O que pensamos pode não ser verdade

Uma das coisas que sempre repito por aqui é: desconfie de suas certezas. As suas verdades podem não ser a verdade; podem ser apenas impressões pessoais, equivocadas.

Ao ler a entrevista do general Santos Cruz, ex-secretário de Governo da Presidência da República, concedida à Época, uma das coisas que chamou a atenção foi justamente sua postura em evitar falar sobre aquilo que não tem convicção:

“Sou um cara muito preto no branco. Aquilo que desconfio pode não ser verdade. Aquilo que imagino pode não ser verdade. A pessoa tem de saber que aquilo que ela pensa pode ser verdade ou não.”

Terminei de ler com a sensação de que precisamos ser menos afoitos, menos ansiosos ao falar. Reter as palavras, não falar tudo que pensamos é atitude sábia. Evita que não sejamos injustos, preserva relações e nos poupa de passarmos vergonha pública.

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Educar pelo exemplo

Os pais sonham com filhos bem educados. Creio que nenhum pai, nenhuma mãe quer ver seu filho, sua filha envolvido/a em algo ruim e nem mesmo sendo alvo de comentário depreciativos por não saber se comportar em determinados ambientes.

Entretanto, para que nossos filhos sejam pessoas de caráter, sociáveis, agradáveis, respeitosas, generosas, há necessidade de um investimento diário na educação deles. Ou seja, é preciso investir tempo na orientação da moçadinha. Eles carecem de explicações, disciplina adequada… Muitas palavras precisam ser gastas.

Porém, existe algo ainda mais importante que as orientações verbais: o exemplo. Nada é mais poderoso na educação de nossos filhos que os nossos exemplos. Aquilo que somos em nosso dia a dia é observado e assimilado pelas crianças. Se o que falamos for incoerente com nossas práticas, todo investimento na educação dos filhos será jogado fora.

Influencers em Chernobyl

Influencers posando para fotos em Chernobyl. Retrato da síndrome do mau gosto. Mau gosto no sentido de tentar tornar belo aquilo que é pobre, triste, doente.

Talvez para os mais jovens, Chernobyl não signifique nada. Para os brasileiros, a distância geográfica é imensa e o desastre nuclear ocorrido em 1986 não passa de uma mera lembrança de notícias e imagens nos jornais.

Entretanto, uma breve pesquisa nos ajuda a lembrar que o acidente ocorrido em abril de 1986 numa das usinas localizadas no norte da Ucrânia foi o desastre nuclear mais grave da história. O número de vítimas ainda é indefinido, pois as mortes e os efeitos da radiação não podem ser medidos apenas pelo que ficou visível na época e nos anos seguintes. Além da devastação ambiental, das mortes imediatas, muita gente desenvolveu doenças ao longo dos anos, principalmente câncer.

O acidente em Chernobyl é, portanto, uma daquelas feridas na história que parecem difíceis de cicatrizar. Chernobyl se tornou uma cidade fantasma. Durante muitos anos, a área permaneceu fechada para civis. Hoje, porém, é possível visitá-la. O local está aberto para turismo, desde que com guia especializado para que a visita seja segura.

Recentemente, a HBO produziu uma série que recriou os fatos ocorridos em abril de 1986 e a explosão da central nuclear. Isso aumentou ainda mais o interesse em visitar o local.

Mas o sucesso da série parece ter despertado sentimentos bastantes controversos. Nem todo mundo quer conhecer a região para compreender o quanto o ser humano pode ser destrutivo em suas ações. Na verdade, jovens influencers têm usado o cenário para fazerem fotos que estão sendo publicadas no Instagram. Virou moda! As imagens não estão acompanhadas de nenhuma reflexão ou apelo ambiental. Apenas reproduzem a cultura do espetáculo.

Sinceramente, é assustador. Em nome da polêmica e da visibilidade nas redes, essas novas celebridades atropelam o bom senso, o respeito às vítimas e a memória histórica. Parece que a ausência do conhecimento histórico e de sensibilidade humana tem norteado as ações desses influencers.

Mas sabe o que mais me incomoda? Os influencers que vão a Chernobyl posarem para fotos são apenas sintoma de uma sociedade que tem perdido o respeito à sua história, ao humano e à própria vida.

A leitura nos liberta da ignorância

Esbarrei horas atrás com um breve texto do amigo Nailor Marques Jr sobre a leitura. Ele dizia:

“Por que ler é importante? Porque, na verdade, é o único diferencial competitivo. […] A leitura profunda e de qualidade coloca o ser humano de encontro com ele mesmo de um jeito único”.

E o professor completa:

“A pessoa reaprende a pensar, a emitir opinião… […] a se calar”.

Eu tenho sustentado que existe sim uma hierarquia de conhecimentos. Existem pessoas (algumas poucas) que possuem conhecimento e outras que apenas possuem opiniões vazias (a maioria) e as que defendem como se fossem verdades.

O que ajuda as pessoas a efetivamente ter opiniões fundamentadas é a boa leitura. E quando falo de boa leitura, falo de leituras em profundidade. Não de textos fakes que circulam no whatsapp, videozinhos, compartilhamentos de sites/blogs duvidosos que rolam por aqui no Facebook.

Sim, caríssimos/as, a leitura nos liberta da ignorância.