Quatro aspectos que atrapalham o e-commerce no Brasil

Sou fã do comércio eletrônico. Gente como eu, que não gosta de ir às compras, de sair às lojas para encontrar os produtos que precisa, encontra no e-commerce um dispositivo poderoso para auxiliar no atendimento de todos os desejos.

Talvez por isso, mas principalmente pela facilidade de acesso e custos mais baixos, o comércio eletrônico não para de crescer. Só entre 2018 e 2019, o número de sites de e-commerce aumentou 37,5% no país. Atualmente, o Brasil possui 930 mil sites de venda online.

O volume de vendas também é positivo. Enquanto o crescimento econômico anda estacionado, no comércio online, em 2018, as vendas foram 12% superiores a 2017, e este ano havia começado com expectativa de novo crescimento: 16% em 2019.

Há, porém, alguns aspectos que impedem que o comércio eletrônico se expanda ainda mais. O primeiro deles é a pouca confiabilidade do sistema eletrônico no Brasil. Com 930 mil sites de venda online, as falhas de monitoramento e fiscalização no país ficam ainda mais evidentes. Para o consumidor, o risco parece bastante grande, se a escolha for por uma loja virtual desconhecida. Não há muitas garantias de que o produto será recebido no prazo, se o atendimento será eficaz, caso seja necessária a troca ou devolução, tampouco há garantias de que o produto será recebido.

O segundo aspecto é o custo dos fretes no Brasil. As pequenas lojas online não conseguem assegurar frete grátis e nem contratos vantajosos com as empresas de entrega. Isso faz com que nem sempre os preços de seus produtos sejam tão atrativos.

Um terceiro ponto não diz respeito às lojas virtuais, diz respeito às indústrias brasileiras. Alguns setores, como confecção e calçados, por exemplo, não possuem uma padronização rigorosa de tamanho. Eu, por exemplo, comprei na internet no ano passado 2 camisas tamanho G de uma determinada marca; vieram perfeitas e o tamanho foi adequado. Me animei e fiz a mesma compra neste ano; tive que devolvê-las – ficaram pequenas (e eu não ganhei peso entre uma compra e outra).

A ausência dessa padronização prejudica demais. Numa mesma loja, você pega uma camiseta M que fica grande e uma G que fica pequena.

Nos Estados Unidos, meca do capitalismo, esse tipo de problema não acontece. Os tamanhos são rigorosamente os mesmos em todas as marcas.

Um quarto e último aspecto que ainda impede a total popularização do comércio eletrônico é o analfabetismo digital. Muita gente não tem acesso à internet, mas, mesmo entre aqueles que possuem acesso à rede, navegam com muita dificuldade. De maneira rudimentar, utilizam o whatsapp e algumas outras redes sociais. Porém, baixar um aplicativo de compras, navegar com segurança entre as opções, fazer comparações de preços etc., não são habilidades que todos os usuários possuem.

Entretanto, apesar disso, o e-commerce é um fenômeno irreversível. Esses impedimentos apenas servem para retardar um pouco a expansão do setor, mas não serão suficientes para mudar de vez a lógica do comércio.

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