Preferimos o conforto das mentiras

Quando olhamos para a história, notamos que nós, seres humanos, gostamos das mentiras. Ficamos confortáveis com as fantasias. Elas garantem a fuga da realidade, que geralmente é bastante cruel.

Também preferimos as pessoas mentirosas às verdadeiras.

Em nossas falas, costumamos defender a verdade. Argumentamos que rejeitamos a mentira e os mentirosos, mas, na prática, não é isso que acontece.

A verdade confronta, machuca, revela a face mais dura da existência.

Quer um exemplo da moda? A empresa por trás da jovem Bettina. A farsa do discurso da Bettina no Youtube só se tornou assunto na internet por conta do evidente exagero. Em três anos, ninguém sai de uma poupança de mil e quinhentos reais para mais de um milhão de patrimônio apenas investindo na bolsa de valores.

Porém, a Empiricus, que Bettina representa, existe há 10 anos. Nesse período, vem prometendo dobrar o patrimônio de pessoas, garantir ganhos extras substanciais… E centenas de pessoas têm comprado os cursos da empresa, embora até hoje a gente não tenha nenhum amigo que ficou rico com ajuda da empresa.

A gente vê a mesma coisa na política. Basta relembrar a campanha presidencial de 2018. Procure aí na sua memória um único projeto sério para o país que foi apresentado e debatido durante a campanha eleitoral. Não há nenhum. E por isso aconteceu? Culpa dos candidatos? Não! A culpa é nossa, porque preferimos o conforto do reino da fantasia. A gente gosta de ouvir coisas do tipo “nós vamos mudar tudo isso aí”. A gente nem sabe direito que mudanças são essas, mas embarcamos facilmente nessas promessas.

O que dizer dos nossos relacionamentos? Pessoas objetivas, assertivas, que escancaram a verdade diante de nossos olhos são tidas como arrogantes, prepotentes, presunçosas. Gostamos mesmo dos bajuladores, daqueles que têm sempre um sorrisinho no rosto, são capazes de falar palavras simpáticas, elogiar nossas roupas, cabelos… Convidar-nos para o happy hour… Gente que fala mal dos outros colegas, como se estivesse confidenciando coisas importantes… E a gente parece acreditar que essas pessoas não fazem a mesma coisa pelas nossas costas.

O norte-americano Joseph Weil, que viveu 101 anos, afirmava que “a mentira é mais apetitosa“. E completava: “a pessoa mais detestável do mundo é a que sempre fala a verdade”.

Pois é… É difícil admitir, mas nossas atitudes diante do mundo confirmam que Joseph Weil tinha razão. O que explicaria o fato dele ter sido um dos trapaceiros mais bem-sucedidos da história dos Estados Unidos.

Anúncios