que temos dificuldade em assumir as nossas responsabilidades. E isso acontece nas diferentes esferas da vida. Também ocorre com nossos filhos.

Frequentemente, vejo pais esperando que a escola faça pelos filhos aquilo que eles, os pais, não fazem.

Uma das coisas tristes é notar que muitos pais criam filhos frágeis a ponto de não serem capazes de lidar com uma ou outra brincadeira de um colega.

Sim, existe bullying. Porém, essa palavra que entrou no nosso vocabulário mais recentemente, parece ter sido incorporada para toda e qualquer situação.

Uma brincadeirinha sem graça de um grupinho contra uma ou outra criança já é chamada de bullying. A criança se encolhe e os pais ficam bravos querendo que a escola resolva o problema.

Desculpa, gente… Porém, muitas das falas maldosas entre crianças e adolescentes não são bullying. São apenas isso: falas maldosas, características da idade. A escola e as famílias devem atuar no processo de educação para que os tratamentos sejam respeitosos. Porém, também é dever dos pais ajudar seus filhos a serem resistentes a esse tipo de situação.

Existe hoje muito coitadismo, vitimismo.

A mãe olha pra filha e diz:

– Tadinha da minha filha; ninguém gosta dela. As coleguinhas são tão maldosas… Tratam ela tão mal.

O que essa mãe está fazendo? Está, inconscientemente, dizendo para a filha que ela é uma coitada, uma fraca, uma pessoa que não é amada, respeitada…

O pai e a mãe não preparam o filho para enfrentar o mundo e aí o problema são os outros.

Lamento dizer, mas se você não preparar seu filho, sua filha, para enfrentar cara feia, comentários maldosos, para não lidar com a concorrência, você estará educando sua criança para se tornar um adulto banana, um molenga que vai se encolher diante dos primeiros problemas de relacionamento.

E a culpa é toda dos pais.

Devemos ensinar nossos filhos a lidar com os conflitos, brincadeiras maldosas, chacotas dos colegas… Eles precisam ser resistentes e resilientes, pessoas capazes de superar obstáculos, resistir às pressões, estresses… e sem entrar em choque, sem se apequenarem.

O conforto das mentiras nas redes pessoais

Diariamente, recebo nas minhas redes pessoais inúmeros textos, vídeos, áudios com conteúdos políticos. Não abro nenhum. Quer dizer, em alguns casos, até espio pra ver a fonte, de onde veio, quem produziu… Se trata-se de um material informativo elaborado por empresas sérias, idôneas, e o tema me interessa, até dou uma espiada. Mas, como regra, descarto o material que vem pelo whatsapp, messenger, email, vídeos do Youtube…

E faço isso por uma razão: o conteúdo que circula inbox nas redes pessoais frequentemente sofreu algum tipo distorção. Pode até ser humorístico – um meme, por exemplo -, mas a chance de apresentar uma versão verossímil é quase nula.

Infelizmente, eu sou a exceção. A regra, hoje, é o consumo de conteúdos pelos aplicativos. Com isso, as pessoas pautam seus argumentos e decisões baseadas em conteúdos duvidosos. E é impressionante como algumas dessas pseudo-informações são capazes de fazer com que a gente duvide até do que assiste ou vê num canal sério.

Ainda ontem, tive que assistir de novo a sabatina feita pela equipe da Isto É com a então pré-candidata à presidência, Manuela D´Avila, em junho deste ano. O que ela falou na entrevista não repercutiu na época. Porém, há cerca de 30 dias, um trecho editado de uma fala da Manuela circula nas redes para sustentar a tese de que a agora candidata a vice na chapa do PT se declara não cristã.

Eu precisei assistir de novo porque até eu estava duvidando do que tinha entendido. Quase comprei a versão editada e mentirosa. Assisti duas vezes para ter a certeza que minhas conclusões não estavam erradas e a fala da candidata, de fato, havia sido distorcida.

Pois é… O fenômeno que vem sendo chamado de pós-verdade tem esse efeito: relativiza a verdade e banaliza a mentira. Esses conteúdos em vídeo, texto ou memes provocam uma desordem na opinião pública. A objetividade dos fatos se perde em meio ao discurso emocional, que nos pega em nossas fragilidades. O medo, o preconceito, a vitimização, a hostilidade são técnicas eficazes de persuasão.

Afetados por esse universo pseudo-informativo, perdemos o rigor, a capacidade de racionalizarmos, ficamos cegos. Chegamos ao ponto de, mesmo diante dos fatos, preferirmos acreditar na versão distorcida. Parece que ela é mais confortável, melhor que a própria verdade.

Lamentável que seja assim.

A destruição agora é criativa…

Repetidas vezes afirmei que tenho medo de pessoas que dizem: “eu sou sempre assim”. Tenho medo porque gente que não muda é gente que não acompanha os movimentos da própria vida. E a vida é movimento.

Também me incomodo com pessoas saudosistas, gente que achava o passado melhor e luta para trazer o passado de volta.

Acontece que o passado pode até trazer lembranças e boas lições de vida. Porém, se não gostamos do presente, a culpa é justamente da história que foi escrita anteriormente. O que se vive hoje é fruto do que foi plantado.

Portanto, precisamos ter a flexibilidade necessária para viver o presente, construindo e reconstruindo nossos hábitos, saberes e práticas.

E este é um ponto fundamental e que talvez seja um tanto agressivo para quase todos nós: devemos ter disposição de aprender sempre, abrindo mão de tudo que aprendemos – e esse fluxo em intervalos cada vez mais curtos.

Sim, o que eu sei agora poderá não ter valor algum no final da tarde. Devo estar aberto para abrir mão do que sei e começar tudo de novo logo na sequência.

O sociólogo Zygmund Baumand, ao analisar o tempo presente, afirmou que a vida hoje é de constantes reinícios – um período no qual não há certezas e que toda ênfase está justamente em esquecer o sabe, apagar, desistir e substituir.

A destruição funciona de maneira criativa. Destruímos para começarmos de novo. Destruímos um modo de vida, um modo de trabalharmos, um modo de aprendermos, um modo de nos relacionarmos…

Claro, toda destruição é também a destruição um pouco do que somos, da nossa existência. E nem sempre damos conta de acompanharmos o ritmo frenético das mudanças.

Mas, gostemos ou não, esta é a condição essencial para sobrevivermos no momento presente.

Quem é o profissional do futuro?

Gosto de pensar neste assunto não necessariamente na perspectiva do pessoal que escreve sobre carreira, liderança… Esse pessoal que dá palestras pelo Brasil afora ou escreve no Linkedin.

Penso neste assunto observando os movimentos da sociedade, as novidades tecnológicas que se impõe a cada dia… E, principalmente, no surgimento de uma cultura fluída que tira toda estabilidade e rompe com as garantias que parecíamos ter no passado.

É indiscutível que o futuro é incerto. Mas há indicações de que o mercado se tornará cada vez mais seletivo e muita gente terá que se reinventar para conseguir uma oportunidade de trabalho.

Quem vai sobreviver a todas as mudanças?

Os especialistas indicam algumas características fundamentais. Todo trabalhador precisa ser também um empreendedor, alguém capaz de inovar – ou seja, fazer de forma diferente o que já faz.

É fundamental ter competência técnica em tecnologia. Gente que não consegue dialogar com as tecnologias, fazer uso delas de forma eficiente, dificilmente vai conseguir sobreviver.

Outra característica é a disposição para estudar as tendências do mercado. Não dá para viver alheio ao que está acontecendo… Muito menos ignorar como as mudanças tecnológicas, sociais e culturais afetam o mercado de trabalho.

O profissional do futuro é alguém capaz de duvidar de suas próprias convicções. É necessário estar sempre pensando e repensando suas práticas diárias e questionar se há maneiras de ser mais eficiente fazendo o que já faz. Ou seja, não há espaço confiar em suas crenças, achar que você está certo. Conheço gente que diz: “eu faço isso há 20 anos; sei o que estou fazendo?”. Sabe, isso é um risco muito grande. O certo de hoje pode estar errado amanhã.

Também é fundamental ser criativo. E aqui está um dos maiores dramas, na minha opinião. Só é criativo quem vive experiências para além das rotinas. Por exemplo, quem lê bons livros, assiste filmes, faz viagens, passeia no parque… Ou seja, vive experiências estéticas bastante ricas.

Difícil reunir todas essas características? Sim. Muito difícil. Mais ainda porque muita gente sofre de preguiça mental. Raramente estuda, raramente se questiona, raramente aceita viver experiências incômodas… Além disso, principalmente os mais jovens, querem apenas viver aquilo que dá prazer. O que é difícil, o que requer persistência, o que requer horas e horas de esforço, a leitura profunda tudo isso é descartado, porque é chato.

Pois é… O problema é que todas as características do profissional do futuro demandam força, energia e, principalmente, disposição para romper com todo e qualquer tipo de conforto pessoal.

A importância da leitura dos clássicos

Abrir-se para o aprendizado constante é a essência de uma pessoa culta. Aprender sempre e se dispor ao diálogo com saberes construídos ao longo da história da humanidade nos permite ver o mundo para além das obviedades.

Neste sentido, a literatura clássica tem papel fundamental. Quando a gente pega um texto escrito por Platão, Aristóteles, Sêneca… Ou ainda Shakespeare, Victor Hugo, Dostoiesvski, Eça de Queiroz, Machado de Assis… Quando lemos esses autores, mantemos um diálogo intergeracional, aprendemos com essas pessoas, ampliamos nossa visão de mundo.

Por outro lado, quem se fecha para esse aprendizado, torna-se uma pessoa inculta. Ou seja, o que é o inculto? O inculto é aquela pessoa que passa pela vida sem escutar outra voz que não a sua. O culto é aquela pessoa consciente de que está envolto em várias vozes que vêm do passado e que, ao ouvirmos essas vozes, compreendemos outras maneiras de dar significado, sentido aos vários movimentos da vida e da sociedade.

Entendo que não é simples voltar-se para a literatura clássica, para textos escritos em épocas tão distintas da nossa. Porém, o pensamento desses grandes autores ajudam-nos a ampliar a memória. É como se, ao aprendermos com eles, passassem a existir em nós, a conviver conosco. Deixamos de pensar sozinhos; pensamos com eles, dialogando com outras tantas experiências, que são riquíssimas.

Além disso, textos considerados difíceis são um grande desafio intelectual. Desafio este que nos tira da zona de conforto e, semelhante aos exercícios físicos mais complexos, que refinam os nossos movimentos e nos fazem descobrir musculaturas que sequer sabíamos que existiam, os textos tidos como difíceis exercitam nosso cérebro, ampliam nossas habilidades cognitivas, nos fazem descobrir novos mundos.