A escola e o (não) prazer de estudar

​Dias atrás, falei aqui que um número expressivo de jovens entende que sucesso profissional é “fazer o que gosta”. Também mencionei que a busca por fazer coisas que proporcionam prazer é uma das características do momento em que vivemos. Frequentemente, as escolhas de nossos adolescentes e jovens têm como referência a expectativa de que aquela atividade poderá ser alegradora.

Esse não é um princípio de vida ruim. Passa a ser, quando há baixa tolerância à frustração, ao desconforto, à dor.

E aqui está um dos problemas enfrentados na escola. O ato de aprender é, por vezes, desgastante, cansativo e provoca muito sofrimento.

O movimento de aprendizagem é uma espécie de agressão subjetiva. É necessário todo um esforço para se adquirir um determinado tipo de conhecimento, principalmente em áreas que não parecem fazer sentido para nós. Há necessidade de criar novos “caminhos” no sistema neuronal, novas conexões.

Entretanto, no que diz respeito à escola, a situação é ainda mais complexa. Algumas regras gramaticais, cálculos matemáticos, princípios físicos, químicos ou estudos biológicos são totalmente estranhos e desconexos com a realidade imediata do aluno. E aí sem prazer e sem fazer sentido, não há nada de recompensador nesse aprendizado.

A rejeição por aquele saber é quase imediata. Com raras exceções, absorve-se o necessário para obter o resultado desejado: a aprovação na matéria. Nada mais que isso!

E nenhum discurso professoral, ou até mesmo da família, em defesa desse tipo de conhecimento têm lógica para os estudantes. Eles se sentem desconfortáveis com as horas dedicadas ao estudo, não encontram nenhum prazer naquilo e, pior, ainda notam que provavelmente boa parte daquele conhecimento só terá valor para passar num vestibular. Nada mais.

Na prática, a escola produz efeito contrário do desejado. Ao obrigar os alunos a fazerem coisas que não gostam e que não possuem conexão com a realidade deles, a escola acaba por sugerir que o estudo é chato, impositivo, e não passa de uma mera formalidade para aprovação em concursos ou em atividades que estabelecem, aleatoriamente, suas próprias regras, ignorando as habilidades que, de fato, são requeridas numa profissão e até mesmo para a vida.