A desvalorização do conhecimento…

Noto um crescimento cada vez maior da presença de pessoas pouco qualificadas em cargos importantes. Desde a sala de aula, passando pelas empresas e igrejas, até as funções públicas.

Parece-me haver cada vez mais a valorização de quem se articula bem, de quem faz excelente marketing pessoal, de quem aposta no chamado networking.

Cá com meus botões, não vejo problemas nessas habilidades políticas, digamos assim. Porém, me preocupa o fato de algumas dessas pessoas não possuírem o conhecimento necessário para o exercício pleno das funções e, principalmente, para inspirarem seus seguidores e liderados.

Essas pessoas poderão ser bem-sucedidas em suas tarefas, mas não pelo conhecimento; outras habilidades acabam maquiando a falta de profundidade, a reprodução do senso comum.

Gente que lidera, gente que ensina, gente de destaque, mas pobre de conteúdo, é gente que forma mal. Todas as pessoas que estão subordinadas a esses líderes são afetadas. Elas aprendem mal, vão enxergar o mundo empresarial, as relações sociais, a sociedade em que vivem de forma rasa, superficial.

Quando você tem em sala de aula um professor fraco, ele pode encantar com suas inúmeras outras habilidades, mas vai formar alunos tosquinhos, com uma visão estreita de mundo.

Quando você tem um gerente que reproduz um monte de ideias clichês, a equipe pode até ter obter bons resultados financeiros, mas dificilmente será inovadora.

Quando você tem um líder religioso que desconhece a complexidade das relações humanas, a psicologia, a filosofia política, o universo midiático, ele tende a formar uma comunidade religiosa fundamentalista e, em vários casos, até intolerante.

Quando você tem um político pouco qualificado no comando de uma cidade, estado ou mesmo do país, as pessoas tendem a entender os problemas públicos de maneira simplista. A violência passa a ser culpa da falta de polícia ou da falta de atendimento aos pobres e miseráveis. O atendimento ruim na saúde é culpa da falta de investimentos no setor… Adversários políticos passam a ser inimigos… Ou seja, a visão estreita de quem lidera afeta profundamente os liderados. E isso impede o desenvolvimento efetivo da sociedade.

Esse fenômeno de valorização da superfície e consequentemente da desvalorização do conhecimento (que pode levar à sabedoria) me incomoda. No mundo do saber, há uma hierarquia. É inegável que, em suas especialidades, algumas pessoas sabem mais que outras. Ter as pessoas mais habilitadas de cada segmento no comando não é garantia de sucesso, mas certamente ajudaria nossas escolas, nossas empresas e até nossas igrejas a serem muito melhores.

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