Tem doutrinação nas escolas?

A educação é tema de toda campanha eleitoral. Faz parte do tripé que aparece nas prioridades de todo candidato a prefeito, governador ou presidente da República. Afinal, que político não faz promessas para educação, saúde e segurança?

No que diz respeito à educação, curiosamente, todo mundo fala, todo mundo palpita.

O problema é que a maioria desconhece o que efetivamente acontece nas escolas e, principalmente, nas salas de aula.

Esse desconhecimento se estende às famílias – que tem filhos estudando. A maioria dos pais não sabe o que está sendo trabalhado pelos professores, desconhece a rotina e quase não participa da vida escolar dos filhos. Os pais estão alheios ao que ocorre – e por opção deles, não por causa da escola.

Um dos temas recentes, que faz parte das bobagens que as pessoas repetem, é a suposta doutrinação que ocorreria por parte dos professores.

Trata-se de uma bobagem tão grande que não sei como classificá-la. Talvez se assemelhe ao saci pererê, mula-sem-cabeça ou algo parecido. Tem gente que diz que existe e que viu, mas não passa de lenda.

Doutrinar seria um processo que transcende o mero convencimento. Uma criança, um adolescente, vítima de doutrinação, ficaria cego, veria o mundo apenas na perspectiva para a qual foi doutrinado.

Noutras palavras, os professores fariam lavagem cerebral em seus alunos.

Não, amigos, isso não acontece.

Eu reconheço e concordo que existem professores que, em sala, são militantes. E isso é um fato. Professores que militam em prol de causas que entendem ser justas e necessárias. Entretanto, o número de docentes que faz isso é muito pequeno. E, se os pais participassem da vida escolar dos filhos, poderiam cobrar a escola para inibir essas práticas, pois a legislação que trata da educação é clara: a sala de aula é um ambiente para um ensino plural, que abrange diferentes perspectivas.

Detalhe, quase sempre professores-militantes estão nas universidades – e também por isso exercem pouca influência sobre a maioria dos alunos. Na prática, viram motivo de piada e até de rejeição por parte de alguns estudantes.

Nas escolas da rede fundamental e nos colégios de ensino médio, os militantes – supostos doutrinadores – praticamente são inexistentes. Professores que atuam nessas etapas da educação raramente possuem formação para serem militante. Por isso, quando militam, atuam quase de forma caricata.

Tem outro detalhe, as escolas, hoje, até o ensino médio, possuem tantas demandas, exigem-se tantas coisas para serem trabalhadas, que sequer dá tempo de o professor ficar levantando bandeira em sala de aula.

Volto a repetir, é fato que vez ou outra aparece um professor se posicionando de forma contundente a respeito de algum assunto, atropelando o bom senso e até mesmo os valores dos alunos e suas famílias – inclusive desrespeitando a orientação das próprias escolas. Mas essas situações são esporádicas, não justificam a imposição de uma lei que instale a mordaça e que acabará por impor uma única forma de ver o mundo.

Uma última palavrinha: se você ainda acha que tem doutrinação, visite a escola de seu filho. Procure conversar com coordenação, direção, professores… Tome conhecimento da rotina escolar, dos conteúdos em sala. Acompanhe! Certamente você vai descobrir uma série de problemas, mas também verá a escola com outros olhos.

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