Na política, eleitor não pode agir como torcedor

O exercício da cidadania implica na escolha consciente dos representantes políticos, daqueles que vão legislar e administrar o país – teoricamente, com o objetivo de promover o bem de todas as pessoas.

Isto significa que, embora a gente não escolha necessariamente quem seja o melhor, vota-se na pessoa que parece mais adequada para a função, dentre aquelas que estão concorrendo ao cargo.

O processo requer muita responsabilidade, mas é relativamente simples. Ou, deveria ser simples. Porque, semelhante a um produto, que consideramos o custo-benefício, a escolha do político também deveria ser bastante prática, racional.

Entretanto, este não parece ser o comportamento de uma parcela significativa da população. Muita gente tem agido como torcedor.

O que faz o torcedor? O torcedor age de maneira apaixonada. Ele vê pênalti, mesmo que nada tenha acontecido; vê injustiça do juiz; acha que o time está sendo prejudicado… Que tudo conspira a favor do adversário.

O torcedor é torcedor na vitória e na derrota. Na boa e na má fase.

O eleitor não pode ser assim. No jogo da política, não há espaço para, na tentativa de defender o nosso político, desqualificar o adversário. Se o cara em quem votei pisou na bola, azar dele… Segue o jogo e vou escolher alguém que faça melhor. Simples assim.

Não dá para assumir a defesa do político. Quem defende político é o próprio político e o grupo dele.

Como cidadãos, nós estamos do outro lado do espectro político. Somos aqueles que sofrem o efeito dos atos deles. Para o político, somos apenas votos. Nada mais. Por isso, não dá para comprar briga por eles.

No futebol, se o atacante do nosso time faz bobagem e algum torcedor de outro time vem tirar sarro, a gente aproveita pra desqualificar o atacante e a equipe toda do adversário.

Na política, não é porque votamos numa pessoa que devemos nos manter fieis a ela. A gente torce para dar certo. Mas nosso compromisso é com o bem de todos. O foco não pode ser defender um para derrotar outro político; o objetivo é a coletividade, o povo é que precisa vencer. Políticos são descartáveis!

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