Compromisso com a (in)coerência

Pesquisadores descobriram que quando assumimos determinadas posições ou fazemos certas escolhas publicamente geralmente somos fieis a elas.

Deixa eu exemplificar… Eu tenho blog há quase 14 anos. São cerca de 7 mil textos publicados. Neles, em várias ocasiões, me posiciono sobre diferentes assuntos. As pessoas lêem o que eu escrevo. Sabem o que eu penso. Isso provoca em mim a necessidade de ser fiel ao que eu disse. Trata-se da defesa da minha coerência.

Vale o mesmo para minhas colunas na Band News. Quando eu falo, de certo modo, assumo um compromisso com o que falei. E passo a defender aquela posição.

Rever opiniões verbalizadas cria nas pessoas a sensação de que somos incoerentes. E a incoerência não é bem vista. É tida como um problema. Pessoas incoerentes não parecem dignas de credibilidade.

O problema, conforme mostram alguns estudos, é que nem sempre as posições assumidas são as melhores ou são corretas – seja uma coisa que falamos ou mesmo uma escolha que fazemos.

E isso se torna um problema ainda maior, porque as pessoas têm dificuldade para abandonar as posições e escolhas assumidas, ainda que estejam erradas ou tenham feito uma má escolha.

Na prática, a pessoa assume uma postura agora e, quando questionada, ainda que os argumentos contrários sejam fortes, ela vai insistir naquilo. Ela pode ter feito uma péssima compra, mas se estava empolgada antes e falou pra todo mundo, vai ser difícil demais admitir que a opção foi ruim.

Para isso arruma todo tipo de justificativa. Ou ainda se fecha para o questionamento ou, pior, tenta desqualificar quem questiona.

Esses estudos, muito bem expostos por Robert Cialdini, na obra As armas da Persuasão, ajudam a entender muito do comportamento atual. Inclusive no que diz respeito à política e a disseminação de fake news.

Com a internet, as pessoas expõem o que pensam. Isso cria nelas um compromisso com o que foi publicado. As pessoas não se sentem confortáveis em dizer: “cara, eu estava errado”. Desta forma, buscam sustentar seus argumentos em qualquer bobagem que aparece na rede – ainda que sejam fake news.

O que acaba acontecendo é que a pessoa se sente satisfeita com a escolha ruim, como forma de preservar a imagem para os outros e para si mesmo.

Isso é consciente? Não. É um mecanismo psicológico importante do ser humano. Porém, sabendo que reagimos assim, temos a chance de não insistirmos em escolhas ou posicionamentos equivocados.

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